O perigo do uso de viagra pelos jovens

Dr. Ricardo de La Roca

Curiosidade, esta é a palavra chave que faz os jovens experimentarem o Sildenafil, mais conhecido como Viagra, sem prescrição médica. Eles experimentam a pílula azul para observar as reações causadas no organismo. Curiosidade arriscada, diga-se de passagem.

O Viagra foi desenvolvido em 1998 com o objetivo de tratar a disfunção erétil, popularmente, conhecida como impotência sexual. No início, este medicamento estava sendo pesquisado com o objetivo de melhorar a circulação, mas depois foi observado que era útil também no tratamento da disfunção erétil masculina. Quando o Viagra foi lançado, sua comercialização era restrita à indicação médica. Porém no Brasil, é fácil driblar esta obrigatoriedade.

Se tomar o remédio sem indicação médica é prejudicial à saúde, o que dizer dos que arriscam a própria saúde com a compra de "genéricos para a ereção trazidos de países vizinhos”?

O Viagra tem os seus "genéricos", que podem ser encontrados por valores mais baratos que os originais. No Paraguai, a cartela com 20 comprimidos de um desses genéricos custa em média R$ 18,00, quando a média da cartela de Viagra comercializada no Brasil é de R$ 115,00, com quatro comprimidos. Apesar de não ter permissão para ser comercializado no Brasil, o medicamento genérico ainda é encontrado no mercado negro.

Do ponto de vista médico, o jovem não apresenta necessidade e nem mesmo indicação de tomar o Viagra. É muito bom ter em mente que os remédios para disfunção sexual não são medicamentos que servem para melhorar o ímpeto sexual, a habilidade de ejaculação ou a capacidade de ter orgasmos. Estas drogas não são um agente de aprimoramento sexual para homens normais.

Se ainda assim, o jovem insiste e faz uso do medicamento, é bom saber que riscos existem. O uso descontrolado de medicamentos para disfunção erétil pode causar efeitos colaterais severos como aumentar os riscos cardiovasculares, provocar cegueira, desencadear problemas de pressão e causar desmaios. E outros efeitos colaterais mais passageiros, tais como sensação de queimação e uma vermelhidão no rosto. Alguns pacientes têm reações como a visão alterada na percepção das cores azul e verde e outros apresentam dores abdominais.

Um fator pouco discutido, mas de suma importância é a dependência psicológica que pode ocasionar nos mais jovens, “uma falsa impotência sexual” se não tiver tomado o medicamento antes da relação, causando uma verdadeira dependência difícil de superar.

Coquetel de Viagra

O maior risco do uso do Viagra e de “seus genéricos”, sem prescrição médica, é a associação destes medicamentos com álcool e outras drogas. A mistura do produto com álcool dá origem a um coquetel perigoso. O Viagra e o álcool, justamente por atuarem de formas semelhantes, também resultam em efeitos colaterais parecidos. Entre eles, estão dores de cabeça mais fortes. Isso sem falar que o uso abusivo do álcool, mesmo com o Viagra, diminui a libido. Não é recomendável misturar o Viagra com outros medicamentos. Com drogas, por exemplo, ele nunca deve ser usado. A mistura com drogas ilícitas, como a maconha e o ecstasy, é extremamente perigosa. A droga atua no sistema nervoso central e estimula a intensidade e a duração da relação sexual. Porém, depois do efeito alucinógeno, o ecstasy provoca a constrição dos vasos sanguíneos, dificultando a ereção. Além disso, há chances de ocorrer um problema cardíaco, pois, juntos, Viagra e ecstasy sobrecarregam o coração.

Um abraço, Dr. Ricardo de La Roca.
(CRM-SP 28.886).

 



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