25/11 - 15:24 A Mega Rampa e o estilo das ruas Saiba tudo sobre o evento que agitou São Paulo no último feriado! Eduardo Ribas

Acordo OrtográficoImagine uma estrutura de 107 metros de extensão e 27 metros de altura no meio do Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Antes que você pense que é um supercarro alegórico para o carnaval de 2009, saiba que era uma pista de skate! Difícil de imaginar, mas possível de existir. Essa é a Mega Rampa, que foi trazida ao Brasil para que os melhores skatistas do estilo vertical pudessem competir.

Nomes como Bob Burnquist, Jake Brown e Andy MacDonald desafiariam esse “monstro”, que conseguia ao mesmo tempo também ser o sonho de qualquer skatista. A competição foi bem simples: ganhava aquele que fizesse a melhor manobra no gap (espaço) entre o ponto A e B da rampa durante as baterias. Só que há um porém, o brasileiro Bob Burnquist tem um “brinquedinho” desses no quintal de sua casa, na Califórnia. A partir daí não fica difícil imaginar porque ele foi o vencedor desse desafio!

Mas as manobras e saltos não foram o fator determinante do sucesso da Mega Rampa no Brasil, e sim o público. A casa ficou lotada! Muita gente jovem e no estilo compareceu para ver com os próprios olhos essa pista com altura equivalente a nove andares de um prédio. Mas como essa galera, que algumas vezes tem sua imagem associada a um junky way of life, ou seja, dias mal dormidos, muita balada, bebida e afins, conseguiu estar presente em um evento que teve início antes das 10 da manhã de um domingo de sol?

Nas arquibancadas você podia encontrar desde crianças de colo até adultos, passando também por senhoras e senhores. Todos com ar de pessoas saudáveis e extremamente dispostas a se divertir. Poucos consumiam álcool e muito menos fumavam. Era como se fosse uma geração saúde dos que curtem esportes street. E essa mudança de comportamento não se remetia apenas a isso.

Não era possível determinar um único estilo: surfista, skatista, bmxer (que é quem anda naquelas bikes menores, chamadas BMX)...nada! Era visível que havia um estilo street, ou um estilo inspirado nas ruas. O pessoal mais tradicionais apareceu com suas calças e bermudas largas, camisetas com estampas que destacavam o nome de alguma marca (que apóia o skate ou o surf, por exemplo) e tênis também de marcas voltadas ao esporte favorito de cada um.

Os mais novos apresentavam um híbrido de tendências com um ar que remetia a um revival dos anos 80. Calças mais justas, camisetas estampadas, coloridas e com frases criativas, além de lenços, bonés de aba reta, óculos escuros retrô. Isso sem contar com os tradicionais piercings e alargadores nas orelhas, que davam o toque mais moderno ao visual. As meninas não ficaram para trás e vieram com seus cortes de cabelo fashion, skiny jeans, tênis coloridos, os mais diversos acessórios e é claro, muita maquiagem. A única obrigação aparente era se sentir bem e confortável.

Voltando ao evento; durante os saltos, todo o público ainda pode ouvir o som das pick-ups do Dj Wágner. Também haviam quiosques que traziam brindes e atividades voltadas aos esportes radicais que a galera curte. Na Mega Rampa, estava claro que o preferido dessa torcida era realmente Bob Burnquist. A nacionalidade, o talento e a humildade do skatista brazuca, que vibrava e acenava a cada salto, falou mais alto para o público. A resposta a isso era imediata, gritos ecoavam pelo Anhembi: Bob, Bob, Bob! “Esta vitória é para este público sensacional. Este evento é um marco para o skate brasileiro”, declara emocionado, o vencedor. Vitória de Bob, mas parabéns merecido ao público.

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