O tamanho do pênis sempre foi – e ainda é - uma das maiores preocupações dos homens ao longo da história da sexualidade. Imagine que cerca de 60% dos e-mails que eu recebo abordam esse tema. Na verdade, o homem sempre relacionou poder, força e potência com a dimensão do pênis. Do lado feminino, sabe-se que falos de grandes dimensões fazem parte das fantasias eróticas delas.
Apesar de muitas queixas, o que se observa na prática diária dos consultórios urológicos é que 90% dos pacientes que reclamam do tamanho do pênis apresentam-se esteticamente adequados. Quanto aos outros 10%, apesar do tamanho normal, apresentam-se esteticamente inadequados. São pacientes, em geral, obesos e com pênis parcialmente escondido pela gordura pré-pubiana, ou indivíduos altos e com pênis proporcionalmente pequenos.
O fato é que apenas 1% das pessoas que “reclamam” do tamanho do pênis apresentam o que se chama de micropênis. O consenso mundial determina a extensão do micropênis: 4 cm em flacidez e de 7,5 em ereção.
Quanto ao produto nacional, o tamanho médio do pênis do brasileiro é de 13 cm de comprimento. A vagina da mulher tem, em geral, 8 cm de comprimento, sendo que somente os 3 cm iniciais têm sensibilidade.
Dá pra alongar?
Existe um tipo de cirurgia que “avança” o pênis de 2 cm até 4 cm, na melhor das hipóteses. Seria como “liberar” o freio da língua. Você não aumenta do tamanho do pênis, mas o libera de sua fixação. Só que essa técnica acarreta perda do ângulo acima de 90 graus, ou seja, mesmo rígido o pênis fica voltado pra baixo.
Outra técnica usada é a lipoaspiraçäo da gordura pré-pubiana, que proporciona uma aparência maior do pênis. Todavia, a gordura poderá retornar ao local em alguns meses.
Algumas cirurgias de “engrossamento" - aumento do diâmetro - são feitas por meio da técnica de lipoescultura, mas geralmente fracassam, já que o tecido gorduroso injetado é 50% a 90% absorvido em um ano. Tal procedimento ainda pode causar assimetria, nódulos ou curvaturas irregulares e outros danos à estrutura do pênis, como lesões arteriais e de nervos, levando à impotência, ou mesmo ocasionando cicatrizes que acabam por diminuir as dimensões do órgão. Existe ainda o risco de resultados precários que ocasionem ao paciente frustração proporcional à expectativa de sucesso existente antes da cirurgia.
Com relação às técnicas não cirúrgicas ditas fisioterápicas, como extensores e outros aparelhos, não existe nenhum trabalho científico digno de confiança que deponham em seu favor.
É bom lembrar que as técnicas cirúrgicas para aumento do pênis são experimentais e estão proibidas pelo Conselho Federal de Medicina, apenas reservadas aos chamados micropênis. Cresce a cada dia o número de processos movidos por pacientes contra médicos acusados de imperícia e lesão corporal decorrentes de cirurgias penianas, inclusive de alongamento.
Em resumo, a técnica de alongamento peniano é agressiva, arriscada e com muitas complicações possíveis. Além disso, sua realização deve ficar restrita a centros de pesquisa, conforme determina uma resolução do Conselho Federal de Medicina.