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11/05 - 08:00hs

Sertanejo universitário arrasta jovens para as festas de peão
Com o sucesso de cantores como Luan Santana, adolescentes tiram a camisa xadrez do armário e vão para o interior de São Paulo curtir os rodeios

Nathália Ilovatte, iG São Paulo


Daiane Cristina, 22, Fernanda Elias, 21, e Malu Cavalari, 18, escutam piadas preconceituosas por curtirem sertanejo, mas nem ligam

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Até meados de 2007, o sertanejo era um estilo musical rejeitado pelos jovens. “Brega” era a definição comum, e até a dupla Sandy & Júnior, que se consagrou cantando “Maria Chiquinha”, já havia deixado as raízes para trás e adotado uma roupagem mais pop. Mas cantores como Victor & Léo e Luan Santana trouxeram cara nova à música sertaneja e se tornaram fenômenos da indústria musical brasileira. Luan, por exemplo, tem 72 milhões e 600 mil visualizações no YouTube, e só no canal oficial.  

O boom do sertanejo universitário movimentou também a festa típica do interior de alguns estados do Brasil, e levou para a balada dos jovens um universo que antes só pertencia às novelas. No primeiro final de semana, a edição de 2011 do Rodeio de Jaguariúna reuniu cerca de cem mil pessoas, e muitas saíram de São Paulo para curtir a festa.

A estudante Fernanda Elias, de 21 anos, já morou em Jaguariúna. Mudou-se para a capital do estado, mas não perdeu o espírito da cidade. Em Jaguariúna, ao menos no período em que a festa acontece, as ruas são tomadas por automóveis utilitários com sistemas de som potentes que ficam estacionados em praças e portas de bares, tocando hits sertanejos em alto e bom som. Chapéus de caubói, botinas e até berrantes são freqüentes. E Fernanda retorna todos os anos para curtir o rodeio. “A gente vem todo ano. Também vamos ao de Americana e de Barretos”, contou, enquanto circulava por entre os bares e barracas com comidas típicas e bebidas.

Público eclético

Fora da época de rodeios, a estudante e as amigas dão preferência para baladas de São Paulo e Campinas que tocam música sertaneja, mas como essas casas noturnas ainda não são muito comuns, topam se jogar em baladas eletrônicas também. As meninas não cresceram ouvindo sertanejo, e gostam de diversos tipos de música. Mas antes do boom de Michel Teló e afins, o favorito era o pagode.  “Continuo ouvindo até hoje”, disse Malu Cavalari, de 18 anos, amiga de Fernanda que mora em Jaguariúna.

Richard Correia, 23, Ivan Pires, 25, Mayara Silva, 19, e Bruno Gomes, 23, moram em Jaguariúna, mas vão ao rodeio só pelos shows

O sucesso do sertanejo universitário atraiu a atenção de quem, antes, nem ligava para esse tipo de música, mas estava aberto para conhecê-la. “Eu escuto de tudo, pop, música latina, Shakira...”, contou o administrador Ivan Pires, de 25 anos, morador de Jaguariúna. A amiga dele, Mayara Antunes, de 19 anos, prefere rock. Mas roqueira que freqüenta rodeio? Isso existe? “Ah, eu escuto de tudo. De todo tipo de música eu gosto”, explicou.

Moda country

Os fãs do estilo ainda sofrem o preconceito de quem continua considerando o sertanejo uma música cafona. “Tem muita gente que não gosta e continua falando que é música brega e de corno. Dá uma raiva!”, queixou-se a modelo Daiane Cristina, de 22 anos.

Mas nem por isso os fãs disfarçam o gosto musical. As roupas usadas pelos peões foram adaptadas à moda jovem e viraram quase que o uniforme dos rodeios.  Camisa xadrez, jeans, botas e chapéu são vistos à exaustão pelos camarotes e pela festa, e os moradores de Jaguariúna chegam a pagar cerca de R$ 90 por uma camisa xadrez feminina com corte simples e de algodão nas lojas da cidade.

Mas nem todo mundo que desfila assim por Jaguariúna adota a tendência durante todo o ano. “A gente não se veste assim sempre, é só por causa do rodeio. No dia-a-dia usamos roupas normais”, diz Monique da Cruz, de 16 anos, moradora de Engenheiro Coelho-SP, que foi ao rodeio acompanhada da mãe e da amiga Monique da Costa, de 13 anos.   

Monique da Cruz, 16, e Monique da Costa, 13, só usam o look country

Shows são atração principal

Embora o sertanejo tenha voltado a conquistar um grande público e a atraí-lo para festas do interior, isso não significa que todos os jovens tenham se encantado pela tradição de montar touros e cavalos indômitos na arena. “É do ambiente que eu gosto”, contou a arquivista Patrícia Silva, de 19 anos, que foi de Sumaré a Jaguariúna para curtir a festa. “O sertanejo é de lei, mas o rodeio, mesmo, eu não curto”, explicou.
 

Mayara também mora em Jaguariúna, vai frequentemente a rodeios, e não curte a “essência” do evento. “Venho pelo som. Já vi rodeio, mas não gosto”, disse. E mesmo quem assistiu a todos os momentos da festa de camarote voltou pra casa mais encantada com o show do que com os peões e os animais. “É o meu primeiro rodeio. Vim por causa do show, porque gosto muito do Luan Santana e de sertanejo universitário”, contou Monique.

Quando questionados sobre o motivo de não participarem do momento do rodeio em que acontece de fato um rodeio, os jovens não criticaram o trabalho dos peões nem discursaram em prol dos direitos dos animais. O motivo para não irem à arena ver os touros e peões é apenas porque torcem o nariz. “A graça é a animação da galera e a bebida, é disso que os adolescentes gostam. 70% é o show e 30% a bagunça. Montaria, nem pensar”, declarou a estudante Malu.

O próximo grande rodeio é a Festa do Peão de Americana, que acontece entre 03 e 13 de junho. Já a de Barretos é realizada de 20 a 30 de agosto.

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Fotos: Alexandre Carvalho / Fotoarena

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