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14/12 - 15:30hs
Chamada direta com a arte
Leia entrevista com Claudio Bueno, um dos artista da Red Bull House of Art
Juliana Kataoka, iG São Paulo
Claudio Bueno foi um dos artistas que participou da Red Bull House of Art. Seu trabalho tem como característica mais marcante a integração da arte com tecnologias e internet. Nesta entrevista, ele conta como foi sua residência na casa de arte da Red Bull, onde teve o desafio de desenvolver e entregar um trabalho no reduzido prazo de um mês.iG Jovem: Como rolou o convite para você participar deste projeto?
Claudio Bueno: O curador Lucas Bambozzi me convidou. Achei ótimo desde o princípio, pelo próprio fetiche de compartilhar experiências com seis artistas de fora e três brasileiros, e ainda ocupar um hotel antigo no centro.
iG Jovem: Eles te pediram para levar um projeto seu anterior na primeira parte da exposição, né?
Claudio Bueno: Sim, para montar uma mostra com trabalhos previamente realizados pelos artistas. Esta estratégia foi importante para nos apresentarmos tomarmos um primeiro contato uns com os outros.
iG Jovem: Qual trabalho você levou?
Claudio Bueno: Levei o Casa Aberta. Neste trabalho, eu transmitia a sala da minha casa e permitia que as pessoas trocassem os canais, ligassem e desligassem a minha TV com uma chamada de celular. No Hotel, ele foi adaptado para transmitir o meu ateliê para dentro da galeria e o trabalho passou a se chamar Casa Aberta #2: Homens trabalhando.
iG Jovem: Na residência você acabou conhecendo trabalhos que você nunca tinha ouvido falar?
Claudio Bueno: Eu não conhecia nenhum dos artistas que participaram da residência. Foi muito bom tomar contato com todos eles, com poéticas e procedimentos tão distintos e que por um momento, durante a residência, pareciam até se conversar.
iG Jovem: O trabalho que você exibiu na segunda exposição, o transporte #1 - um piano suspenso que é içado para cima ou para baixo, por meio de ligações para celular - foi desenvolvido inteiro dentro da residência?
Claudio Bueno: Não, este trabalho surgiu durante o processo de residência do LabMIS. Conceituei o trabalho no MIS e consegui colocá-lo em prática, numa versão número um, na residência da Red Bull.
iG Jovem: Eu vi um blog na internet com várias partes do processo...
Claudio Bueno: Isso mesmo. Eu tinha tudo meio na cabeça e encontrei ali na residência uma oportunidade de desenvolvê-lo. O tempo foi muito curto. Lidar com tecnologia é lidar com o risco de não funcionar no dia da abertura. Por exemplo: não temos condições financeiras e nem laboratórios brasileiros que te permitem levantar um piano todo dia.
iG Jovem: Você acabou perdendo algum piano por acidente?
Claudio Bueno: (risos) Estou quebrando este, que está em exibição. Mas não quebrei nenhum outro. Eu já tinha pesquisado algumas formas de suspendê-lo, orçado os equipamentos etc.
iG Jovem: Você chegou a dormir no ateilier (no hotel)?
Claudio Bueno: Não, mas saí bem tarde por vários dias. Por exemplo, na instalação do piano, precisei virar três madrugadas fazendo testes.
iG Jovem: E o hotel é meio sinistro de madrugada?
Claudio Bueno: (risos) Sim, é bem estranho o hotel na madruga. Mas tinham muitas outras pessoas trabalhando.
iG Jovem: Como foram as experiências que você trocou no Hotel Central?
Claudio Bueno: Acho que não há nada tão objetivo, é mais o lance de estar junto, de ser cúmplice do trabalho do outro, de criar parcerias e consequentemente perceber os procedimentos do outro, introjetar procedimentos... Acho que precisamos de mais espaços de residências, que permitam aos artistas produzirem seus trabalhos num espaço de convivência com outros artistas e financeiramente apoiado.
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