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20/09 - 08:01hs

"Só estou te dando entrevista porque sou filho de quem sou, né?", diz Chicão
Aos 17 anos, filho de Cássia Eller mostra personalidade em conversa com iG, antes de se apresentar com a banda em favela carioca

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro

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Poderia ser apenas mais uma banda de adolescentes que começa a dar os primeiros acordes perante um público pagante, ainda que incipiente. Mas “Zarapatéu” já tem atraído a atenção da mídia – e muito disso se deve ao percussionista do grupo. Francisco Ribeiro Eller, de 17 anos, mais conhecido como Chicão, é filho da roqueira Cássia Eller, que morreu em dezembro de 2001.

A reportagem do iG acompanhou uma apresentação do grupo, formado por oito jovens (a vocalista é Bruna Araújo, filha de outra famosa, a cantora Emanuelle Araújo). Este é apenas o sexto show deles. O local escolhido foi a Lona Cultural Herbert Vianna, localizada na violenta favela da Maré, no Rio de Janeiro. Com ingressos a dez reais, cerca de cem pessoas estiveram presentes no local – com capacidade para 350 – na noite de sexta-feira (17), para ouvir o “Zarapatéu”. 

Todo mundo pergunta sobre o cabelo: "Não corto há quase dois anos"

Chicão está descalço no palco. “Meu nome é Chico, prazer”, diz, estendendo uma das mãos. Uma rala barbicha desponta em seu queixo. A camisa que veste tem três furos na lateral. A imensa cabeleira, que não corta há quase dois anos, esconde parte de seu rosto. Não que ele faça questão de mostrá-lo. É tímido. Ainda que esta timidez não o impeça de afirmar sua personalidade. “Estou te dando esta entrevista por causa disso, né? Porque sou filho de quem sou”, diz, econômico nas palavras.

Personalidade forte
Desde a morte de Cássia, sua então companheira Maria Eugênia ganhou a guarda de Chicão, com que mora atualmente. O adolescente prefere não falar da mãe. Não cita o nome dela em nenhum momento. Perguntado se gosta de ouvir as músicas que Cássia gravou, ele pensa alguns segundos antes de responder. “Ouço bastante ela”.

Durante o show, Chicão toca triângulo, pandeiro e tamborim. Solta algumas palavras como backing vocal. Fica o tempo todo no canto esquerdo do palco, dançando. É ali que Chicão se sente à vontade, no mesmo ambiente que um dia consagrou sua mãe. Apesar da semelhança física e da paixão pela música, numa coisa eles divergem. Ele é vascaíno. Cássia não escondia sua torcida pelo Atlético-MG, vestindo a camisa do “Galo” em suas apresentações. 

Quem acompanha Chicão nos shows é Geisa Lina, produtora da Lona e da banda. “Evite fazer perguntas sobre a mãe dele. A Eugênia não gosta dessa exposição do menino”, pede.

iG: Quando você começou a se interessar por música?
Chicão: Toco percussão. Não sei há quanto tempo... Faz tempo, hein? Desde pequeno batuco em tudo. Toco pandeiro há uns sete anos.

Curte Beatles e Caetano: "Mas não tenho isso de não gostar de novidade"

iG: O que você gosta de ouvir?

Chicão: Música boa.

iG: O que você não gosta de ouvir?
Chicão: Música ruim.

iG: O que você faz nas horas vagas?
Chicão: Jogo bola com os amigos.

iG: O que quer ser quando crescer?
Chicão: Músico, claro. Mas ainda estou no segundo ano. Se sou bom aluno? Sei lá.

iG: Tem namorada?
Chicão: Sim, tenho uma namorada. Não sei há quanto tempo, não sou bom nisso... Alice, é o nome dela. Mas ela não tem nada a ver com música.

iG: Qual é o seu maior sonho?
Chicão: Ser músico.

Ouça um pouco do som da banda Zarapatéu


iG: Um defeito?
Chicão: Não sei dizer quais são nem meus defeitos nem minhas qualidades. Deixa que os outros respondam por mim.

iG: Esporte?
Chicão: Futebol.

iG: Qual é o seu time?
Chicão: Vascão, Vascão. Coloca isso aí, é importante (risos).

iG: E este cabelo?
Chicão: Deixei crescer, foi ficando assim. Não corto há pelo menos quase dois anos. Engraçado como todo mundo tem curiosidade com o meu cabelo.

iG: Você estuda música?
Chicão: Não. Quer dizer, tenho aulas de violão. Serve?

iG: Um cantor?
Chicão: Um que eu escute muito? Pô, que difícil esta entrevista (risos). Não sei... Um só? Caetano Veloso, vai...

iG: Uma cantora?
Chicão: Nina Simone. É boa para caramba. É a primeira pessoa que me vem à cabeça. Mas tem muitas outras boas.

iG: Na sua opinião, qual é a melhor música da Cassa Eller?
Chicão: Ouço bastante ela, mas não sei dizer uma música só... Deixa eu ver... Coloca aí que eu gosto de todas. Não quero citar uma só. Do mesmo jeito que respondi que Caetano e Nina não são meus cantores favoritos, têm muitos outros também que são bons.

iG: O que mais toca no seu iPod?
Chicão: O que toca direto mesmo é Beatles. Mas gosto de tudo. Não tenho isso de não gostar de novidades.

iG: Você acha que ajuda o fato de ser filho de famoso?
Chicão: Estou te dando esta entrevista por causa disso. Porque sou filho de quem sou, né?

iG: Também por causa disso.
Chicão: Não, é só por causa disso, eu sei. Sem essa, vai. Infelizmente, porque não era para ser por causa disso, mas por causa da música também...

iG: Você não acha que as pessoas podem conhecer melhor seu trabalho por causa da figura da sua mãe?
Chicão: Mas que trabalho? Eu só tenho 17 anos e este é o meu sexto show.

iG: Você não encara estas apresentações como um trabalho?
Chicão: Não, falei errado. É claro que é um trabalho. Mas a coisa ainda está muito no início a gente quer levar para frente, mas ainda não é algo profissional para valer, entende?

iG: Você já se sente músico?
Chicão: De verdade? Não, ainda não. Falta muito para isso, eu sei. 

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG

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