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24/03 - 16:19hs

Jovens empreendedores
Coragem é o tempero essencial para se tornar um empreendedor

Bruno B. Soraggi

Nunca é fácil decidir o que será feito com o dinheiro ganho. Muito menos quando se é jovem. As três principais opções são: gastar, poupar ou investir. A primeira escolha – a mais prazerosa, é verdade – vem sempre acompanhada da velha máxima: ‘como o dinheiro voa!’. Decidindo pela segunda – a mais chata, por que não dizer? –, o acompanhamento é: ‘quero economizar mais’. Para quem decide pela terceira alternativa, a tal voz não vem de dentro da própria cabeça, mas da boca de terceiros (quartos, quintos...): ‘por que você não compra um carro?’, ‘mas você pretende arriscar assim com essa crise?’ ou ‘são tempos difíceis’.

A cultura empreendedora parece não fazer parte da mentalidade da juventude brasileira. Pois só parece. Para desmentir essa ideia, um estudo realizado pelo consórcio Global Entrepreneurship Monitor (GEM) e divulgado este mês indica que do total de empreendedores brasileiros, 25% tem entre 18 e 24 anos, o que coloca o jovem brasileiro como o terceiro mais empreendedor do planeta, atrás apenas do Irã (29%) e da Jamaica (28%). Destes, vale ressaltar que 68% o fazem por oportunidade – contra 32% que investem por necessidade. Do total de jovens, 15% empreendem, o que equivale a 3,82 milhões de pessoas.

De acordo com o gerente nacional de Atendimento Individual do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), esse alto índice mostra que a juventude está “identificando melhor nichos de atuação e refletindo mais como empreender”. É exatamente dessa maneira, aliás, que Diego Daibs, 24 anos, trabalha. “Eu vejo uma oportunidade, analiso para ver o potencial, desenvolvo um estudo completo e, então, vou atrás de investidores”, esclarece. Atualmente, o rapaz se encontra envolvido em um projeto de plantio de madeira sustentável com o qual espera lucrar 20%. “Tenho dois empresários interessados em investir quando estiver pronto”, diz.

As oportunidades, no entanto, não caíram em seu colo de repente. Inspirado pelo avô e pelo pai, e há três anos no ramo, Diego não deixa de se atualizar. Para descobrir novos espaços no mercado costuma ler assuntos variados, como política, economia e negócios. “Com isso consigo fazer pesquisas mais detalhadas. Em assuntos específicos, consigo entender melhor como está o mercado para esses investimentos”, explica.

Apesar de atuar em um ambiente diferente, o publicitário Pedro Gerab, 23 anos, também diz renovar-se constantemente. Por estar sempre atrás de novas referências, enxergou uma “boa” oportunidade de negócio ao retornar de uma viagem. Aproveitando-se então de suas economias, o rapaz, que já trabalhava com serviços de design gráfico antes, montou em sua residência um micro estúdio para levar em frente seu plano. “Estou com um projeto de expandir a atuação do estúdio para além da prestação de serviços, com a criação de uma marca própria de produtos. O primeiro deles vai ser um novo modelo de carteiras”.

Ações específicas
Para a responsável técnica pelo estudo, Simara Greco, do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade, a alta taxa somada ao maior amadurecimento dos empreendedores juvenis aponta para a importância de ações específicas para o grupo. “Há um espaço aberto para o desenvolvimento de políticas públicas, pois os jovens que empreendem estão entrando com muita força no mercado”, constata. É aí que se destacam iniciativas como o Programa Jovens Empreendedores, o Desafio Sebrae e Junior Achievement, todas do Sebrae, e o Fórum de Jovens Empreendedores da Associação Comercial de São Paulo, voltadas para desenvolver a mentalidade empreendedora na juventude.

Mas nada como a prática, segundo Pedro, para ensinar o essencial. “A faculdade me deu uma boa base de visão e entendimento de mercado, só faltou uma abordagem mais focada para quem quer seguir o próprio caminho. Mas é uma escolha das faculdades, que querem colocar seus alunos em bons cargos de grandes empresas”, analisa. “Aprendi com a experiência, procurando pessoas na área e conversando sobre a viabilidade ou não dos projetos, entendendo como elas trabalhavam”, complementa Diego.

Riscos
Na opinião de ambos os jovens, no entanto, ter boa visão de mercado, estar sempre atualizado ou ter dinheiro não ajudam quando falta o principal: coragem. “Claro que estou ciente de que é um risco, mas eu estou muito animado com o projeto e acredito no seu potencial de retorno”, explica o designer. “Quero me focar nesse agora para, se der certo, dar passos maiores”, completa.

Já Diego é mais seguro: “tudo é preparado para dar certo, para gerar lucros. Por isso, as análises não são rápidas, o desenvolvimento do projeto também não. Preciso de um preparo para reduzir riscos”, ensina. Para se investir R$ 20 mil, afinal, deve-se ter algum fundamento. “Mas se você não ousar, nunca sairá do comum”, conclui.

*com informações da Agência Sebrae

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