25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral).
Segundo estudo publicado pelo Instituto Nacional do Câncer, INCA, além dos riscos para os fumantes, o tabagismo passivo é causa de doenças, inclusive câncer de pulmão e infarto, em não fumantes. O tabagismo passivo se caracteriza pela inalação da fumaça de derivados do tabaco - cigarro, charuto, cigarrilhas, cachimbo e outros produtores de fumaça - por indivíduos não-fumantes, que convivem com fumantes em ambientes fechados.
Os fumantes correm um risco maior de adoecer por câncer e outras doenças crônicas do que os não-fumantes. Principal causa isolada evitável do câncer de pulmão, o tabagismo é também fator de risco para câncer de laringe, pâncreas, fígado, bexiga, rim, leucemia mielóide e, associado ao consumo de álcool, de câncer da cavidade oral e do esôfago.
Fumantes passivos também sofrem com os efeitos da poluição tabagística ambiental, tais como, irritação nos olhos, manifestações nasais, tosse, cefaléia, aumento de problemas alérgicos, principalmente das vias respiratórias e aumento dos problemas cardíacos, principalmente elevação da pressão arterial e angina (dor no peito). Outros efeitos a médio e longo prazo são a redução da capacidade funcional respiratória, aumento do risco de ter aterosclerose e aumento do número de infecções respiratórias em crianças. Em relação à saúde reprodutiva, o tabagismo é um entrave real para o casal que deseja engravidar.
No homem...
A fertilidade masculina é prejudicada pelo tabagismo, na medida em que ocorre um decréscimo nas taxas de gravidez e uma alteração nos parâmetros seminais de pacientes tabagistas. O tabagismo masculino está associado à redução na qualidade do sêmen, incluindo concentração de espermatozóides, motilidade, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais.
O hábito de fumar, com o passar dos anos, estabelece um declínio na capacidade reprodutiva masculina de maneira progressiva. Existem inúmeros trabalhos científicos demonstrando este efeito deletério do cigarro sobre a fertilidade masculina. Uma meta-análise demonstra que pacientes fumantes apresentam um decréscimo médio de 10% na motilidade espermática, 13% na concentração espermática e 3% na morfologia espermática. O volume seminal apresenta-se diminuído em pacientes fumantes, estratificados de acordo com o número de cigarros fumados por dia, quando comparados aos pacientes não fumantes.
O tabagismo também pode causar uma diminuição da fertilidade por alterar os níveis hormonais séricos de testosterona e de estradiol, e por provocar alteração no DNA dos espermatozóides. Costumamos recomendar àqueles indivíduos que apresentam sêmen de qualidade marginal e história de infertilidade, que deixem de fumar para que haja uma melhora da qualidade do sêmen com a interrupção do tabagismo.
Dr. Ricardo Felts de La Roca, urologista
(CRM-SP 28.886)
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