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05/10 - 16:14hs

"O Mundo Mágico de Harry Potter" traz a obra de J.K. Rowling para a realidade
Mesmo com filas quilométricas para as principais atrações e preços altos, parque de diversões da Universal Studios encanta fãs da saga

Heloisa Ferreira, enviada especial a Orlando (EUA)

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De uniforme marrom escuro e um sorriso misterioso no rosto, o maquinista do Expresso de Hogwarts cumprimenta todos que passam do seu lado com um forçado sotaque britânico. Identifica-se apenas como "o condutor do trem", tal como indica seu crachá. E, por apenas alguns minutos, deixa o personagem de lado. “Tenho o melhor emprego do mundo. É incrível participar de toda essa excitação por bruxos e vassouras”, conta.

O "Mundo Mágico de Harry Potter" ("The Wizarding World of Harry Potter") foi inaugurado em 18 de junho deste ano e, desde então, virou uma espécie de febre em Orlando, nos EUA. A área dedicada ao bruxo fica dentro de um dos parques do complexo Universal Studios e torná-la realidade envolveu não só o trabalho artístico de engenheiros e cenógrafos, como também a contratação de funcionários "especialistas" em Harry Potter. A vendedora Zoe, da loja de doces "Dedosdemel" ("Honeydukes"), conta que conseguiu o trabalho justamente por seus conhecimentos apurados sobre a saga de J.K. Rowling. "Você precisa saber muitos detalhes, porque as pessoas perguntam coisas muito específicas sobre os doces mencionados nos livros", explica, enquanto entrega um Bolo de Caldeirão a uma menininha. “A melhor parte de todas é estar no meio dessa fantasia. As crianças imaginam que sou uma bruxa de verdade e vêm me fazer perguntas sobre feitiços e coisas assim", completa.

"Dedosdemel" vende Sapos de Chocolate e Feijões de Todos os Sabores

Os "trouxas" – como são chamados os não-bruxos – são realmente exigentes. Depois de sete livros e seis filmes – o sétimo e último prestes a ser lançado –, todo mundo quer dar um palpite. “Esperava que fosse maior…”, conta desapontada Heather Parks, de 21 anos, as mãos nos bolsos das vestes de bruxo. Fanática por Harry Potter e vestida de Draco Malfoy dos pés à cabeça, preocupou-se em descolorir o cabelo e deixá-lo bem curtinho – ela acha que poderiam ter feito um parque um pouco mais completo. O namorado, Tony Parlatti, também de 21 anos, concorda. “Não gostei dessa história de fazerem as lojas de Hogsmeade umas conectadas às outras. No livro não é assim”, queixa-se. Digamos que ele tem todo o direito de reclamar: vai totalmente vestido de Harry Potter – os mesmo óculos e a mesma franja caída na testa.

Com a varinha mágica recém-comprada nas mãos, a estudante Valerie Beasley, de 20 anos, arregala os olhos quando vê uma prateleira repleta de Sapos de Chocolate, os preferidos de Rony Weasley nos livros, e arrasta seu amigo pela camiseta. “Sapos de Chocolate! Sapos de Chocolate! O quê?! Dez dólares?!”, surpreende-se. Dona de duas coleções dos livros (“uma normal e outra em capa dura, para enfeitar a prateleira”), Valerie ficou encantada com o cenário do parque. “É tudo muito fiel à descrição dos livros, a vila de Hogsmeade e o castelo estão fantásticos. Mas acho que ficou um pouco comercial e caro demais. Olha o preço disso!”. O amigo Earon Parisi discorda. “Eles precisam ganhar dinheiro, oras".

Caro ou não, o parque está sempre cheio, segundo a gerente de entretenimento da Universal Studios, Celiana Clavell. Ela afirma não poder divulgar o número de visitantes por dia, mas a movimentação é visível. Algumas atrações têm filas de mais de uma hora e, para alguns fãs, pouco importa se terão que desembolsar uma graninha extra. As amigas Susan Parra e Kasia Przepiora, ambas de 20 anos, não se queixam por ficar mais de 40 minutos na fila da "Olivaras" ("Ollivanders"), a loja onde Harry Potter comprou sua varinha mágica. “Eu leio os livros de Harry desde o começo. Acompanhei seu crescimento, sabe? Comprar uma varinha é a primeira coisa que um bruxo faz antes de ir para escola, é algo muito importante. Eu também quero fazer parte disso", conta Susan animada. A diferença é que Harry definitivamente não pagou U$ 40 pela sua.

Para comprar uma varinha na Olivaras, as filas demoram mais de uma hora

O lado comercial do parque é explorado de forma muito explícita, mas não teria como ser diferente. A Universal Studios fez um investimento milionário, embora não divulgue números exatos. "Não podemos falar em valores, temos um concorrente tão bom quanto nós aqui ao lado", explica Clavell, referindo-se aos parques do complexo Disney.

Realmente é de deixar Mickey Mouse enciumado… Entre as atrações mais concorridas está a montanha-russa "Desafio do Dragão" ("The Dragon Challenge"), com o cenário que lembra o episódio descrito em "Harry Potter e o Cálice de Fogo". Outra que forma filas quilométricas é "Harry Potter e a Viagem Proibida" ("Harry Potter and Forbidden Journey"). O visitante caminha pelo castelo e tem a sensação de que realmente está dentro de Hogwarts, tão minuciosos são os detalhes. Além de passar pela sala comunal da Grifinória, casa a qual pertence Harry Potter, visita o escritório do diretor Alvo Dumbledore, que lhe dá  as boas-vindas. Por último, uma espécie de montanha-russa simula uma viagem de vassoura, passando pelo campo de Quadribol, pela sombria "Floresta Proibida" e pelo bruxo das trevas "Você-Sabe-Quem".

Do lado de fora, funcionários com gorrinhos de bruxo consolam as crianças menores, impedidas de entrar por causa da baixa estatura. Para elas, uma montanha-russa menor chamada "O Voo do Hipogrifo" ("Flight of the Hippogriff"), menção à criatura mágica com corpo de cavalo e cabeça de águia. Para os irmãos gêmeos, Kevaris e Kavari Williams, de 9 anos, que saem da montanha-russa dando gritos de 'urras', o brinquedo “é muito rápido e divertido e o parque é igualzinho nos filmes”.

Destoando do resto da paisagem, de uniforme de basquete e boné branco enfiado na cabeça, Josh Linxs, de 20 anos está mal-humorado. "Vim obrigado! Não gosto de Harry Potter, eu gosto é de esportes, mas minha namorada me obrigou. Aliás, eu acho que essa febre é um hobby dos americanos que acabou virando hábito", afirma, olhando incrédulo para a enorme fila na barraca de "cerveja amanteigada". A bebida não-alcoólica, famosa nos livros e vendida no bar bruxo "Três Vassouras", acabou ficando parecida com uma mistura de guaraná e creme chantilly. "Doce demais. Nada refrescante como eu imaginava que seria", comenta Valerie Beasley.

As filas vão diminuindo e são quase sete horas da noite quando o parque começa a esvaziar. Funcionários bruxos, os chapéus já um pouco tortos, descartam embalagens e copos vazios e fecham as lojas, assim, sem mágica. James Weberg, de 5 anos, passa pelo portão arrastando uma vassoura que ganhou de presente. "Meu personagem preferido é o Harry". Como se precisasse dizer...

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