22/09 - 11:30
Esportes de rua
A cultura de rua também se expressa por meio de diversos esportes, desde adaptações de basquete e futebol até modalidades radicais como o skate.
Marcos Palhares
Para quem quer praticar esportes na rua, as opções são bem variadas. Desde os mais radicais, como as manobras do skate e patins, até os mais tradicionais, como vôlei, basquete e futebol. Às vezes as regras obedecem a do esporte tradicional, em campo ou quadra, mas o barato da rua é a inovação e o incentivo à criatividade.
É o caso, por exemplo, do futebol de rua, em que é proibido fazer falta: quem faz fica dois minutos fora da partida. “Com isso, priorizamos o jogo corrido e os dribles”, explica Alceu Natal Neto, 34 anos, um dos fundadores da ONG Futebol de Rua, do bairro Heliópolis, em São Paulo.
Na modalidade, cada time joga com quatro atletas, três na linha e um no gol. As partidas são disputadas em quadras adaptadas e o jogador pode tabelar com a parede, não há saída lateral. “Sai muito gol. O futebol de rua prepara melhor a técnica e o drible”, afirma o jogador Caio Dantas Lima, de 14 anos. “A liberdade é maior, dá para criar lances bonitos”, emenda Jéferson dos Santos, de 15.
Em março deste ano, jogadores da ONG participaram da inauguração de uma quadra em Heliópolis, com presença do ex-jogador francês Zinedine Zidane. “Já estamos organizando o quarto campeonato. Temos ligação com o pessoal do futebol de rua da Argentina, que prioriza projetos sociais. Queremos fazer isso”, diz Alceu Neto.
Outro esporte que tem mobilizado jovens na periferia é o vôlei de rua. Em Campo Grande (MS), os bairros mais distantes sediam competições organizadas pela prefeitura, com apoio da Confederação de Vôlei do Mato Grosso do Sul. “A intenção é popularizar o vôlei e mobilizar a comunidade. Fechamos a rua, montamos arquibancada e pintamos as riscas da quadra no asfalto”, conta Wilson Anderson de Almeida, o Nando, 32 anos, da Funesp (Fundação de Esportes do Município de Campo Grande). As regras são basicamente as mesmas do vôlei tradicional, mas jogam apenas quatro atletas em cada time. Os sets tem 15 pontos cada e é preciso vencer dois deles. “Temos categorias feminino e masculino, não misturamos atletas dos dois sexos”, observa Nando.
O basquete de rua, também conhecido como street ball, também teve algumas adaptações. Disputado em metade da quadra tradicional, com uma só tabela, conta com três jogadores em cada time e tem regras como dar dois pontos e meio para uma enterrada (bola enfiada com as mãos no aro) e um ponto se conseguir passar a bola entre as pernas do adversário. “O street ball é jogado por jovens das regiões mais pobres, que não têm acesso aos clubes”, diz Maximiliano Benanse, o Max DMN, 34 anos, que organiza – e narra – competições desse esporte em Santo André (SP). “O basquete de rua prioriza a habilidade. E tem o lance psicológico também, pois o jogador tem que aceitar a tiração de sarro”, acrescenta.
Entre os esportes radicais, o skate de rua é o que mobiliza mais adeptos. “A maioria dos praticantes tem de 15 a 24 anos, das classes sociais mais baixas. É uma verdadeira tribo, todos procuram se ajudar”, garante Guilherme Van de Velde, 26 anos, gerente de tecnologia e comunicação da Associação Ativação do Jovem e o Mercado de Trabalho, que desenvolve projetos de skate em instituições de São Paulo.
Esportes como skate e patinação têm as modalidades rua, street e vert (ou half-pipe). “No primeiro caso, você cria os obstáculos com qualquer coisa que estiver na rua. Já o street é o parque com várias rampas. E o vert é uma linha reduzida, no formato da letra U”, diferencia Kim Olsen, 24 anos, praticante do chamado patins in-line em Cuiabá (MT). “Gosto mais da rua porque mostra toda a sua criatividade”, completa o patinador, que pratica o esporte há dez anos.

