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29/01 - 08:00hs

"Skins" estreia na MTV americana com boa audiência e muita polêmica

Série adolescente recheada de sexo, drogas e atores menores de idade faz executivos da emissora temerem processos

New York Times

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A MTV americana tem em mãos uma nova série de sucesso, “Skins”, que mostra aventuras cheias de sexo e drogas vividas por adolescentes desajustados. Mas eles também têm algo mais: o medo de que os futuros episódios da série sejam alvos de processos legais. Nesses últimos dias, executivos da emissora ficaram preocupados que algumas cenas de “Skins” acabem violando os estatutos federais de pornografia infantil dos Estados Unidos.

Atores entre 15 e 19 anos: MTV brasileira não tem previsão de passar aqui

A direção da emissora pediu que os produtores do programa fizessem algumas alterações para abrandar o conteúdo mais explícito de alguns episódios. A maior preocupação é em relação ao terceiro episódio da série, que deve ir ao ar na segunda-feira (31). Em uma versão prévia, um ator de 17 anos é mostrado por trás enquanto corre completamente nu pelas ruas. Jesse Carere é quem faz o papel de Chris, estudante do segundo grau cuja ereção – mantida com pílulas para disfunção erétil – desperta gargalhadas ao longo do episódio.

Com a reedição, a intenção é esconder parte do conteúdo sexual do terceiro episódio e também de outros. O planejamento das mudanças indica que o pessoal da MTV, que há décadas vem tentando romper barreiras, pode estar preocupado dessa vez, por ter ido longe demais.

O seriado “Skins” é um risco calculado da MTV. Já faz tempo que o canal vem testando os padrões americanos de sexualidade e obscenidade na televisão com programas como “The Real World” e “Jersey Shore”. O elenco desses programas é praticamente todo formado por adultos, mas no caso de “Skins” é diferente – os produtores propositalmente escalaram atores de 15 a 19 anos de idade, a maioria deles sem nenhuma experiência na profissão.

Anúncios da série mostram grupos de adolescentes com poucas roupas

Jeannie Kedas, porta-voz da MTV, é incisiva ao afirmar que os próximos episódios da série ainda não estão prontos. Ela não confirmou a preocupação dos executivos da emissora de serem enquadrados por pornografia infantil. “O programa discute de maneira franca temas do mundo real dos adolescentes. Nós revisamos todos os nossos programas, com todos os nossos produtores, para garantir que os mesmos estejam em conformidade com as leis e com os padrões da comunidade. Estamos confiantes de que os episódios de ‘Skins’ não somente estarão em conformidade com todos os requisitos legais aplicáveis, mas também com nossa responsabilidade para com nossos espectadores”, disse ela.

Nos Estados Unidos, a pornografia infantil é definida como qualquer representação visual de um menor em conduta sexualmente explícita. O Departamento de Justiça daquele país informa que, em alguns casos, “uma foto de uma criança nua pode ser considerada pornografia infantil se a mesma é suficiente para sugerir o tema sexualidade”. A maioridade americana se inicia aos 18 anos e o integrante mais jovem do elenco de “Skins” tem 15 anos.

“Skins” é um produto importado da Inglaterra, país que, ao contrário dos Estados Unidos, é historicamente mais tolerante ao erotismo na TV. Os episódios mostrados no Reino Unido traziam cenas de masturbação simulada, agressão sexual subtendida e de adolescentes se despindo e indo juntos para a cama. Os primeiros episódios do programa para a MTV, incluindo o terceiro, são praticamente idênticos aos da série original.

Com anúncios que mostram grupos de adolescentes com pouquíssimas roupas, “Skins” certamente é um dos programas com maior conteúdo sexual já exibido pela emissora. Antes mesmo da pré-estréia, o Parents Television Counsil, conselho de pais norte-americanos que funciona como uma espécie de observatório moral da televisão no país, rotulou a nova série como “o programa de TV mais perigoso que já empurraram para nossas crianças”.

O primeiro episódio americano teve 3,3 milhões de telespectadores, sendo que 2,7 milhões deles tinham entre os 12 e os 34 anos de idade, fazendo do programa o lançamento mais assistido na história da MTV americana. Mas, no segundo episódio, a audiência caiu em 50% e diversos anunciantes – dentre eles a Taco Bell, a Schick, a L'Oreal e a Subway – retiraram a veiculação de seus comerciais dos intervalos do programa.

Os episódios de “Skins” recebem a classificação TV-MA nos Estados Unidos, indicando que seu conteúdo pode ser inadequado para menores de 17 anos. Em um boletim à imprensa, representantes da emissora declararam que o programa foi “especificamente desenvolvido para um público adulto”. Porém, grande parte do público da MTV é formada por estudantes do ensino médio e colegial. Segundo dados da Nielsen Co., o primeiro episódio da série atraiu 1,2 milhões de menores de 18 anos.

A MTV ressaltou que os episódios são exibidos somente após as 22 horas. Representantes da emissora alegaram: “Foram também tomadas diversas medidas para alertar os telespectadores quanto às imagens fortes do programa, dessa forma eles poderão decidir se o conteúdo é apropriado”.

Não está claro quando a direção da MTV percebeu que o programa poderia ser vulnerável à legislação de pornografia infantil vigente no país. Na última terça-feira, diversas reuniões ocorreram na sede da emissora, em Nova York, segundo um executivo que participou de algumas delas e pediu para manter o anonimato. Em uma delas, os executivos se perguntavam em voz alta quem poderia ser indiciado ou preso caso os episódios fossem ao ar sem alterações.

É claro que existem incontáveis exemplos de sexualidade juvenil sendo empacotados pela mídia. Amy Adler, professor de direito da Universidade de Nova York especialista em liberdade de expressão, arte e pornografia, chamou atenção para as fotos reveladoras da cantora adolescente Miley Cyrus e para o fato da emissora CW ter utilizado reprovações do Parents Television Council para promover a ousada série “Gossip Girl”. “Às vezes eu olho para a cultura dominante e me dou conta de que ela está no limite das leis de pornografia infantil”, disse.

A MTV brasileira informa que "não tem previsão" de transmitir a série no Brasil.

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