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15/04 - 16:13hs

Ode ao mau humor vira sucesso no Youtube
Jovem com pinta de nerd e opiniões ranzinzas atinge quase 3 milhões de acessos no site e ganha blog na MTV

Artur Tavares, especial para o iG Jovem

Quando Andy Warhol profetizou que todo mundo teria seus quinze minutos de fama, com certeza não levou em conta que um dia existiria a internet e o Youtube, talvez os maiores combustíveis de sua máxima. Entre gatos que tocam teclado e casais que fazem performances ao som de Lady Gaga, o site virou a casa de todo mundo que quer se expressar. Entre essas pessoas está Paulo Cezar Siqueira, colorista de histórias em quadrinhos, conhecido por seu canal “Mas Poxa Vida”, no Youtube.

Com óculos de aros enormes (já declarou que não vai operar a vista), uma pinta de nerd-que-você-gostaria-de-ser-amigo e dissertando sobre assuntos aleatórios que vão dos ovos de Páscoa a seu personagem favorito no game Mortal Kombat, PC Siqueira já conquistou quase três milhões de acessos e um blog no website da MTV, onde suas divagações estão replicadas. “Vejo que a ‘massa’ é acomodada (...) e tem preguiça de expressar opiniões e elaborar isso”, diz, explicando porque decidiu botar a boca no trombone do mundo virtual. Confira nosso papo com ele.

iG Jovem: De onde surgiu a ideia de começar a fazer os vídeos do “Mas Poxa Vida”?
Paulo Cezar Siqueira: Foi numa noite meio tediosa. Resolvi gravar e colocar no Youtube para matar o tempo.

iG Jovem: Você escreve roteiros do que vai falar ou sai dizendo o que dá na cabeça?
Paulo Cezar Siqueira: Vou falando o que me ocorre na hora. Às vezes ligo a câmera com intenções de ‘falar sobre isso’, mas acabo dispersando na hora.

iG Jovem: É você mesmo quem edita os vídeos? Como chegou aos cortes secos nas montagens?
Paulo Cezar Siqueira: Sim, eu edito tudo... Os cortes foram inicialmente para esconder eu gaguejando ou ficando muito tempo sem falar, mas vi que isso torna o vídeo menos tedioso, também.
 
iG Jovem: No “Mas Poxa Vida” você trata de temas banais – como as diferenças entre o Sub-Zero e o Scorpion, do Mortal Kombat – até coisas atuais, como o Chatroulette e o Rebolation. Como você escolhe os assuntos?
Paulo Cezar Siqueira: Sei lá, são coisas que comento em conversas com meus amigos, naturalmente. Não é nada planejado ou coisa do tipo.

iG Jovem: Você se considera um cara indignado? Acha que falta essa mesma indignação sua em outras pessoas para que a sociedade se torne mais crítica?
Paulo Cezar Siqueira: Acho que as pessoas são acomodadas demais. Inclusive eu. Mas vejo que a ‘massa’ é acomodada num nível extremo, a ponto de aceitar e consumir qualquer coisa que é atirada para ela, e tem preguiça de expressar opiniões e elaborar isso. Às vezes fico meio indignado, sim.

Assista ao último vídeo mal-humorado de PC Siqueira:


iG Jovem: Existe algum tipo de assunto que você se autocensura na hora de gravar o “Mas Poxa Vida”?

Paulo Cezar Siqueira: Eu evito falar de religiões, porque isso infelizmente ofende qualquer pessoa. Mas eu tenho outro blog pra falar exclusivamente disso, sem vínculos com meu canal do Youtube.
 
iG Jovem: Você teve tantos acessos no YouTube que ganhou um blog na MTV. Como você, enquanto quadrinista, se sente vendo seu trabalho reconhecido por vídeos e não pelas HQs que você colore?
Paulo Cezar Siqueira: Meu trabalho pelas HQs é reconhecido, mas à sua maneira. Meus trabalhos não são nem distribuídos no Brasil, e quadrinho não é algo que deixa as pessoas exatamente famosas. Nunca achei que eu fosse ficar famoso com quadrinhos, acho que o lance do Youtube foi só uma mera coincidência. Até abre mais espaço para meus trabalhos, então acho positivo. Mas acho que meu trabalho e meu vlog são coisas totalmente separadas.

iG Jovem: O estereótipo de nerd ajudou a alcançar esse sucesso online?
Paulo Cezar Siqueira: Eu não sei se faço parte de algum estereótipo. Inclusive foi a maior discussão logo que meu canal apareceu, porque eu falava de "assuntos de nerd" e tenho tatuagens e etc. Acho legal colocar o assunto em voga e tentar quebrar esses paradigmas. Afinal, estereótipos só existem na TV. Tem gente que diz que sou nerd e estou levantando a bandeira da ‘causa’ (como se houvesse alguma) e tem gente que diz que sou um liferuler disfarçado de nerd para ganhar fama, já que ‘nerd’ está na moda. Sinceramente, eu não sei o que dizer a respeito disso. Eu cresci jogando videogame e colecionando figurinhas de dinossauro, mas nunca tentei fazer parte do estereótipo nerd, muito menos para ter destaque.

iG Jovem: Como é pra você andar na rua hoje? Amigos meus já disseram que te viram andando ali no Center 3, na Paulista... (um centro de compras em São Paulo)
Paulo Cezar Siqueira: Algumas pessoas me param na rua, outras pedem para tirar fotos. Eu não entendo muito bem o motivo, porque eu não sou nenhum ator ou celebridade. Eu frequento aquele lugar lá pra tomar café e não pretendo mudar minha rotina e me tornar um ‘artista’, se é que me entende.

iG Jovem: O que você acha dos 15 minutos de fama que todo mundo parece alcançar na rede hoje em dia?
Paulo Cezar Siqueira: Eu não sei se isso realmente está acontecendo. Na verdade acho que é só democratização de espaço. Agora, com coisas como o Youtube, qualquer um pode falar o que quiser e mostrar o que quiser. Não acho que ser visto seja proporcional a ser famoso.
 
iG Jovem: Você se considera um humorista?
Paulo Cezar Siqueira: Definitivamente não. Não tenho intenções de fazer ninguém rir (mesmo) e não tenho nenhum tipo de ‘satisfação de humorista’ ao ver alguém rindo do que eu falo ou faço. Acho que isso me descarta fundamentalmente do título de humorista.

iG Jovem: Explica exatamente o que você faz no mundo dos quadrinhos.
Paulo Cezar Siqueira: Eu sou colorista. Isso quer dizer que eu pinto as páginas desenhadas por outro artista. Fico com a etapa final do processo de criação de uma história em quadrinhos. Geralmente uma HQ é feita por quatro ou mais pessoas. Com um roteirista, um desenhista, um arte-finalista e um colorista. No caso, eu sou o colorista.

iG Jovem: O que você acha da leitura de quadrinhos no Brasil? Falta incentivo para jovens?
Paulo Cezar Siqueira: Falta incentivo e interesse. A produção de quadrinhos brasileira é quase inexistente e não dá para ter isso como ‘trabalho principal’. O que já nivela a classe por baixo. E o pouco que existe fica quase inteiramente para os quadrinistas que já estão aí por muitos anos. Acho que isso faz as pessoas que querem começar darem uma broxada. E quando não há produção, não há leitores. Infelizmente.

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