Os modelos masculinos e os rótulos

Letícia Zioni

Não é todo mundo que compreende ou aceita a vida de modelo masculino. Trocar de roupa na frente de meio mundo, fazer caras e bocas para fotógrafos, usar maquiagem: essa rotina do modelo profissional acaba mesmo sendo motivo de piada, inveja e até preconceito de muita gente. Mas como eles, os modelos, encaram sua profissão e os mitos que a envolvem?

Modelo = gay?

Tem muito gay no mundo da moda, e isso não é novidade para ninguém. Por isso, quando  Fernando Johann e Jonatan Wasen contaram aos amigos que estavam trabalhando como modelos, a turma caiu de pau: “os caras zoam muito, não tem limite”. Por esse e outros motivos que Marc Deitos evita ao máximo contar que é modelo. “Todo mundo te olha de um outro jeito, prefiro ficar na minha”, conta.

“O que eles (os amigos) não sabem é que é preciso ser muito macho para ser modelo”, brinca Stefan Doiritz. “Quem fica se preocupando se isso é coisa de gay ou não é quem não se sente seguro”, acredita ele.

O modelo Bruno Artioli conta que certas coisas o incomodam no mundinho fashion. “Já recebi proposta de produtor falando que se eu ficasse com ele, pegaria trabalho bom, isso acontece mesmo”, diz. Tem menino novinho, que ainda não sabe o que quer da vida e acaba sendo influenciado por esse tipo de coisa”, diz ele. O modelo Stefan Doiritz acha que por ser um ambiente com muitos gays, fica mais fácil para as pessoas se assumirem. “Isso é bom, não tem hipocrisia, não é que nem escritório de advocacia que tem um monte de homem enrustido”. “Não me incomoda conviver com gay. Como em qualquer profissão, é preciso se dar ao respeito para ser respeitado”, argumenta Stefan.

Coisa de garanhão?

“Pô, qualquer cara que é bonito consegue ficar com mais meninas. E como modelo geralmente é bonito, ai você já sabe...”, diz Stefan, que freqüentemente é usado como isca pelos amigos. “Os caras saem na balada falando que são amigos de modelo e blábláblá. Dizem que assim as minas se interessam mais, nem ligo”, diverte-se. 

Mas parece que eles não se empolgam muito em ‘botar panca’ de modelo. Perguntamos a vários deles se vale revelar no xaveco a profissão e a resposta foi unânime: não.

 Para Marc, as meninas “se assustam” ao saber que ele é modelo. “Tem muita menina que fantasia a profissão, acha que é impossível confiar num modelo”. Jonatam diz preferir “passar a imagem do que ele é, e não do que ele faz”. Fernando endossa a preocupação contando quem, quando revela que é modelo, “na hora a menina te olha de cima a baixo, já começa a te julgar”. Difícil a vida deles, não?



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