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12/02 - 08:00hs

Prática de bullying pode demonstrar vontade de ser popular

Pesquisa que acompanhou 3.700 alunos dos EUA por um ano aponta que jovens em "ascensão" na turma são quem mais pratica

New York Times

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Adolescentes populares e que tentam ganhar ainda mais popularidade entre os colegas são os mais propensos a cometer atos de bullying, mostra uma nova pesquisa americana. Aparentemente, esses jovens acreditam que aumentarão o próprio status diante dos colegas hostilizando outros adolescentes. As constatações fazem parte de um estudo publicado na edição de fevereiro do American Sociological Review.

Participaram do estudo aproximadamente 3.700 alunos do ensino médio de três diferentes zonas distritais do estado americano da Carolina do Norte. A equipe de pesquisa analisou o comportamento dos participantes em relação aos colegas e a frequência com que eram alvo de agressões físicas e verbais (como ameaças e provocações), rumores ou bullying indireto (como exclusão social). Eles também foram questionados quanto à frequência com que agiam desta forma com colegas.

Os pesquisadores, que acompanharam os alunos durante todo o ano escolar, também pediram aos adolescentes que enumerassem seus cinco amigos preferidos. Em seguida, a equipe usou os dados para determinar quais eram os mais populares de cada escola, aqueles que ocupavam a posição central da rede social.

Os adolescentes que se encontravam no topo da classificação de popularidade, mas não na posição mais alta de todas, mostraram-se os mais propensos a provocar ou agredir os outros alunos.  “O status faz aumentar a agressão”, disse Robert Faris, professor assistente de sociologia da Universidade da Califórnia e principal autor do estudo. “Durante muito tempo, a agressão foi percebida como uma reação desajustada a problemas no lar ou a questões ligadas à saúde mental. Nossa pesquisa, porém, é bastante consistente com a idéia de que a agressão é esse lado vulnerável e repugnante das hierarquias sociais. A agressão é percebida como uma maneira de conseguir o sucesso”.

Na verdade, a prática de bullying teve maior incidência entre os alunos com 98% de popularidade, em seguida caindo entre os adolescentes que lideravam o ranking – talvez por estes últimos não sentirem mais a necessidade de diminuir os outros para melhorar o próprio status.

O índice médio de agressão, ou o número de colegas que eles provocavam ou hostilizavam, para os garotos com 98% de popularidade foi 28% acima do que dos alunos nos níveis mais baixos e 40% maior do que dos alunos no topo do ranking. “A agressão pode ser contraproducente quando você já chegou ao topo. Ela pode indicar insegurança em relação à posição social. Se você está no topo, você pode conseguir muito mais benefícios sendo bonzinho”.

Os garotos ocupando as posições mais baixas do espectro de popularidade também praticaram poucos atos de bullying, possivelmente por eles não terem o poder de sequer tentar cometer tais atos, disse Faris.

Talvez a boa notícia seja que aproximadamente 67% dos adolescentes não se mostraram agressivos em relação aos outros. Dos 33% que se mostraram, eles provocavam, em média, dois colegas. Os pesquisadores constataram que o número máximo de colegas hostilizados por um único aluno foi de nove, enquanto que os garotos-alvo chegaram a ser hostilizados por até 17 colegas.

“A agressão pode estar concentrada em alguns poucos alunos”, disse Faris. Meninos e meninas apresentaram propensão semelhante de cometer atos de bullying. Os jovens que subiam na hierarquia social também aumentavam os atos de agressão.

Então, o que fazer em relação a este problema? Ao invés de concentrar somente nos agressores ou em suas vítimas, os programas deveriam incluir também a maioria silenciosa que não está envolvida, mas cujo apoio tácito pode encorajar a prática de bullying. “Aqueles que ficam só observando determinam o status das pessoas, e eles podem decidir entre recompensar a agressão ou desprezá-la”, disse Faris.

Richard Gallagher, diretor do Instituto de Pais do Centro de Estudo da Criança da Universidade de Nova York, disse que esta pesquisa se encaixa com estudos anteriores que ligaram a popularidade ao bullying. “Outros estudos já indicaram que crianças populares são as mais propensas a se envolver em provocações e, muitas vezes, em atos de bullying. Isso estabelece o status delas diante dos colegas e, muitas vezes, as que ficam observando pensam que aquilo é merecido ou justificado”, disse Gallagher.

O estudo, porém, não avaliou se o status realmente é aumentado com este tipo de abuso. Os autores do estudo escreveram que o mais notável é que os alunos acreditam que isso realmente funcione. Entretanto, eles observaram que as constatações, com base em 19 escolas de cidades pequenas ou da zona rural, podem não se repetir em outras áreas.

Nos Estados Unidos, o bullying leva aproximadamente 160.000 alunos a faltarem às aulas a cada dia, segundo dados do estudo. As crianças que são vítimas constantes destes atos devem ser ensinadas a serem assertivas, mas também a notificar seus pais e autoridades escolares se a prática se tornar fora de controle, dizem os especialistas.

“Os pais precisam admitir que isso venha a acontecer. Eles precisam ensinar os filhos a se defenderem e não se mostrarem frágeis ao serem provocados. Ao mesmo tempo, temos de ficar de olho nos excessos”, disse Gallagher.

Tradução: Claudia Batista Arantes 

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