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26/06 - 16:00hs

Pesquisas revelam que jovens não gostam de encontrar pais em redes sociais

Entre adolescentes, 42% desaprovam a ideia de ter os familiares na lista de contatos. Para especialista, atitude é normal

Larissa Drumond, iG São Paulo

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Os adolescentes usam cada vez mais as redes sociais – uma recente pesquisa do instituto eMarketer revelou que 74.9% dos jovens usavam mídias desse tipo em 2009, número que subirá para 85.7% em 2014. Embora essa faixa etária tenha grande presença na internet, os adultos são a grande maioria em sites de relacionamento, como o Facebook – no Brasil, ainda menos popular que o Orkut. Mas, quando os teens encontram seus pais nessas redes sociais, nem sempre a reação é positiva.

Entre jovens com idade de 13 a 14 anos, de acordo com uma pesquisa realizada com os usuários mais ativos da rede teen myYearbook, 58% deles declaram que "odeiam" quando seus pais estão conectados à mesma rede social. Entre 18 e 19 anos, essa rejeição é menor, representada por 27%. Mesmo assim, o estudo revela que 42%, de todas as idades, não gostam da ideia de ter os pais na lista de amigos.

Segundo Berenice Carpegiani, psicóloga e pesquisadora da Universidade Mackenzie, essa atitude é normal. “Eles precisam de espaço para exercitar a própria identidade e precisam que os pais permaneçam em suas posições, sem serem ‘moderninhos’. A autoridade e a distância são importantes nessa fase da vida”, avalia.

Edna Gonçalves, 45, abriu uma conta no Orkut há três anos. Adicionou todos os amigos da filha e não se intimidava em fuçar o perfil deles. “Ela via recado, fotos, amigos, controlava e reclamava. Quando clicava em fotos de alguma festa, alegava que eu não havia avisado que iria”, protesta Corina Dourado, 18. “Acontece na internet e no mundo real. É uma época de conflitos e turbulências, em que a mente ainda está aceitando as mudanças físicas”, explica Berenice Carpegiani. “Enquanto existe um retraimento em relação aos pais, também é bastante forte a ligação com diferentes grupos, que têm moda, gírias e ícones próprios”, completa.

Segundo Márcio Roberto Régis, especialista em psicologia clínica comportamental e editor-chefe do Portal Atlaspsico, a necessidade de interagir com o universo dos filhos acontece por conta da insegurança dos pais em saber com quem convivem e por onde andam. “Existe uma ansiedade em saber como eles levam a vida virtual, que hoje é um complemento da real. Além disso, é uma forma de dialogar com a linguagem deles”.

Sâmia Faifi, 21, também faz parte do time dos jovens que não curtem essa aproximação da família. É por isso que mantém duas contas no Orkut: uma para os amigos e outra para a família. De origem libanesa e muçulmana bastante rígida, alguns parentes não conseguem entender as fotos das festas, o abraço nos amigos e as roupas que não escondem tanto quanto eles gostariam. “Eles interpretam de outra forma, por isso prefiro evitar intrigas na família”, conta. Sua madrasta costuma deixar comentários e recados indignados. “Ela me monitora na internet e já criou Orkut falso fingindo que era meu pai. Pedi ajuda para os meus amigos denunciarem”.

Por outro lado, uma pesquisa realizada pela Kaplan e também divulgada na eMarketer revela que, a partir do momento em que os pais aparecem nas redes sociais, 56% dos adolescentes costuma ceder e dar acesso total aos seus perfis. Foi assim com Larissa Araújo, 14. “Eu ensinei minha mãe a usar. Depois de alguns meses, ela pediu para que criasse um”. A mãe de Mariana Oliveira, 16, também resolveu interagir virtualmente e adicionar os amigos da filha. “Não fico com vergonha. Ela conhece a maioria dos meus colegas e conversa com eles”, diz.

De acordo com esse estudo, a porcentagem de teens que não permite que seus pais fucem suas vidas na web é de 34%. E, segundo a psicóloga Berenice Carpegiani, é importante que o filho converse com os adultos sobre isso, mesmo que haja turbulências. “Espera-se conflito da relação entre pais e filhos, é completamente normal. Os pais não devem monitorar, mas cuidar e orientar”.

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