Li no Omelete que o filme quase chamou "Vida de Goleiro", posição que fascina o garoto, mas por sugestões marqueteiras mudou de nome em busca do público feminino. Deu (muito) certo. A sessão tinha mais mulheres do que homens e todas elas, inclusive a minha, saíram mais emocionadas do que Tostão após o jogo contra a Itália

PODCASTING
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Brasileirão
Cinco pontos. Quatro rodadas. São Paulo com a mão na taça mas algumas brigas reservadas para os últimos minutos. Libertadores acirrada. Rebaixamento em pânico, com dois campeões brasileiros candidatos (Fluminense e Palmeiras). Quando o próximo domingo chegar, daqui a duas rodadas, tudo poderá ser diferente. O mesmo na série B. Quando Coritiba e Galo terminarem de jogar no próximo sábado, no mesmo horário que toda a rodada, faltarão dois jogos... muito emoção
Eles, os meias
Antes de começar a rodada deste final de semana dos campeonatos europeus, um fato curioso. Nossos meias estão fazendo jornada dupla. Armam o jogo e fazem os gols. Dá uma olhada em alguns artilheiros de última hora:

- Liga dos Campeões
Artilheiro: Kaká com 5 gols

- Campeonato Alemão
Artilheiro: Diego com 5 gols (empatado com outros)

- Campeonato Espanhol
Artilheiro do time: Ronaldinho com 6 gols

- Campeonato Francês
Artilheiro do time: Juninho (empatado com Fred) com 5 gols

Enquanto isso, Ronaldo e Adriano sequer marcaram. Ricardo Oliveira fez 1 e Robinho apenas 2. Fred lava a honra dos atacantes brasileiros de ponta ao ter feito 5 até aqui.
Kaká
Que fique claro que esta coluna é semanal e por isso está pensando na atuação de Kaká pela Champions League, quando fez 3 dos 4 gols do Milan contra o Anderlecht. Fazer três gols neste tipo de torneio é honra para poucos na história e o brasileiro não só fez como um deles foi um golaço. Pois Kaká é o primeiro do Quadrado Mágico a quebrar o jejum de BomdeBolaFC desde a Copa. Kaká é o BomdeBolaFC da semana





Esse cara não fala coisa com coisa

Por Maurício Teixeira (mteixeira@ig.com), 07/11/2006

Fui com minha mulher ver o filme O Ano Em Que Meus Pais saíram de Férias, do diretor brasileiro Cao Hamburguer. O filme conta a história de um menino de Belo Horizonte deixado às pressas pelos pais na casa do avô num bairro de imigrantes em São Paulo.

Os pais, envolvidos com a oposição ao regime militar, fogem e a última promessa do pai ao menino, fanático por futebol, é: 'volto para a Copa do Mundo', que era a de 1970.

No filme, entre temas religiosos e políticos, uma discussão deliciosa que tomava conta da época: Pelé e Tostão podem jogar juntos? A resposta mais freqüente era não.

O menino não concordava e repetia o bordão do pai: "Esse cara não fala coisa com coisa". Méritos técnicos ou táticos à parte, até hoje a gente ouve o Zagallo bater no peito e dizer que ele colocou Pelé e Tostão no mesmo time contra tudo e todos e deu certo. Muito certo. Pois aquele talvez tenha sido o melhor time de futebol de todos os tempos.

Da tela para o bar

No conversa de bar após o filme, entre questões políticas e análises históricas, tentei transportar a polêmica para nossos dias. Tivesse este filme sido lançado um mês antes da Copa de 2006, ele teria uma discussão parecida, mas inversa. Afinal poucos de nós éramos efetivamente contra o quadrado mágico de Parreira.

Poucos mesmo. A lembrança do baile na Argentina na final da Copa das Confederações era tão viva que atrever-se a pedir o fim do Quadrado Mágico era um ato revolucionário. Para o país do futebol, pedir ao Parreira que desista de um atacante para colocar outro meia, por mais certo que pareça hoje, era uma tarefa que beirava ao vexame. Logo o Parreira que jogou a final de uma Copa com Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho no meio-de-campo.

Não posso falar por todos os colunistas, mas posso falar por mim. Seis meses antes da Copa, quando o Adriano ainda estava em ótima fase, eu não estava convencido de que ele poderia jogar com Ronaldo. Não me agradava muito também o fato do Ronaldinho Gaúcho jogar tão recuado. De qualquer forma, era tímido nas minha críticas, pois achava que uma simples substituição de Adriano por Juninho resolveria todos os problemas.

Confiava também na máxima que vem desde a Copa de 70 de que o talento tem preferência e que por isso, Ronaldo, Adriano, Kaká e Ronaldinho, quando a Copa chegasse, dariam jeito de jogar ainda que a formação não fizesse muito sentido.

Do bar para a Alemanha

Veio a convocação final de Parreira, uma unanimidade (burra?). Não me lembro de um crítico de peso ou a opinião pública contestando o grupo. A ficha só caiu mesmo de que a coisa estava feia quando Ronaldo e Adriano entraram em campo contra a Croácia. Apenas naquele momento ficou claro que eles não poderiam jogar juntos. Esquema e peças estavam erradas. Muito mais as peças, de quem se esperava um sopro de talento até o último minuto (falta do Ronaldinho Gaúcho contra a França).

O Quadrado Mágico foi uma aposta. Mauro Silva, Dunga, Mazinho e Zinho, outra. O mesmo foi Falcão, Cerezo, Sócrates e Zico. E, claro, a aposta do século foi Pelé com Tostão. A linha que separa a glória da chacota é mais fina do que se pode imaginar. 

E esse cara, o Maurício, assim como outros que vieram e virão, não fala mesmo coisa com coisa.

Maurício Teixeira escreve semanalmente a coluna BomdeBolaFC, sempre às terças-feiras. Edição 96 - ano II. Durante a semana, confira os posts diários do BlogdeBola




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