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Acne: o que causa e como tratar?

Espinhas são supercomuns na adolescência, mas nem por isso devem ser ignoradas. Saiba como resolver o problema

Nathalia Ilovatte, iG São Paulo | 02/09/2011 08:05

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Foto: Thinkstock Photos

A acne é uma doença que acomete 80% dos adolescentes em quatro diferentes graus

Sábado de manhã, dia da festa de 15 anos da sua melhor amiga. Você acorda feliz, se olha no espelho e... Susto! Uma grande espinha vermelha na sua bochecha acaba com toda a alegria do fim de semana.

Se isso aconteceu com você, considere-se uma pessoa de sorte. A acne acomete de 70 a 80% dos adolescentes, e espinhas isoladas são apenas o primeiro grau de uma doença de pele que pode até causar febre e dores musculares.

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De acordo com Mônica Azulay, diretora da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a maneira como a acne se manifesta varia de adolescente para adolescente. “Em alguns as lesões são mínimas e quase imperceptíveis. Em outros, a doença se apresenta com inúmeras lesões, de formas variadas, algumas das quais irão evoluir para cicatrizes”, relata a especialista.

O que causa

O surgimento da acne está diretamente relacionado à produção de hormônios sexuais, e por isso ela começa a dar o ar da graça na adolescência. “A produção dos hormônios sexuais estimula a glândula sebácea a se hipertrofiar, ocasionando o aumento da produção de sebo, caracterizando a oleosidade típica da pele do adolescente”, explica Mônica. De acordo com a especialista, quem tem predisposição genética sofre um estreitamento e obstrução do folículo pilossebáceo, e isso, unido à oleosidade, ocasiona os cravos.

No caso das espinhas, há um agravante: além da hipertrofia da glândula sebácea e da obstrução dos folículos, ocorre a proliferação da bactéria P. acnes, que causa inflamação. E o resultado dela você pode ver no espelho.

Como não agravar o problema

Sabendo disso, você pode ficar aí culpando a sua mãe por ter passado adiante o gene da obstrução dos folículos, ou pode tomar providências para que a acne não se agrave. “Trabalhos recentes demonstram que determinados alimentos que possuem elevado índice glicêmico pioram os quadros de acne”, afirma Mônica, referindo-se aos pães, doces, biscoitos, bolos, milho e algumas frutas como uva passa, ameixa seca e banana. “Por outro lado, dietas ricas em vitamina A e zinco são aliados interessantes na melhora dos casos”, explica a dermatologista. Sendo assim, vale investir em mamão, fígado, brócolis, lentilha e soja.

Além disso, pegar sol entre 12 e 15h e espremer as espinhas pode piorar o problema. Portanto, cuidado com a exposição da pele, use um filtro solar adequado e mantenha as mãozinhas bem distantes das inflamações.

Os quatro tipos de acne

Se você tem várias enormes espinhas aglomeradas, enquanto seus amigos só têm algumas isoladas, vocês provavelmente têm tipos diferentes de acne. Na de grau um predominam a seborréia e os cravos. Na acne de grau dois, há pele oleosa, cravos e espinhas. No grau seguinte, há também cistos, e no quarto grau, eliminação de pus e cicatrizes. Já o quinto grau é raro, mas também mais grave: além das cicatrizes permanentes, há febre, mal estar e dores musculares.

Foto: Thinkstock Photos

"Hoje em dia não tem porque um adolescente ser estigmatizado por esta afecção", diz a dermatologista Mônica Azulay

Por isso, antes de sair comprando cremes e pomadas, é importante procurar um médico. Embora seja comum na adolescência, a acne é sim uma doença e precisa de cuidado e atenção. “O tratamento pode ser feito com antibióticos tópicos ou orais, ou com ácidos. Isso vai depender do grau da acne”, explica a dermatologista Juliana Garavello.

Mas, mesmo que demore para que as espinhas desapareçam, é importante tratar. “Hoje em dia não tem porque um adolescente ser estigmatizado por esta afecção, que pode deixar marcas físicas e emocionais por toda vida, se não tratada adequadamente”, diz Mônica, que avisa que há tratamentos eficazes disponíveis na rede particular e pública.

O que fazer em casa

Enquanto a consulta com o dermatologista não chega, você pode tomar algumas providências caseiras. A primeira delas é lavar o rosto, o que é um tanto óbvio, mas vale frisar. E, depois, fazer isso com produtos adequados. As farmácias e lojas de cosméticos têm sabonetes, esfoliantes, tônicos e hidratantes de preços variados para pele oleosa e acneica. Inclusive, nem todos têm cheirinho, para não inibir os meninos.

Tratamento médico

Para casos graves de acne, um tratamento efetivo é a isotretinoína oral, um medicamento usado há trinta anos e que, de acordo com Juliana, “age nos fatores que causam a acne, como a produção de sebo, a proliferação de bactérias e a queratinização folicular”. Mas a dermatologista alerta: “a isotretinoína não serve para tratar as marcas das espinhas”.

Não é um tratamento barato, pois segundo a médica, os custos podem chegar a R$ 250 por mês, e ele dura de seis a oito meses. Mas além de ser indicada para casos de grau três ou quatro, a isotretinoína pode ser recomendada pelo médico dermatologista a quem não responde aos tratamentos convencionais e tem tendência à formação de cicatrizes. No entanto, nem todo mundo fica completamente livre das espinhas. “É raro, mas há casos de pacientes que melhoram mas não ficam cem por cento”, explica Juliana.

Uma das desvantagens da medicação é que, como efeito colateral, há o ressecamento dos lábios e mucosas e alteração no colesterol e triglicérides. “Também há quem tenha dor de cabeça e queda de cabelo. E se a pessoa engravidar durante o tratamento, a medicação pode causar má formação no feto”, afirma a dermatologista.

Há quem diga também que o remédio pode causar depressão, mas Mônica, que acompanha de perto os estudos sobre o tratamento, afirma que isso não está provado. “A metodologia utilizada nesses estudos [que chegaram à conclusão sobre a depressão] foi totalmente questionada”, explica. “Muito pelo contrário, o que se observa é a melhora nos casos de depressão e da auto-estima”, diz a dermatologista.

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