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26/09 - 08:46hs

Prova de amor
Quando se esta apaixonado, muitos jovens tatuam o nome ou as iniciais de seus parceiros para demostrar sentimento... Mas e se o namoro acabar? O que fazer com a marca?

Bruno B. Soraggi

“'Eterno' em amor tem o mesmo sentido que 'permanente' no cabelo”, twittou, certa vez, o cartunista e humorista carioca Millôr Fernandes. Correta ou não, é cada vez maior o número de relacionamentos para os quais essa comparação serviria de epitáfio. Mas, ainda que frases céticas sobre o amor, paixão e as ‘relações únicas, diferente das outras’ (que todas as pessoas do mundo afirmam ter com seus namorados sem que ainda as saibam explicar) não sejam novidade, elas não diminuem o valor da inexplicável sensação de se estar apaixonado. Amar, de fato, parece um sentimento infinito no entender dos corações envolvidos.

O que muitas vezes acontece é de os enamorados resolverem provar suas paixões com atitudes que, aí sim, são eternas. Não é o caso de faixas penduradas entre postes situados à frente da casa da amada ou de serviços de mensagem de amor saídas de um megafone desafinado acoplado a uma van que, em horas vagas, deve vender pamonha – mas que, bem naquele dia, na saída do colégio, bradava seu nome em alto e bom som, em uma surpresa preparada pelo namorado. Não. Micos assim acabam por cair no esquecimento. Já outros...

Carlos G. tinha 16 anos quando tatuou, escondido de sua mãe, a inicial do nome de sua então namorada na parte interna do braço em um pequeno estúdio de um amigo próximo ao seu colégio.
Sua relação havia completado um ano naquela semana. “Foi um presente que eu resolvi dar pra ela. Fiz de surpresa”, lembra o rapaz. “Quando eu mostrei, ainda com a pomada e o plástico, ela [a namorada] tomou um susto. Perguntava se eu era louco, por que eu tinha feito aquilo... Só que, depois, quando comecei a poder andar sem proteção no desenho, ela foi começando a gostar. Até ficava orgulhosa de mostrar para as amigas que eu carregava uma marca dela”, conta. A relação, no entanto, chegou ao fim pouco tempo depois por vontade da parceira. “Ela falava que queria dar um tempo e tal, mas eu tenho certeza que ela se enjoou de mim”.

Já a relação da universitária Andréia Batista, 19, e seu parceiro durou mais tempo: exatos três anos. “Eu decidi tatuar o nome dele depois que completei 18 anos, porque sabia que ele era o homem da minha vida”, confessa. Um ano depois de marcar seu corpo em homenagem à paixão eterna, seu príncipe encantado resolveu deixá-la por querer aproveitar a juventude. “Ele chegou para mim um dia e disse que queria terminar comigo, pois já estávamos juntos por muito tempo e que isso ia fazer com que a gente perdesse a época legal da vida e tal...”.

Qual a semelhança entre Carlos e Andréia? Ambos estão arrependidos de terem marcado suas peles com referências às relações que se passaram. “Não acredito até hoje que fiz uma tatuagem por ele”, desabafa Márcia Leite, 19. “Eu me senti um imbecil, claro, depois que terminou. Agora eu fico olhando essa letra aqui no meu corpo e lembrando de coisas que já deveria ter esquecido para o meu próprio bem”, confessa Carlos.

Casos comuns
Casos de tatuagens apaixonadas são comuns, segundo o tatuador Átila Soares, do estúdio paulistano Led’s Tattoo, ainda que não seja possível haver uma medição no número de clientes que optam por tal homenagem. “Às vezes, a pessoa tem vergonha de falar que é para o namorado, porque poucos aprovariam essa decisão”. Apesar de já ter tido experiências de pessoa que retornavam à loja pouco tempo depois de ter tatuado algo em homenagem ao amado buscando a remoção, ele diz que jamais interfere na escolha do apaixonado. “O pessoal já vem decidido, então se você der uma opinião você acaba ofendendo o cliente, porque parece que já está torcendo contra o relacionamento”, diz. “Eu não aconselho [tatuar o nome do companheiro]. Às vezes isso até influencia no término do namoro”, afirma.

Remoção
Mas se tatuar o corpo já dói, há quem diga que ao remover o desenho o sofrimento é ainda maior. Pelo menos é o que diz Márcia que, após o fim de seu namoro de quatro anos, resolveu por apagar a letra ‘B’ que servia de lembrança do ex-namorado. “Eu fiz o processo a laser e vou te falar: dói, viu? Dói na carne e também no coração, porque você lembra que está apagando da sua vida algo que foi tão bom e achou que fosse durar. E porque você também começa a se culpar de ter sido tão imatura”.

“O processo a laser é o mais seguro”, explica Ricardo Alonso, especialista em remoção de tatuagens pelo mesmo estúdio em que Átila trabalha. “Existem outros meios como o de remover a área da pele na qual a tatuagem foi feita e depois fazer um enxerto, deixando cicatriz, e também um no qual se usa uma máquina que funciona como uma espécie de lixa que vai lixando a pele da pessoa até chegar às camadas inferiores da pele”, ensina.

Impressionado? Calma, você ainda nem ouviu sobre o custos dessa operação. “Os preços dependem do tamanho e da cor. Tatuagens em preto são mais fáceis de remover do que as feitas com cores claras. O valor mínimo de cada sessão costuma ser de R$100 e, o máximo, de R$ 500”, esclarece.

E então, declarar seu amor à flor da pele ainda vale o custo – financeiro e sentimental - ou comprar diamantes já está de bom tamanho? Comente!

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