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04/04 - 08:45hs

Amor pela aventura
Eles são jovens e apaixonados por esportes radicais!

Larissa Drumond

Água, céu ou terra. Não importa onde o esporte é praticado, o que eles querem é sentir a adrenalina no sangue, aproveitar ao máximo o que a natureza tem a oferecer, enfrentar novos desafios e, claro, se divertir muito! Se o medo bater, ele logo vira incentivo e o friozinho na barriga deixa tudo ainda mais prazeroso.

Pedro Calejo, 22 anos, pode ser considerado a própria encarnação dos esportes radicais. No seu currículo, constam surfe, skate, rapel, snowboard, wakeboard e sua paixão incondicional: kitesurf. Para quem não sabe do que se trata, ele mesmo explica. “O kite só funciona com o vento, que traciona. Eu preciso prestar atenção em seu quadrante – norte, sul, leste ou oeste – e andar em relação a ele. O vento tem rajadas, nunca é 100% liso e, então, trabalho com o kite [pipa] para cima e para baixo, ganhando velocidade”.

Não é uma atividade lá muito comum; mas, por incrível que pareça, o interesse surgiu quando o atleta viu algumas pessoas com pranchas e pipas coloridas na praia. “É difícil achar material aqui no Brasil, por isso, costumo frequentar fóruns na internet e comprar revistas americanas”. O equipamento foi adquirido numa feira náutica e o próprio vendedor indicou qual seria o melhor, apesar de ele já ter alguma noção por causa dos outros esportes. “Pratico surfe desde os 12 anos por influência do meu pai. Tive as primeiras aulas de kite com um instrutor e, depois, passei a ir à praia com meus amigos; os outros surgiram nos momentos em que não tinha o que fazer quando o mar estava calmo. Já o snowboard aprendi recentemente, quando fiquei uma temporada nos Estados Unidos para fazer intercâmbio de inverno”, conta.

Isabela Sousa, 19 anos, também começou a se exercitar desde pequena, quando sua cunhada lhe deu de presente uma prancha bodyboard. Ela mal sabia o bem que estava fazendo! Isabela é nada menos do que bicampeã latino-americana de 2006 e 2008, Top 3 do Circuito Mundial, medalha de bronze na Espanha e (ufa!) vencedora da etapa brasileira no Rio das Ostras (RJ), no ano passado. Depois de todos esses títulos, ela conta com a maior simplicidade como deu início ao currículo recheado de vitórias. “Aos 11 anos, eu morava na Praia do Icaraí (CE) e, desde pequena, sempre adorei água. Não me lembro muito bem, mas sei que aporrinhava minha mãe por uma prancha de isopor, daquelas que são vendidas em supermercado”.

Várias ondas se passaram em sua carreira – inclusive algumas, no Havaí, que atingiram até 4m –, mas a surfista não consegue esquecer a primeira, uma das mais importantes e a que deu o impulso para que sua vida fosse invadida por uma maré de conquistas. “Eu ficava só na beirinha do mar e, certo dia, meu irmão, que também surfa, falou: ‘Vem, Isabela! Hoje você vai entrar comigo’. Eu senti um frio na barriga que lembro até hoje, foi incrível”, divide. Agora, seu maior incentivador tem a grande responsabilidade e o orgulho de cuidar de sua vida profissional.

Aliás, incentivo da família também não faltou para Cássio Mendes, 21 anos, que realizou o sonho de pular de paraquedas. “Meu tio e meu irmão falaram que iriam aprender a saltar. Eu não tinha o dinheiro, mas estava fixo na minha cabeça que um dia eu também faria, só não sabia quando. No dia do curso, eles falaram que pagariam para mim e não tive como recusar”.

O estudante de medicina ficou receoso por não conhecer o esporte e, lógico, pelo medo natural que dá, mas viu que era uma situação de ‘agora ou nunca’. Juntou força e coragem, uma boa pitada de ânimo e se jogou – não do avião, a parte teórica obrigatória vem antes. “Toda a teoria foi no sábado e o salto, no dia seguinte. Durante o curso, ainda não tinha caído a ficha. Só percebi o que estava fazendo quando estava em direção à área de salto. Aí sim, começou o nervosismo”, confessa.

Cássio gosta de esportes radicais desde que fazia trilhas de bicicleta, aos 14 anos, além de enduro a pé, mas nada se compara à intensidade da emoção de cair em queda livre a uma velocidade de 220 Km/h sem nenhum motor ou equipamento de aceleração. “É um esporte muito seguro, mas a maioria das pessoas não conhece a tecnologia por trás dos equipamentos. Éramos apenas eu, o céu, o sol e uma adrenalina inexplicável. Parece um mundo completamente diferente, onde nada mais importa”.

Você já praticou algum esporte radical? Teria coragem? Comente!

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