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18/10 - 22:00hs

Alcoolismo na adolescência
Por que os jovens caem nesse vício?

Daniela Barbosa

Acordo Ortográfico

Recentemente pesquisadores britânicos divulgaram um estudo que aponta que jovens que começam a beber antes dos 15 anos têm mais probabilidade de desenvolver o alcoolismo na vida adulta. Isso ocorre porque o cérebro dos adolescentes, em rápido desenvolvimento, fica programado para ligar o álcool ao prazer.

Fizemos uma enquete no canal Jovem e perguntamos o que pode ser considerado alcoolismo. Para 40% dos nossos leitores, alcoólatra é aquela pessoa que bebe todos os dias. Mas será que é isso mesmo que caracteriza um dependente de álcool? O psicólogo Márcio Regis explica que a principal característica de um jovem alcoolista é a dificuldade de decidir sobre o seu hábito de beber compulsivamente. “O alcoólatra bebe de forma abusiva sem saber o momento de parar. Já a pessoa que bebe social sabe o momento de parar de beber”. Ou seja, você pode beber socialmente todos os dias e não ser um alcoólatra, por outro lado pode beber esporadicamente, mas sem controle e ser considerado um dependente.

A estudante de administração Camila*, de 22 anos, conhece esse problema de perto. Seu irmão mais velho, de 25 anos, bebe desde os 14 e não consegue controlar o vício. Ela conta que ele não bebe todos os dias, mas quando bebe perde o domínio sobre seus atos e se torna uma pessoa agressiva. “Meu irmão costuma beber mais aos fins de semana e não são em todos. Mas quando ele bebe, perde o controle sobre si e faz coisas totalmente inaceitáveis. Da última vez que ele bebeu, quebrou alguns móveis da minha mãe e sofreu um acidente de moto”, relata a jovem.

Por que os jovens entram nessa?
Moda, influência dos amigos, fuga dos problemas e até mesmo por influência da família. Muitos são os motivos que podem levar um jovem a desenvolver o gosto e o hábito de beber. Para a psicóloga Vanessa Muller, os jovens procuram por bebidas alcoólicas devido à pressão do grupo de amigos, desentendimento com os pais e mudanças provenientes da própria fase da adolescência.

Camila conta que o irmão começou a beber sob supervisão e apoio dos pais. “Toda vez que tinha festa aqui em casa, meu irmão bebia exageradamente e meus pais achavam aquilo normal. Hoje, eles reconhecem o seu erro e se arrependem muito de ter apresentado a bebida ao meu irmão”.

Já outros jovens costumam desenvolver o vício porque encontram dentro da própria família pessoas alcoólatras, que acabam servindo de exemplo para eles. Márcio explica que o alcoolismo é uma doença biopsicossocial, ou seja, possui fatores genéticos, psicológicos e sociais e as chances do filho desenvolver o alcoolismo tendo um pai alcoolista é maior do que o filho que tem um pai que possui aversão ao álcool. “Isso se deve por questões genéticas ou por comportamento aprendido. Quando não genético, é comportamental, ou seja, o filho desde pequeno viu seu pai chegar bêbado em casa, presenciou brigas com sua mãe, apanhava do pai alcoolizado. Por observação, o jovem acredita que o modelo de homem e de pai é esse, de um homem violento, que bebe em excesso. O filho não possui outra referência de homem e acaba se espelhando nesse tipo de comportamento inadequado e patológico”.

Os prejuízos
São incontáveis os problemas que o álcool pode causar ao organismo. Claro que estamos falando aqui quando consumido em grandes doses, pois em pequenas quantidades ele não traz nenhum prejuízo à saúde. “A bebida não só causa danos psíquicos como também familiares, sociais, no trabalho, além de problemas físicos, causando até a morte. Entre as perdas psicológicas podemos destacar a depressão, baixa tolerância à frustração, amnésia, mudança de humor, sintomas de falta da droga, negação, depressão crônica, ansiedade, fobias, atenção e percepção, falta ou excesso de sono, baixa auto-estima”, conta Márcio.

Como tratar?
O primeiro passo para o tratamento é a aceitação do vício, ou seja, a pessoa alcoolista precisa reconhecer sua dependência. “Muitas vezes o adolescente não percebe o quanto está dependente da bebida. Sendo assim, é preciso ajudar o jovem a reconhecer que tem um problema e que é necessário se tratar abstendo-se do álcool. Procurar ajuda especializada, e se envolver no problema, pois assim como o uso de drogas, o álcool também afeta e adoece a família como um todo”, esclarece a psicóloga Vanessa Muller.

Por se tratar de uma doença incurável, a terapia é extremamente favorável e necessária para aqueles que precisam de ajuda para combater o vício. Em alguns casos, o tratamento psiquiátrico com uso de medicações também é necessário. Além disso, as reuniões nos grupos A.A (Alcoólicos Anônimos) também são de suma importância.

Recado
Beber socialmente não é errado. Mas é necessário saber o momento certo de parar e isso é fácil, pois o corpo emite alguns sinais. Agora, se você bebe, mesmo que só de vez em quando, mas não consegue ter controle e só para quando não aguenta mais, CUIDADO! Procure ajuda, converse com seus pais, amigos ou até mesmo procure o grupo do A.A de sua cidade. E o mais importante, quando beber em hipótese alguma dirija!

Você conhece alguém com esse problema? O que acha disso? Comente!

*O nome foi trocado a pedido da entrevistada.

Márcio Roberto Regis é Psicólogo Especialista em Clínica Comportamental formado pela Universidade Tuiuti do Paraná.

Vanessa Muller é Psicóloga Clínica, com atuação em Psicodinâmica, especialização em Psicoterapia de adulto e adolescente.

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