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20/09 - 11:57hs

Conheça o espaço onde a banda "Zarapatéu" se apresenta
Lona Cultural está localizada em área dominada por facções criminosas, na Favela da Maré, no Rio

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro

> Veja a entrevista com Chicão, antes do show na Favela da Maré
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Não é fácil chegar à Lona Cultural Herbert Vianna, próximo ao centro do Rio de Janeiro. Localizada dentro do conjunto de favelas da Maré, em frente a um valão que, segundo moradores, marca a divisa entre duas facções criminosas do tráfico do drogas, a Lona é mantida pela prefeitura da cidade. São ao todo oito pessoas trabalhando diretamente no local.

Para quem não é da comunidade, é recomendável que peça ajuda a quem mora por ali para saber se localizar. A reportagem do iG foi guiada por um dos funcionários da Lona, que a aguardou em um dos acesso da Avenida Brasil. Passando por ruelas apertadas, biroscas dominando as calçadas com TV’s ligadas e gente para todos os lados, a recomendação é que os vidros do veículo se mantenham arriados, faróis baixos e luz interna acesa. A velocidade não deve passar dos 10 km/h.

Uma moto cruza o caminho em frente com dois homens, um deles parece portar um fuzil. Não há qualquer presença de força policial. Um funk é ouvido por caixas de som instaladas no meio do emaranhado dos fios dos postes. O odor de esgoto a céu aberto é sentido de longe.

Única opção de lazer na comunidade, a Lona Cultural Herbert Vianna voltou a ter atividades em julho, após vários meses fechada para obras. O músico Herbert Vianna, que dá nome ao espaço, líder do Paralamas do Sucesso, cede instrumentos musicais e já chegou até a doar verba para a manutenção. As “Lonas Culturais” foram criadas na primeira gestão do então prefeito Cesar Maia, como parte do projeto de levar cultura a áreas carentes.

Além de shows à noite, o espaço pretende oferecer cursos gratuitos à comunidade local. O preço das apresentações musicais varia de R$ 2 a R$ 10, dependendo do dia da semana. A programação vai do samba ao funk que, curiosamente, não costuma lotar a Lona, que tem capacidade para 350 pessoas. “O rock é o ritmo preferido”, conta um dos funcionários.

Por estar no limite extremo do controle de uma das facções criminosas da área, moradores do outro lado do rio que corta a rua em frente à Lona – hoje, um esgoto a céu aberto - não se atrevem e pisar ali. “Eles não podem vir para o lado de cá”, afirmou um morador. Não há previsão de ocupação policial na região, nem obras de saneamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

A banda “Zarapatéu” tem aberto shows do “Mulheres de Chico”, às sextas-feiras, com ingresso a R$ 10 – estudante paga meia. “Mulheres de Chico”, que já virou bloco carnavalesco da zona sul carioca, é formado apenas por instrumentistas femininas. Apesar da propaganda em frente à Lona comunicar que o show começa às 21h, ninguém sobe ao palco antes das 22h30. Quem chega cedo pode esperar comendo uma porção de pasteis a R$3,50 na cantina local. “Adoro vir aqui com minha esposa. Se não for isso, é ficar em casa vendo novela”, contou Antonio Alves, morador da favela.

Os organizadores da Lona querem atrair mais gente para o espaço, ainda que esta pareça ser uma tarefa difícil. Não só pela violência vizinha como pelo complicado acesso. Algumas medidas devem ser tomadas em breve com a ajuda da prefeitura, como a sinalização das ruas próximas indicando o caminho para se chegar ao point da cultura em uma área tão degradada da cidade.

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