Belletti não merece nem merecia ser convocado. Se o Barça tivesse Messi ou Xavi em forma, provavelmente nem teria entrado. Mas, como o Barcelona, o Brasil precisa acreditar no fator surpresa. As vezes é o inesperado que decide (foto Reuters)

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Ele perdeu uma
Ronaldinho não levou o Laureus, espécie de Oscar do esporte. O suíço Federer levou. Quem gosta de tênis sabe que o prêmio é mais do que justo. Federer, como Ronaldinho, é uma unanimidade no esporte mesmo tendo tomado duas seguidas de Nadal. Assim como Ronaldinho, mesmo com pouca idade, Federer já é colocado como um dos melhores em seu esporte em todos os tempos. Agora sente só o time que concorria ao prêmio: Federer, Ronaldinho, Lance Armstrong, Tiger Woods, Fernando Alonso e Valentino Rossi.
No Brasil

Belas rodadas do Brasileirão até o começo da Copa. Vai dar para esquentar bastante para o Mundial. Agora, vá explicar pq a Copa do Brasil pára. Seria genial ter as duas finais entre Vasco e Flamengo nestas próximas duas semanas. Realmente não tem explicação.

Herói
Nem no meu pior pesadelo achei que o Belletti seria o melhor jogador da semana nesta coluna. Nem no melhor sonho de Belletti ele seria o herói de um dos títulos mais importantes da história do Barcelona. Belletti é o BomdeBolaFC incontestável desta semana, mesmo não tendo sido o melhor jogador da partida (Eto'o para mim o foi). Mas a mística do seu gol, o replay através dos tempos será semre do lateral brasileiro. Parabéns





Os ensinamentos do Barcelona para a seleção

Por Maurício Teixeira (mteixeira@ig.com), 23/05/2006

Deu tudo certo, vamos por assim dizer. O Barcelona foi campeão da Champions League. O melhor time, do melhor jogador, do melhor futebol jogado em todo o torneio. O time que eliminou Milan e Chelsea, dois dos favoritos ao título, além de bater o Arsenal na final.

Mas poderia ter dado 'tudo errado'. E os ensinamentos da tensa e grandiosa final da Champions para a seleção brasileira, tão favorita, não são poucos.

- Tudo se resolve em um jogo apenas

Pois é. Como gosto de bater e bater e insistir na minha coluna. Copa do Mundo se resolve em um jogo. Oitavas, quartas, semi e final. São quatro disputas decididas em apenas 90 ou 120 minutos. Teve um jogador expulso, tomou um gol de contra-ataque, escorregou no gramado, erro do juiz e você pode virar o primeiro tempo perdendo de 1 x 0. Não sou uma máquina de estatística mas Virar uma partida, por mais que seja o Brasil de 70 contra o Brasil de 90, não é fácil. Quando do outro lado ainda tem um time razoável, passa a ser muito difícil. Tem que começar a mil por hora, mas com calma. Não estar ganhando de 4 x 0 aos 30 do primeiro tempo não pode ser motivo para desespero. Tem que cuidar sempre da defesa e tomar a iniciativa com cautela. Não custa estudar o adversário por alguns minutos e confiar no talento dos atacantes para começar a partida e não no desespero vindo de trás. O Barcelona afobou-se, com um a mais, e abusou da sorte ao deixar Puyol cuidando de tudo por lá. O Arsenal abriu o placar e se tivesse 11 contra 11 dificilmente tomaria o gol de empate.

- O ferrolho

Tudo bem que a zaga e o goleiro do Arsenal são acima da média. Mas Austrália, Japão e nossos adversários na segunda fase vão fazer de tudo para frear a seleção brasileira. Pense que a possibilidade da Itália ser nossa adversária nas oitavas é bastante viável. Não vai ser mole passar pelo ferrolho do calcio se isso vier a acontecer. Com o agravente que Totti e Del Piero podem decidir o jogo no contra-ataque ou numa bola parada. Fica a lição de criar alternativas. Ronaldo recuado, Zé Roberto passando por trás de Ronaldinho na ponta, chutes de fora da área. Nem sempre vai dar para entrar tabelando ou driblando com bola e tudo.

- Ronaldinho

Discordo totalmente de quem diz que Ronaldinho jogou mal a final da Champions. Pode até não ter feito chover ou dado toque para um lado olhando para o outro. Mas Ronaldinho fez o que terá que fazer na Copa quando receber a marcação que recebeu. Abrir espaço, lutar, dar combate no meio, tentar o drible na ponta e nos poucos momentos em que estiver livre, arranjar um passe extraordinário como o que fez a Eto'o no lance da expulsão de Lehmann. A única coisa que ele não podia fazer era prender a bola de forma não efetiva, apenas por vaidade de ser o melhor jogador da final ou de todos os tempos. E isso ele não fez. Se ele jogar assim todos os jogos e ainda abrir espaço para Ronaldo e Kaká, arrisco a dizer que podemos vencer a Copa do mesmo jeito. Agora, se ele jogar ainda mais, dando aqueles shows como o que deu no Milan, aí realmente o caneco fica mais próximo.

- Um time além de Ronaldinho

Até por isso, temos que ter um time além de Ronaldinho. Os piques do Ronaldo, o clássico Kaká, as patadas do Adriano, o facilitador Zé Roberto, os chutes do Roberto, as cabeçadas do Emerson, o pulmão do Cafu precisam estar tinindo. Só lembrar a bola que Deco e Eto'o jogaram na final contra o Arsenal. Não adianta nada ficar 5 marcando o Ronaldinho e os 4 brasileiros que sobram não terem poder de decisão.

- Um elenco além de Ronaldinho

Eto'o e Deco eram titulares. Mas quem viu a final do Arsenal sabe que os reservas decidiram o jogo. Larsson fez sua melhor partida da vida. Deu as duas assistências para os dois gols. Iniesta deixou de ser menino para virar adulto quando entrou. Dominou o meio, desafogou Deco e marcou as arrancadas do Arsenal no final. Belletti comento no próximo tópico. Mas a seleção não pode ser diferente. Robinho é a substituição óbvia do Quarteto. Deve entrar mais de uma vez. Juninho é outro que pode inverter o quarteto no meio do jogo. Mas os outros, de Fred a Ricardinho. De Cicinho a Cris precisam estar ligados e focados. Nunca se sabe quando vão entrar e decidir uma partida.

- Um fator que ninguém nunca poderia esperar

E, claro, não custa contar com aquele fator sorte ou inesperado para vencer uma Copa do Mundo. Na final da Champions ele atendeu pelo nome de Juliano Belletti. Uma substituição que para muitos seria trocar seis por meia dúzia decidiu o jogo. Belletti entrou e o Arsenal não esperava. Como Oleguer não foi e quando foi a natureza cuidou, o time inglês não tinha amrcação tripla pelo setor como tinha do lado esquerdo. Deu no que deu. O Brasil precisa aprender também esta lição.

Maurício Teixeira escreve semanalmente a coluna BomdeBolaFC, sempre às terças-feiras. Edição 73 - ano II. Conheça também o Blogdebola.com




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