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19/06 - 08:42hs
Videogame também é coisa séria!
Além de garantir muita diversão, Nintendo Wii passa a ser um importante aliado em tratamentos médicos
Larissa Drumond e Emilio Franco Jr.
Atento ao desenvolvimento de meios alternativos para auxiliar na recuperação de pacientes, o fisioterapeuta e professor da Universidade Cidade de São Paulo (UniCID) Fábio Navarro Cyrillo trouxe o tratamento por meio da realidade virtual para o Brasil após estágio em um dos centros de reabilitação da Universidade McGill, em Montreal, em junho e julho de 2008.
O terapeuta ocupacional Robbie Windget, ao jogar videogame na casa de amigos, percebeu que essa ferramenta de entretenimento poderia fazer muito mais e ajudar seus pacientes a recuperar equilíbrio, coordenação, resistência e força muscular. Assim, surgiu a ideia de realizar, em um hospital canadense, tratamentos com o Wii.
“Por ser um recurso novo no Brasil, ainda não há pesquisas que apontem o resultado no país”, conta o fisioterapeuta Fábio Navarro Cyrillo. Mas, um estudo realizado no Canadá com 20 pacientes, vítimas de acidente vascular encefálico, mostrou o seguinte resultado: dez pacientes que fizeram tratamento convencional e mais 20 sessões de terapia virtual obtiveram mais benefícios quando comparados a outro grupo de dez pessoas que realizou apenas a fisioterapia tradicional.
Camila Gonçalves, 18 anos, sofre de distrofia muscular - doença que causa fraqueza progressiva e degeneração dos músculos usados durante o movimento voluntário - e já sentiu benefícios no tratamento, que precisará fazer a vida toda. A sessão semanal com o Wii destina 20 minutos, aliados a 40 minutos de tratamento convencional, ao videogame, que virou a sua motivação. “Quando estou jogando, me distraio e, sem perceber, consigo dobrar o joelho direito. Normalmente tenho dificuldade em fazer esse movimento”, revela.
"A utilização da realidade virtual é apenas o início da reestruturação dos processos envolvidos na reabilitação", conta o fisioterapeuta. Ele ainda acrescenta que o videogame deve ser utilizado juntamente com o tratamento comum. "É importante salientar que jamais será possível substituir o papel dos profissionais envolvidos no processo", afirma.
Final Score
O Wii é um videogame diferente dos outros por possuir um sistema de controle que obriga os jogadores a interagir. As ações do personagem na tela acontecem de acordo com a ação do jogador no mundo real, fazendo com que ele pratique exercícios físicos em frente à televisão.
O especialista em tecnologia Luís Henrique Amaral, gerente de contas da Latamel – representante da Nintendo no Brasil –, acredita que jogos como o Wii Fit foram desenvolvidos com a intenção de mudar os hábitos dos jogadores. “O fato de auxiliar no controle do peso, e proporcionar a oportunidade de aumentar e melhorar a coordenação motora, já mostra que não é apenas um entretenimento sem outros fins”, argumenta. Ele ainda ressalta que a proposta do console é fazer com que o público jogue de uma maneira diferente e mais interativa. O motivo seria atrair pessoas que não têm o hábito de usar os videogames e que até hoje não viam a menor graça em jogos virtuais.
Rodrigo Paulicchi, 24 anos, professor de Modelagem 3D da Escola Melies de Cinema, 3D e Animação, acredita que o futuro dos jogos não envolve controles na mão, mas experiências cada vez mais reais. “Não existe um limite, há muito que descobrir e desenvolver. A tendência é lançarem games para a medicina, porque é um campo ainda inexplorado e que pode ser muito rentável para as produtoras”.
A princípio, a ideia é utilizar o Nintendo Wii como um complemento para o tratamento de doenças, como acidente vascular encefálico, paralisias e lesões musculoesqueléticas. Não existe custo adicional para a utilização do tratamento com o console. Os pacientes atendidos na Clínica de Fisioterapia da UniCID pagam uma taxa mensal fixa de R$35. Para mais informações pelo telefone (11) 2178.1240.
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