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23/07 - 17:30hs

Família do século XXI
Ele é meio-irmão, mas o amor é completo?

Redação iG Jovem

Casais divorciados, quarenta anos atrás, eram vistos com maus olhos. Afinal, onde já se viu dar fim ao amor selado na casa de Deus? Marido e mulher eram obrigados a engolir a infelicidade e a viver em uma guerra silenciosa até que, pelo menos, seus filhos estivessem criados e prontos para encarar o mundo. Por outro lado, hoje é cada vez mais comum ter pais separados e ser fruto do segundo, do terceiro ou do quarto casamento. Cada um segue caminhos diferentes, forma uma nova família e providencia novos membros para completá-la.

Entretanto, a mãe de Lorena Ferreira, 15, decidiu pelo “até que a morte os separe” depois que soube que seu marido havia tido um filho fora do matrimônio. Ela tem dois irmãos e um meio-irmão, de 8 anos, que mora com toda a família. “Somos do Ceará e a mãe dele mora em Recife. Ele preferiu morar com a gente e não existe diferença. Como estou acostumada com a convivência, não tenho ciúme nenhum”.

Emilio Franco Jr., 21, é o filho único do segundo casamento de seus pais e tudo o que ele tem é meio-irmão: do lado materno, são três irmãs e, do paterno, dois irmãos. Na família, não existe ciúme e ser o caçula pode ser bem divertido. “Todo mundo me protege e eu sempre tive mais liberdade. Eu posso sair à noite, nunca precisei ter horário para voltar, enquanto minhas irmãs tinham hora exata. Sempre pude fazer o que quisesse, contanto que dissesse o que estava fazendo”, conta. 

Naturalmente, os pais dão muito mais atenção para ele e para a única irmã que ainda mora em casa, já que alguns residem em Florianópolis (SC) e outros já são casados, têm filhos e formaram sua própria família. “Mas, quando as minhas irmãs moravam aqui, todos eram tratados igualmente; nesse sentido, ninguém tinha privilégio”, explica.

No caso de Monique Viana, 15, a história é um pouco diferente. Sua mãe tinha apenas 18 anos quando descobriu que estava grávida. Seu pai, também muito novo, não soube lidar com essa notícia. A garota de Juazeiro do Norte (CE) nunca teve uma figura paterna presente e a sua ligação com este lado da família se deve, principalmente, à avó e à tia. “Meu pai já tinha outra mulher na época, com quem ele é casado até hoje. Minha avó me deu tudo o que uma família completa poderia oferecer. Adoro passar as férias no sítio onde ela mora”.

Sua mãe, casada há quatro anos, teve um menino, e seu pai tem mais duas filhas. Desde criança, Monique nunca teve muito contato com ele e, as poucas vezes em que estavam por perto, não fazia questão de vê-la, nem de lhe dirigir uma palavra sequer. Ela não tem um pingo de ciúme do filho de sua mãe, mas das do pai... “Não consigo disfarçar, dá vontade de sumir! Todo pai ama os filhos e eu sou a exceção; mas, isso me dá força para eu estudar muito e ser alguém no futuro. Vou poder mostrar a ele que eu consegui vencer na vida, mesmo ele não me enxergando”, lamenta.

Apesar de Emilio nunca ter tido a oportunidade de morar junto com seus irmãos, os pais sempre incentivaram o contato. “Eu gostaria de estar mais próximo, mas não sinto que são menos irmãos do que as que eu vejo quase diariamente”. Monique, por sua vez, confessa que, no começo, não conseguia nem olhar na cara das irmãs, afinal, “eram filhas da outra”. Mas, com o tempo, foi madura o suficiente para perceber que elas não tinham culpa. “O amor que sinto por elas é maior do que qualquer coisa”, conta. “Minha irmã disse que, se fosse para me ver sorrindo, gostaria que o nosso pai deixasse a mãe dela para se casar com a minha, porque só assim eu seria feliz algum dia”, diz.

Você tem algum meio-irmão? O amor é igual? Conte sua história!

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