Quem não conhece o Tapa na Pantera, um dos maiores fenômenos da internet em 2006? A brincadeira da atriz Maria Alice Vergueiro, 72 anos, e um grupo de estudantes da FAAP virou notícia quando saiu no Youtube. Como hoje é dia da avó, nada melhor do que falar de uma das vovós mais famosas da atualidade, principalmente depois de ter atuado como “vovó maconheira”.
Pois é! Maria Alice tem dois filhos e é avó de quatro netos. Para Maria Isabel, a neta mais velha, de 22 anos, a atriz é uma pessoa extremamente especial, não só por ser avó dela, mas pelo carinho imenso e a ligação entre elas. Além de Isabel, os outros netos de Maria Alice Vergueiro são José Francisco, de 15 anos, Marina, de 10 anos e Gabriela, de 6.
“Minha avó é diferente da vovó tipo Dona Benta, sabe? É ela é muito mais minha amiga, com quem tenho afinidade e intimidade. Ela me dá muitos conselhos e eu os sigo à risca porque confio muito nela”, conta Isabel, que é uma grande fã do trabalho de Maria Alice Vergueiro.
Sobre o Tapa na Pantera, Maria Isabel revela que não se espantou nem ficou constrangida. “Mas foi um susto no começo porque todo mundo tinha visto menos eu e eu não entendia direito do que estavam falando. Mas depois que vi eu dei muita risada e aplaudi, porque minha avó é brilhante!”.
Maria Isabel ainda conta que o curta-metragem teve duas funções importantes. A primeira foi ter quebrado um tabu. “As pessoas falam da maconha com muita hipocrisia. É preciso lutar contra isso”, analisa. A segunda função importante, de acordo com Maria Isabel, foi ter apresentado sua avó para os mais jovens. “Antes do Tapa na Pantera somente os pais de amigos e quem freqüentava o teatro há mais tempo que conhecia a minha avó. De um mês para o outro todos os meus amigos sabem quem é a Maria Alice Vergueiro. É muito legal uma pessoa da idade dela falar pela internet, um meio tão jovem”, conclui.
Para comemorar o dia da avó em grande estilo, o iG Jovem aproveitou e fez uma entrevista com Maria Alice Vergueiro para saber: “quem é a vovó do Tapa na Pantera”? Confira!
Que tipo de avô você é?
Acho que sou uma avó permissiva. Toda avó, de uma certa maneira, tem um comportamento parecido. Acho que são um tipo de mãe-com-açúcar, sabe? São mulheres mais velhas e que não têm mais aquela necessidade de educar, de ser rígida, de levar as coisas com muita exigência. Penso que sou assim também. Tenho um relacionamento simpático com os meus netos, principalmente com a mais velha, que tem um temperamento parecido com o meu.
Como você se sente usando internet como uma avó e aos 72 anos?
A internet é uma forma de rejuvenescimento. Estou gostando muito dessa experiência.
De certa maneira, a internet me deu uma nova dimensão nas relações. Mas ainda é um pouco cedo, é tudo muito novo para mim, só estou nessa há um ano. De qualquer forma, está sendo revitalizador. Já tenho um blog e perfil no Orkut. Preciso de alguma ajuda com o blog porque colocamos muitas músicas. O Eron Coelho, grande amigo, me ajuda muito. Como eu batia à máquina, tenho facilidade com o teclado, digitando. Mando e-mails, entro no blog e publico as coisas mais simples.
E o que você acha do Youtube, a ferramenta que deu tanta visibilidade?
Eu acho o Youtube fantástico. O que caiu no Youtube, nem Roberto Carlos segura. O vídeo do Tapa na Pantera foi uma forma de me conscientizar muito dessa realidade da internet. Fiz o vídeo com os alunos da FAAP em forma de brincadeira. E deu certo! O melhor é que eu marquei uma época no Youtube. Antes o site tinha uma coisa mais familiar, não tinha o rigor do teatro, do cinema. Tinha, e ainda tem, um conteúdo mais simplório. O meu caso e outros semelhantes foram resultado de uma procura uma forma de aliar a espontaneidade ao rigor técnico e de interpretação.
Qual foi a reação dos seus netos ao Tapa na Pantera?
Na verdade, essa moçada toda está muito mais preparada para as coisas. Acho que não teve nenhum escândalo como teria sido há algum tempo atrás, ou como foi com os mais velhos. Os jovens viram muito mais o humor do que uma apologia à droga. Meus netos não me conheciam como atriz e me procuraram para saber se era verdade ou se era atuação. Me descobriram como uma atriz espontânea e isso foi maravilhoso! Eles estão mais familiarizados com o mundo da droga, da surpresa, do impacto do que imaginamos. Estão mais donos deles mesmos também. Percebi que não existe a impressão que, nós, mais velhos, temos da iniciação à droga e ao mundo real. A internet ajuda a banalizar o pudor e a hipocrisia e deixa muito livre. Vejo que os jovens reagem tudo de forma mais lúdica do que moralista. Acho que o que importa mesmo é você acabar com a censura, com uma relação vertical. Dizer que a criança não pode ver isso, não pode ver aquilo é bobagem. Acho que é preciso formar o juízo, vendo tudo, e dando exemplo.
à Maria Alice Vergueiro está em cartaz com a peça Matamoros – Da Fantasia, de Hilda Hilst, no CCBB. Além dela, Sabrina Greve, Luis Päetow e Bia Azevedo estão na peça. É Bia Azevedo que assina a direção. A peça fica no Centro Cultural até o dia 5 de agosto.
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