Todo mundo sua e, logo, todo mundo tem no mínimo um pouco cecê, um cheirinho debaixo do braço.
Tudo bem que não é o suor que cheira mal. O que cheira mal mesmo é o resultado da ação das bactérias no suor, e não há maneira de se livrar completamente delas.
Enquete
Mas pelo menos as pessoas se incomodam quando não conseguem controlar o cheirinho, a julgar pelos internautas que participaram da nossa enquete. A maior parte das pessoas que responderam a pesquisa (48%) se incomoda mais quando é a propria fonte do cheiro ruim. Em segundo lugar estão aqueles que tapam o nariz quando o passageiro do seu lado no ônibus está com cecê, com 28% das respostas. Outros 15% dos participantes disseram que o pior são as “pizzas” que se formam em baixo do braço com o suor. E só 9% responderam que se afastam da namorada quando ela e que está com futum.
Mas se as pessoas perto de você não percebem que estão cheirando mal, vale sempre uma conversa sincera. Ou então dê de presente um desodorante, aí ela vai entender. Até por que, para quase todos os casos, um banho e um perfuminho resolvem.
Porque cheiramos mal?
Como explica a doutoranda em microbiologia da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Adriana Mayrink, produzimos dois tipos de suor. “O tipo mais comum é basicamente água e sais minerais, servindo para regular a temperatura do corpo. O outro, além da água tem substâncias que o corpo precisa expelir. É dessas substâncias que as bactérias se alimentam”, conta a pesquisadora. Só começamos a produzir esse segundo tipo de suor quando entramos na adolescência, e, portanto, só então começamos a ter o cecê.
Você deve se lembrar que o cheirinho azedo debaixo do seu braço aumentou da primeira vez que você sentiu até começar a usar desodorante. E isso é normal. Com o tempo a quantidade de bactérias aumenta e com isso aumenta também o cheiro de cecê.
“O principio básico de quase todos os desodorantes é usar álcool para matar as bactérias”, comenta a pesquisadora da Fiocruz. Mas em alguns casos só a função anti-séptica dos desodorantes não dá conta, principalmente para quem pratica esportes todos os dias. Uma solução para isso são alguns desodorantes que têm também função antitraspirante. Com menos suor, menos cecê.
Pessoas que têm problemas crônicos de cecê, mesmo tomando banho e passando desodorante antitranspirante, não conseguem diminuir o suficiente às bactérias. Se a coisa é calamitosa, as bactérias começam a se instalar nas roupas. Aí uma das soluções é ferver a peça, ou comprar outras.
Para combater os casos graves, siga essas dicas:
- Use também sabonetes degermantes (que acabam com os germes) que são encontrados em supermercados como o protex ou o soapex.
- Em algumas farmácias de manipulação existem remédios para diminuir a transpiração, mas para isso você vai precisar de receita médica. Até porque, se o seu caso não for excesso de transpiração, não compensa tomar algum remédio desse tipo. Lembre-se: parte do que saí do suor precisa ser expelido do corpo, é parte de um processo de desintoxicação.
- Na hora do banho dê atenção especial para as axilas e a virilha. Se possível, tome mais de um banho por dia.
Se nem esses procedimentos funcionarem, você sempre pode ir para “o mangue conversar com urubu”, como diria Chico Science.
A expressão Cecê é reconhecida pelos dicionários, sim.
Apareceu pela primeira vez na década de 1940, num comercial do sabonete importado da Inglaterra chamado Lifebuoy, muito comum no Brasil depois da segunda guerra mundial.Na propaganda do sabonete era dito que ele era o mais eficiente em acabar com o Body Odor, ou B.O. Na tradução virou B.O. virou Cheiro Corporal, ou Cecê.
Outra curiosidade: na publicidade do Lifebuoy diziam que existem 13 pontos perigosos para desenvolver o cecê. Você saberia quais são eles? Nós não. A conta da redação pára no nono ponto, isso contando o sovaco esquerdo como um e o direito como outro.