21/10 - 13:48 Metrópoles dominam cenário do grafite Enquanto a arte urbana não ganha espaço em museus e galerias, os muros de São Paulo, Nova York e de outras grandes cidades do mundo continuam a mostrar o melhor do grafite. José Eduardo Martins
É quase impossível se calcular o número exato de grafites espalhados pelas grandes metrópoles do mundo. No entanto, não é preciso fazer pesquisas minuciosas para se apontar quais as cidades que têm mais obras. Quanto mais cosmopolita a cidade, maior a quantidade e a efervescência de manifestações culturais.
No Brasil, São Paulo pode ser considerada a cidade dominante no cenário do grafite moderno. Apesar das tentativas da prefeitura municipal de apagar os grafites, é possível encontrar várias obras. Os lugares preferidos pelos grafiteiros são fachadas cinzas, colunas de sustentação de viadutos, túneis e prédios antigos ou abandonados.
“O grafite no Brasil vive uma fase de avanço. Lutamos mais de 20 anos e agora é uma época de mais informações, apesar de ainda não ser reconhecido totalmente como arte. São Paulo é, sem dúvida, a cidade com maior número de obras, mas Porto Alegre, Rio de Janeiro e Curitiba também estão crescendo muito neste sentido”, disse Oswaldo Junior, o Juneca, um dos pichadores mais famosos do Brasil nos anos 80 e hoje um dos expoentes do grafite nacional e internacional.
Em São Paulo a explosão do grafite ocorreu nos anos 80, com Alex Vallauri. Na seqüência surgiram John Howard, Hudinilson Jr., Celso Gitahy, Rui Amaral e Juneca. Hoje em dia, se destacam também Os Gêmeos, Donato, Binho Ribeiro, Cobra, entre outros.
“Lembro quando o John – norte-americano radicado no Brasil - fez obras na Vila Madalena e pintou na placa da rua: Galeria Aspicuelta”, conta Celso Gitahy, sobre os grafites feitos por John Howard em um tradicional bairro da boemia paulistana.
Nova York, a meca do grafite
Berço das artes de rua, Nova York é a metrópole mais tradicional em termos de grafite no mundo. Nos anos 70, o grafite moderno ganhou força na cidade norte-americana como uma forma de manifestação do hip hop e das gangues da periferia.
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Flickr/dbilly |
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| Em Nova York, um grafite da dupla brasileira Osgêmeos |
Para tentar diminuir as obras, muitas leis foram instituídas em Nova York, mas o poder público acabou perdendo a batalha contra o grafite. Apenas os coloridos trens dos anos 70 e 80, símbolo das gangues, foram limpos e fazem parte do passado da cidade norte-americana. Hoje em dia, no centro e principalmente na periferia de Nova York ainda se pode encontrar os famosos grafites.
Grafite pelo mundo
Outras grandes metrópoles mundiais também são grandes centros do grafite. Cidades como Madri, Barcelona, Berlim e Tóquio se destacam no cenário.
“Fiquei um mês em Melbourne, na Austrália. Achei muito curioso porque lá existem áreas que o grafite é totalmente liberado. E quando você é pego em outro lugar pintando não tem conversa, é preso mesmo. Além disso, mesmo nos lugares demarcados, só se pode pintar à noite. Fiquei com saudades do Brasil”, brincou Celso Gitahy.
No exterior inclusive, são realizadas várias mostras de trabalhos realizados pelos artistas do spray. “O grafite é uma forma de manifestação. Já fiz exposições no exterior e sei que em Nova York, na França, na Alemanha o respeito é maior. Aqui ainda somos marginalizados. Isso acontece por falta de informação”, explicou Juneca.
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