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02/03 - 21:27hs

Profissão: skatista!

Às vésperas do Oi Vert Jam 2010, conheça jovens que têm carteira de trabalho assinada para radicalizar em cima do skate

Artur Tavares, especial para o iG

Skatistas de todo país estão treinando as manobras para o Oi Vert Jam, a primeira etapa da modalidade vertical do Circuito Mundial de Skateboard, que acontece neste final de semana, no Rio de Janeiro. Mas a rotina deles não é muito diferente de outra semana qualquer, já que a grande maioria sobrevive apenas do esporte. Para eles, deslizar por uma rampa de mais de quatro metros de altura não é só adrenalina, e sim profissão – com carteira assinada e tudo.

A grana que ganham vem principalmente de marcas de roupa. Algumas dão só ajudas de custo, mas outras contratam os skatistas, assinam suas carteiras de trabalho e oferecem benefícios que trabalhadores em áreas mais comuns nem sonham em receber. “Vivemos num país em que poder fazer o que você gosta é um privilégio”, diz Jay Alves, 24, que já trabalhou num ônibus-lotação em São Paulo, correu muitos campeonatos e finalmente conseguiu ter sua carteira de trabalho assinada como “skatista”.

Para esses atletas, existem dois tipos de patrocínio. O primeiro é aquele que encara o skatista como esportista, e por isso cobra desempenho e exposição em campeonatos. O segundo, não menos comum, é aquele que vê esses garotos radicais como modelos de um estilo de vida. É o patrocínio baseado no “lifestyle” – no que eles vestem, na música que ouvem, nas gírias que falam, no grafite que ele desenham nos muros.

Além de Jay, outro atleta que pode se orgulhar de ter uma profissão é o gaúcho Carlos Ribeiro, que compete desde os 10 anos, e hoje, aos 18, já disputou provas até na Alemanha: “Sou patrocinado desde os 12 anos, não precisava comprar roupas, nem tênis”, relembra. “E hoje mesmo fui fazer um cartão de crédito em uma loja aqui na minha cidade... Só de poder provar pras pessoas que sou skatista, já é um valor enorme pra mim”, comemora.

Veja essa galera andando de skate no vídeo abaixo:



A estabilidade financeira dos skatistas é um ponto importante para a formação de ídolos, como a paulistana Karen Jonz, bi-campeã mundial e vencedora dos X-Games. Aos 25 anos, ela divide seu tempo entre campeonatos ao redor do mundo, treinamentos na cidade californiana de San Diego e rolês diários em uma famosa pista na cidade de Santo André (SP). Uma das raras figuras femininas no skate brasileiro, Karen Jonz acredita que a mídia nacional dá pouco espaço para as praticantes do esporte, o que torna mais raro os bons patrocínios.

“Chega muito email de mina dizendo que gosta de mim, que queria ser que nem eu, que se veste como eu, mas acho que falta muito incentivo de uma mídia não especializada, como revistas femininas jovens, por exemplo”, reclama. “Tenho muita mídia instantânea, mas tenho dificuldade com público teen. E é uma coisa que não deveria acontecer, porque estão lá Taylor Swift, Hanna Montana, Avril Lavigne... São sempre minas gringas nas capas dessas revistas. Não tem um ícone de cultura nacional, é sempre gente que eu não consigo me identificar”, acredita.

Também rolam tombos
Os skatistas, é claro, também levam “tombos” quando o assunto é grana. Ex-skatista e gerente da marca de roupas Converse (uma das que assina a carteira de trabalho de seus contratados), Frederico Naroga reconhece que a situação realmente não é das melhores: “Quando comecei a andar, em 1998, tínhamos mais marcas investindo no mercado”, conta. “O patrocínio não acontece por ‘n’ fatores: alto custo do investimento, poucas ações onde os patrocinados aparecem... Hoje nossos produtos são mais consumidos por pessoas que nem sabem que aquilo é de uma marca de skate.”

Exemplo dessas dificuldades é Dan Cezar, que no ano passado, aos 18, chegou em segundo lugar na mesma prova que se repetirá neste final de semana. Cabisbaixo por não encontrar patrocínios, ele confessa à reportagem: “vontade de parar de andar de skate, não sinto, mas de parar de correr campeonato, sim”, diz.  Entristecido por ter sido deixado de lado após despontar como figura promissora no esporte, Dan não tem medo de expor a frustração: “Tenho vontade de desencanar total dos campeonatos. Mas não sei o que iria fazer da vida. Acho que iria procurar um emprego. Estou no terceiro ano do colegial, e penso em fazer faculdade, mas nem sei do que ainda.” 

Para se dar bem nessa carreira, os conselhos dos entrevistados são parecidos, sintetizados bem por Jay Alves: “O esporte deveria ser entendido como uma forma de ganhar a vida. Eu sempre falo pra molecada ter o pé no chão, pra fazer as coisas por amor. Às vezes o cara tem o objetivo, mas também o deslumbre. Tem que viver a vida que você sonha, mas a gente sabe que é um em cem que consegue aparecer.”

A décima edição do Oi Vert Jam – a primeira etapa da modalidade vertical do Circuito Mundial de Skateboard – acontece de 4 a 7 de março na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Av. Borges de Medeiros s/nº . A entrada é gratuita.

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