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15/06 - 14:11hs

Restart: "Não sabemos se vamos usar colorido pra sempre"
Pe Lanza e Thomas revelam paixão pelo futebol, abrem o jogo sobre dinheiro, fama e as brigas na estrada

Luisa Girão, iG Rio de Janeiro

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Pode-se amar ou odiar, mas uma coisa é certa: você já ouviu falar da banda Restart. Eles estão nas rádios, em diversos produtos, nos “trending topics” do Twitter, no grito das fãs histéricas e até no gramado. Como assim? Pela primeira vez os meninos paulistas estão participando do campeonato RockGol, da MTV, que será exibido a partir de 25 junho na emissora. “Confesso que há quase três meses estamos treinando para não darmos vexame, mas não estamos conseguindo”, afirma Pe Lanza.

Investindo fortemente na marca Restart – com um CD gravado, já foram lançados biografia, DVD e um filme está em produção -, os garotos insistem em afirmar que estão com o pé no chão. “Ainda há muito caminho para o sucesso”, diz Thomas, baterista. Pe Lanza completa: “Nossos pais trabalham até hoje. Todo mundo continua seguindo a vida normal. Não estamos ricos”, afirma ele, que prefere não revelar a marca do carro adquirido, recentemente, por medo de sequestro.

Apesar da simpatia, o clima muda quando o assunto é falar sobre a vida pessoal. Ao ser perguntado por que a namorada, a atriz Giovanna Lancellotti, não o estava acompanhando no evento, Pe Lanza foi seco: “Ela está trabalhando”. Já sobre um suposto anel de compromisso entre os dois, o vocalista nem se dá ao trabalho de responder. Vira as costas e sai andando. Resta ao baterista Thomas, suavizar a situação: “Eu tenho um compromisso com todas as minhas fãs, lindas”, brinca.

Independente dos assuntos particulares, uma coisa é certa: os meninos aproveitam a boa fase para realizar sonhos e pensar no futuro. A banda, segundo os próprios, continuará firme e forte por muito tempo. Já não se pode dizer o mesmo das suas famosas calças coloridas. “A gente não é obrigado a nada. Vamos fazendo o que sentimos vontade”, afirma Thomas. Pe Lanza concorda: “Não sei se amanhã vamos querer tirar foto com todas as roupas pretas. Estamos deixando rolar.”

Confira abaixo o bate-papo com o Pe Lanza e o Thomas do Restart:

iG: Vocês jogam futebol?
Pe Lanza:
A gente sempre gostou de jogar bola. Mas brincávamos no colégio. Inclusive, a gente se conheceu em uma pelada, né? Falei: ‘Ah, meu. Olha aquele moleque jogando bola ali. Loirinho, olha só’. Eu tinha topetinho e era gordinho.
Thomas: Eu usava uma faixa tipo boleiro (risos).
Pe Lanza: Eu também tinha o cabelo comprido e já usei essas faixas. (risos) Então, hoje em dia, nós jogamos bola toda quarta-feira. Nós juntamos um grupo de amigos... O pessoal do NX Zero e Strike às vezes joga também. Sempre quando temos um dia livre na semana, nos juntamos para dar uma suada e fazer um exercício físico. Faz bem para gente e para a nossa saúde. Mas, confesso que há quase três meses estamos treinando para o RockGol para não darmos vexame na frente de todo mundo, mas não estamos conseguindo.
Thomas: É isso que ia falar. Não que a gente esteja jogando bem, mas alguma coisa a gente tentou.
Pe Lanza: Ah! Vexame a gente não está dando, né? Um passe, pelo menos, a gente já deu.
Thomas: Iniciativa para treinar, nós tivemos. Mas não adiantou muito...
Pe Lanza: Não. Estamos bem, mas quero pedir para nossas fãs não se orgulharem da gente pela parte do futebol. Vamos ouvir música, pois cada vez mais, vamos lançar coisas legais.

iG: Torcem para que time?
Pe Lanza:
Precisa perguntar? (O cantor beija o escudo da camisa que está vestindo). O Thomaz é corinthiano também, mas não quer falar. Está com vergonha. Brincadeira...
Thomas: Quando eu era mais novo, era são-paulino roxo. Quando ele perdia, ficava mal e chorava. Ia, escondido da minha mãe, em todos os jogos com o meu primo. Eu mentia para ela. (O baterista olha para a câmera e fala: ‘pessoal, não façam isso’). Falava que ia jogar bola no Ibirapuera com o meu primo e ia para o estádio. Lembro que era tão pequeno, que passava por debaixo da catraca. 
Pe Lanza: Não passem por debaixo da catraca também. Pelo amor de Deus. Senão a polícia vai atrás de vocês.
Thomas: Não sou um exemplo legal, mas enfim. Já fui a mais de 200 jogos do São Paulo.
Pe Lanza: Mas vale tudo por futebol, né? É amor...
Thomas: (Olha de novo para a câmera de vídeo) Se vocês nunca foram a um estádio e não gostam de futebol, vale a pena assistir a um jogo e ver a emoção da galera gritando. É muito diferente do que ver pela TV.

iG: Vocês também gostam de jogar futebol no vídeo-game?
Pe Lanza:
A gente joga muito vídeo-game. A gente adora. Tá vendo esse menino aqui do meu lado? (Fala para a câmera: ‘dá um close nessa carinha...’). Esse rapaz é freguês velho. Inclusive, o nome da banda...
Thomas: Isso. Agora, conta que você perdeu.
Pe Lanza: Mas foi só nesse dia. O nome da banda surgiu de um nome de um vídeo-game. A gente estava jogando “Winning Eleven” e não agüentava mais perder. Aí, falei: ‘ aperta o restart aí, chega de perder’. Claro, que não estava jogando com o Thomaz (risos). Mas estávamos procurando um nome para banda e era um momento de transição. Um recomeço. Aí, tudo se encaixou. É isso que eu falo: eles têm de me agradecer muito por ter perdido naquele dia. Há males que vem para o bem. Em toda derrota, sai um vitorioso.

iG: Vocês já mostraram que adoram ficar pegando no pé, um do outro. E na estrada? Vocês brigam?
Thomas: É como um casamento, né? A gente é amigo há 11 anos e é impossível não haver desentendimentos. Mas não é aquela briga séria. É como irmãos...
Pe Lanza: A gente discute e daqui a uma hora, percebemos que falamos besteira e esquecemos tudo.
Thomas: Eu convivo mais com ele do que com a minha família, sabe? Mas nossas brigas são relacionadas aos shows e músicas. Já estamos acostumados com o jeito um do outro.

iG: Em pouco tempo, vocês conquistaram um grande sucesso. Como fazer para mantê-lo?
Thomas:
Sucesso é uma palavra muito forte porque somos muito novos e estamos com pouco tempo de banda. É legal sair na rua e ser reconhecido. Mas ainda há muito caminho para o sucesso. Tem muito para ser feito e conquistar. Estamos pé no chão...

iG: O que falta ser feito?
Thomas:
A gente está agradando uma galera, mas falta muita estrada e tempo para considerarmos que temos sucesso. Banda de sucesso é o Skank. Olha o Samuel Rosa, aí!

iG: A maioria dos fãs de Restart é um público jovem. Vocês já pensam em como vai ser quando eles crescerem? Pensam em abandonar o estilo ‘happy rock’ e as calças coloridas?
Thomas:
Acho que é natural. A gente cresceu com os nossos ídolos. Por exemplo, quando eu escutava NXZero e outras bandas... Fui acompanhando a evolução deles. Acho que vai ser a mesma coisa com a gente. Se nós vamos usar calça colorida para sempre, não sei. Pode ser que daqui a um ano, um mês ou um dia a gente mude. Não somos obrigados a fazer nada. Fazemos o que sentimos vontade.
Pe Lanza: Não sei se amanhã vamos querer tirar foto com todas as roupas pretas. Estamos deixando rolar. Acabamos de lançar uma música “porrada”: “Meu Mundo” e temos outras tantas. O refrão é grudento, mas é a nossa cara. Conforme mostrarmos para a galera a nossa evolução, vamos consagrar a marca Restart. Queremos evoluir com a nossa galera.

iG: Muitos músicos, após fazer sucesso com as suas bandas, lançam carreiras solo. Vocês pensam nisso?
Thomas:
Não somos ninguém sozinho. Gostamos da banda...
Pe Lanza: A gente se juntou porque temos uma enorme química tocando juntos. As pessoas gostam é de falar.

iG: O vocalista do Strike falou em entrevista, ao iG Jovem, que “não vê revolução musical” no happy rock e no Restart. O que eles acham sobre isso?
Pe Lanza:
Eu também não vi nenhuma revolução musical no pop punk, que é o estilo musical que o Strike faz e que monte de gente fez há dez anos. Cada banda tem o seu estilo e vai acrescentando elementos novos ao som. Como ele vai mudar o pop punk?
Thomas: Como vamos mudar o rock?
Pe Lanza: Não tem como mudar o rock. O happy rock é um nome que inventamos para nos definir. Não temos pretensão em fazer uma revolução musical e acho que falar isso é besteira porque quanto mais um artista toca e faz show, mais evolui. Nós somos nós mesmos e fazemos o que gostamos. Cada um é cada um. Eu só não tenho preconceitos.

iG: Estão preparando alguma novidade?
Pe Lanza:
Mês que vem sai DVD, ao vivo, do projeto Happy Rock Sunday. Estamos indo para a nossa oitava ou nona edição da matinê.
Thomas: Também já recebemos o roteiro do nosso filme. Ainda não começamos a fazer aulas de interpretação por causa da agenda, que está bem puxada. Mas vamos fazer porque vamos começar a gravar em agosto. Acho que vai demorar uns seis a sete meses para filmarmos tudo.

iG: Como vai ser o filme?
Thomas:
Não posso falar sobre o roteiro porque queremos surpresa. É uma ficção, ou seja, não iremos fazer nada parecido com o filme do Justin Bieber – como alguns comentaram. Tem um pouco da nossa biografia. Temos influências do filme “Os Reis do Ié Ié Ié”, dos Beatles, e de vários outros. É uma coisa Disney: que você ri, chora e canta.

iG: Haverá alguma participação especial?
Thomas:
Acho que sim. Queremos que alguns atores participem do projeto, mas não posso falar nada. Não sei se eles vão fechar. Tem toda uma burocracia...

iG: Cada vez mais, vocês estão investindo na marca Restart...
Thomas:
A gente fez isso, também, por uma necessidade dos nossos fãs. Por exemplo, nós fazíamos 30 camisetas para serem vendidas durante os nossos shows. Todas eram vendidas. Então fizemos 90. A mesma coisa aconteceu. Aí, fomos conforme a música (risos). Sempre tentamos lançar produtos novos a cada mês. Tem estojo, chaveiro etc.

LEIA: Uma empresa chamada RESTART

iG: É verdade que vocês compraram o Mc Donald’s da Rebouças, em São Paulo?
Thomas:
Seria bom, mas não. É uma boa ideia. É uma empresa bacana, mas uma franquia do Mc Donalds deve custar quanto? Um milhão? Ainda não estamos ganhando isso (risos).

iG: O que vocês fazem com o dinheiro que ganham?
Thomas:
As nossas famílias nos auxiliam. A minha mãe, por exemplo, trabalhou com administração e me ajuda muito. Mas o dinheiro é meu, né? Ela me dá uns toques: ‘filho, presta atenção nisso’ ou ‘não vale a pena gastar naquilo’.

iG: Vocês ainda ganham mesada?
Thomas:
Nunca ganhei mesada. Sempre trabalhei para ajudar os meus pais. Acho que nenhum de nós já teve “paitrocínio”, na verdade.
Pe Lanza: Claro, eles ajudavam com um dinheirinho para o estúdio, ingressos e tal. Mas nunca fomos bancados. Inclusive, hoje, temos a honra de dizer que a gente consegue ajudar a nossa família financeiramente.
Thomas: Eu tirei minha mãe da onde morávamos e fomos para um lugar melhor. Minha casa era perto da favela, no Butantã. O clima era meio pesado e a galera começou a olhar diferente, meio que ‘ih! Eles estão ganhando dinheiro’. Também conseguimos pagar aquelas contas mal resolvidas.
Pe Lanza: Sempre que a gente pode ajudar, a gente tenta. Pô, nossos pais trabalham até hoje. Todo mundo continua seguindo a vida normal. Não estamos ricos. A nossa diferença, de hoje e de dez anos atrás, é que agora ganhamos renda com a nossa banda. O que não acontecia na época.
Thomas: Não fizemos a banda para ganhar dinheiro. Queríamos nos divertir...

iG: Já conseguiram realizar algum sonho de consumo?
Thomas:
Já! Eu comprei o meu carro e ele o dele...

iG: Vocês podem dizer qual?
Pe Lanza:
Não pode, pelo amor de Deus. Se não eles vão querer me seqüestrar (risos). Teve uma revista que colocou. Eu tinha acabado de comprá-lo e fui ligar para minha mãe para contar, mas não me liguei que o repórter tava do lado. Mas também achei que ele não iria se ligar porque não estava gravando. Bem, no primeiro parágrafo tinha o carro, a marca e o ano. Só faltava o valor...

iG: Mas vocês já sofreram alguma ameaça de seqüestro?
Thomas:
Não, graças a Deus.
Pe Lanza: Deus está com a gente. Quem vai estar contra. Mas a gente nem liga muito para carro e essas coisas. Estamos garantindo o nosso futuro para daqui a alguns anos, comprarmos os nossos apartamentos e os nossos sonhos.

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