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28/02 - 15:58hs

Emicida confessa: "Fico mais preocupado com a responsabilidade do que feliz"

Jovem rapper escalado para cantar no Coachella e no Rock in Rio fala de expectativas, influências e aversão a voar de avião

Manuela Rahal, especial para o iG

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O Coachella é um dos maiores festivais de música do mundo. Acontece todo ano na cidade de Indio, na Califórnia, com mais de cem shows de bandas alternativas, eletrônicas e de hip hop. O Rock in Rio é outro gigante. Genuinamente brasileiro, teve suas primeiras – e históricas – edições aqui e o sucesso foi tanto que o ele acabou exportado para Portugal e Espanha (e agora, em 2011, volta a sua terra natal). E o que esses dois megafestivais têm em comum? Outra coisa genuinamente brasileira: Emicida, o precursor da nova movimentação no rap nacional.

Na prateleira das novidades do rap, Emicida é destaque: "me aguardem..."

Aos 25 anos, Leandro Roque de Oliveira saiu do bairro de Santana, Zona Norte de São Paulo, para o patamar de destaque na música que o levou a ser escalado para os festivais dos quais falamos acima. Mas aí apareceu um probleminha... Emicida não gosta de avião. Vendo o futuro no mercado musical decolar, ele diz que vai encarar essa porque o que lhe aguarda "é muito bom". Confira.

iG: Como aconteceu o convite para o Coachella? Como você se sente em relação a isso? Rola um friozinho na barriga?
Emicida: O convite pro Coachella rolou graças a uma parceria com a revista Vice e o projeto "The Creators Project", que foi o primeiro grande passo de divulgação lá fora. A repercussão acabou resultando nesta indicação para o Coachella. Fico mais preocupado e reflexivo com a responsabilidade de estar num local como aquele do que feliz com uma conquista. Obviamente estamos felizes, mas é apenas um pequeno passo dentro de um universo inteiro de possibilidades.

iG: Será a sua primeira apresentação fora do Brasil? O que você pretende fazer?
Emicida: Sim, nunca sai do país, será a primeira vez, eu odeio avião – viajo, mas odeio. Penso na quantidade de horas de um vôo internacional e já fico cansado, mas o que nos aguarda é muito bom, então vamos lá buscar. Quero mesclar aquilo que apresentamos no Brasil com alguns elementos de percussão, candomblé, funk carioca, samba, coisas genuínas e nossas, que podem induzir a dança e realizar uma boa ponte para o entendimento extra-linguagem. Tô louco pra cantar "Jovelina Pérola Negra" nos shows, talvez seja o momento (risos).

iG: E sobre o Rock in Rio? Qual é sua expectativa?
Emicida: O maior festival do Brasil e o maior festival do mundo, estou nos dois (risos). Pior foi que os dois ligaram no mesmo dia, na mesma hora, muita coincidência! Mas estou muito ansioso para iniciar a montagem do show com Martinho e Cidade Negra, dois dos artistas que tanto me influenciaram e que hoje eu tenho a honra de subir ao palco junto.

iG: Você é fã do Martinho da Vila?
Emicida: Sou extremamente fã de Martinho, tenho muitos discos de vinil dele, "Canta Canta Minha Gente", "Maravilha de Cenário", muita coisa mesmo, amo a forma como ele canta tranquilamente e amo a produção dos discos, as alusões à Africa, acho ele um dos artistas negros mais importantes da história, espero poder acrescentar em algo ao lado dele.

Veja Emicida cantando em São Miguel (SP):

iG: E o Cidade Negra? Você também vai tocar com eles...
Emicida: Sei todas as músicas do Cidade Negra, amo a forma como eles interpretam o reggae, acho um ótimo aprendizado sempre que ouço, vai ser muito bom misturar nossos shows, fora o fato de eu ser fã, os caras são muito sangue bom, conheci o Tony, o Lazão durante essas idas ao Rio de Janeiro para gravações e ficamos amigos. Sou meio frio com reações, mas estou muito contente de poder tocar com esses monstros da nossa música.

iG: Martinho da Vila afirmou que vocês vão fazer “música negra”. Pode adiantar para nós o que vai rolar nessa parceria?
Emicida: Não. Vou manter a expectativa em torno da coisa e garantir que essa será a essência… E, pra ver mais, só colando na frente do Palco Sunset.

iG: E depois de tanto festival, quais os planos de Emicida?
Emicida: Tenho feito muita coisa, desde novas músicas, até novas parcerias, roteiros de uma história em quadrinhos e possivelmente um filme. Quero estudar piano este ano, piano e voz pra chegar lindo no Rock in Rio, vou gravar um novo EP com cara de Disco junto com um produtor gringo que vai ser pancada, me aguardem...

(Foto no alto: Ênio Cesar/Divulgação)

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