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30/10 - 08:01hs

Novo coletivo de artistas de NY recria grafites clássicos nos muros da cidade

Movimento “Subway Art History” refaz pinturas de rua, mas troca 
as palavras originais por nomes de personagens históricos

New York Times

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Quem passou nas últimas semanas pelo Brooklyn, em Nova York, pode ter visto um enorme mural pintado numa parede de tijolos de um depósito, no qual artistas fizeram uma nova versão de um dos mais famosos grafites da cidade nos anos 1980 – um gigantesco letreiro escrito “Hands of Doom”, que por anos ficou pintado num vagão de trem. Só que a versão 2011 substituiu a frase por “Joana of Arc” e o homem encapuzado por uma versão armada da santa francesa.

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Alguns quilômetros à frente, numa parede bem exposta, apareceu outro esquisito exemplo de “revival” histórico: uma recriação de uma conhecida pintura feita por “Blade” – mas as cinco letras de seu nome foram trocadas para “Plato” (Platão, em inglês). E num café das redondezas, outro famoso grafite dos anos 1980 foi refeito, e dessa vez “Dondi” foi substituído por “Gandhi”. Outros exemplos tomaram outros muros da cidade.

São todos trabalhos de um novo coletivo formado por grafiteiros (quase todos) aposentados, hoje em seus 20 e poucos ou 30 e tantos anos. Eles embarcaram numa estranha campanha que vai tirar dos livros de arte 50 grafites famosos da “velha escola” e espalhá-los – e alterá-los – por paredes de Nova York. O projeto, chamado “Subway Art History”, é incomum não apenas porque as obras estão sendo feitas com autorização das empresas, escolas e outros donos de muro com coração nostálgico, mas também por sua natureza. Eles são expressões de uma subcultura que quase sempre ostentou uma atitude de competição intensa e de rompimento com as gerações passadas.

“Grafite é uma coisa meio adolescente: ‘Nem ferrando eu quero ser como meu pai! Nem ferrando eu vou fazer algo parecido com o que outra pessoa fez!’ – e então, claro, você vira seu pai”, diz um grafiteiro de 32 anos que ajudou a formar o coletivo. Ele e outros membros do grupo (há dois fundadores e mais ou menos dez participantes) pediram para não ter os nomes divulgados, não pelo motivo de sempre – a polícia – mas porque o coletivo, que se autodenomina “Slavery” (“escravidão”), quer fugir da guerra de egos que normalmente cerca o universo do grafite.

Abaixo, o original dos anos 1980, Blade; acima, a versão Plato (Platão) 

A ideia é usar os desenhos para ensinar uma dupla lição história. Uma parte é a glória (na visão do coletivo) dos primórdios do grafite e da invenção de uma forma de escrever letras que tomou o mundo. A outra diz respeito à história do nosso mundo em si, em periferias onde a educação não é a prioridade de muitos jovens que vivem na batalha.

O artista pintou paredes ilegalmente por muitos anos e hoje virou professor, às vezes trabalhando com adolescentes envolvidos em problemas. Ele conta que o grupo começou com Joana D’Arc porque os membros a viam como um símbolo, ao mesmo tempo, do poder e dos perigos da juventude. Além de guerreiros, filósofos e personagens mitológicos, eles planejam incluir artistas escritores e figuras políticas e religiosas entre seus temas.

“Jesus é um bom nome”, diz. “Também gostaria de fazer um de Isis. Para mim, esse projeto é como uma Wikipédia da vida real. Espero que as pessoas que vejam os desenhos ajudem umas às outras a descobrir do que se trata, e que isso comece uma conversa que continue pelas ruas”, explica.

Artistas veteranos como Blade (cujo nome real é Steven Ogburn e que pintou trens por mais de uma década, começando nos anos 1970), diz que não se importa de forma alguma com a recriação de sua obra. “É legal que nossa geração receba atenção por seu trabalho”, diz. “Fico encantado, na verdade. Adolescentes ou caras de 20 e poucos anos chegam em mim e falam detalhes das minha história de vida. Eu fico, tipo, ‘nossa, nem eu lembrava que pegava essa mina em 1972, mas esse moleque aqui sabe a história toda”, brinca.

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