22/09 - 10:32 Grafite na escola: nota 10 ou 0? Popular em todos os grandes centros urbanos do mundo, o grafite ultrapassou a fronteira das ruas e ganhou as salas de aula. José Eduardo Martins

Acordo Ortográfico

Muitos professores passaram a utilizar as técnicas do spray, do pincel e das tintas nas escolas brasileiras. “O objetivo é usar a linguagem do grafite para aguçar a percepção. Mostrar que há outros elementos, que existem outras opções de arte. Por isso é preciso ter oficinas culturais contínuas. Todas as que são oferecidas lotam”, disse Oswaldo Júnior, o Juneca, grafiteiro, formado em artes plásticas, que já ministrou aulas para mais de cinco mil alunos em todo o Brasil.

Professora de artes em escola pública da zona sul da capital paulista, Elisabete Moreira também utiliza os recursos do grafite em sua programação de ensino. “É uma forma de fazer com que os alunos se interessem mais pela arte. Além disso, eles conseguem aperfeiçoar técnicas de pintura e a trabalhar a coordenação motora”, explicou Elisabete, que além do spray utiliza o pincel em suas aulas. “Colocar o grafite na escola é uma forma de evitar o vandalismo. Com certeza, desta maneira eles não terão vontade de sair pichando qualquer muro”, completou.

Criado na década de 70, em Nova York, e anos mais tarde introduzido no Brasil, o grafite vem ganhando espaço no Brasil e deixando de lado o status de arte marginal. Trabalhos de grafiteiros brasileiros já ganharam lugar nas principais galerias do mundo. Com desenhos e temas na maior parte das vezes coloridos, o grafite se difere da pichação, que utiliza somente o spray e a escrita. “Todo mundo quer mostrar que existe. O problema é de condicionamento. Quando você entra na escola aprende primeiro a escrever o nome. Se o pichador tivesse mais conhecimento se manifestaria de outra forma. Ou, faria a pichação de outra forma. Como antigamente faziam frases de efeito. Todos os que passaram por oficinas de grafite aprenderam alguma coisa e fizeram trabalhos legais”, afirmou Juneca.

Perto da escola e da rua

Um ponto que os grafiteiros profissionais ressaltam na introdução do grafite na escola é aproximação da rua. “Acho interessante o grafite na escola. Penso que chutamos a porta para essa nova geração entrar. Mas é importante que o professor traga um profissional de rua para dentro da sala de aula ou que se faça uma pesquisa. Há de se conhecer a arte do grafite para ensinar. É preciso ter critério para fazer a coisa de maneira correta”, disse Celso Gitahy, um dos precursores do grafite no Brasil e autor do livro ‘O que é grafite’, da série primeiros passos. 

Mas, da mesma forma como acontece nas ruas, o grafite também gera polêmica dentro da sala de aula. Nem todos os pais e professores concordam com a metodologia. “Jamais vou querer ver o meu filho sujando a mão aprendendo a pintar muro. Não o coloco na escola para aprender coisa errada. Se alguma professora quiser ensinar grafite, vou procurar no mesmo dia outro lugar para ele estudar”, avisou Ana Paula Santos, mãe de Victor, aluno de seis anos de um colégio particular de São Paulo.

Alguns professores mais tradicionalistas também não são a favor da técnica do grafite dentro da sala de aula. “Acho interessante ensinar desenho, pintura e a história da arte para as crianças. Entendo o esforço dos professores para trazerem estes conceitos para a modernidade. O problema é que muitas vezes essa ousadia acaba transgredindo regras. O que, na minha opinião, acontece com o caso do grafite na escola”, analisou Wilma Constantino, professora de artes na capital paulista. O assunto, longe de ser um consenso, ainda vai ser muito discutido entre pais, professores e alunos.

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG
Topo