Será que a máxima carnavalesca “é dos carecas que elas gostam mais” é verdadeira? Será que a escassez de couro cabeludo está proporcionalmente ligada ao interesse desperto por parte do sexo frágil?
Existem homens que são a prova viva de que falta de cabelo não é problema quando o assunto é cativar o mulheril: o duro de matar Bruce Willis, o sempre complexo Nicolas Cage, o canastrão-come-todas Jack Nicholson e o veterano Sean Connery, que, diga-se de passagem, só passou a ser apreciado pelo público feminino quando começou a perder a cabeleira.
Mas um dado importante é que todos eles, os carecas-arrasa-quarteirão, começaram a chamar a atenção na casa dos trinta e atualmente já passaram dos quarenta... e se você, recém-chegado aos vinte (ou ainda nem isso!), já está notando uma certa abertura de espaço na cabeça, fique alerta, pois em geral as menininhas mais novas não apreciam tal visual.
Nesse caso, existem três opções para lidar com o problema: tratá-lo, disfarçá-lo ou assumi-lo. E é importante que você esteja ciente de que cada uma das alternativas exige muita serenidade e determinação.
Para tanto, dividimos essas três atitudes distintas e exploramos suas particularidades, visando auxiliar os carecas prodígios a optarem pela melhor alternativa.
Tratamentos!
Atualmente existe uma gama enorme de tratamentos para calvos e carecas. No lado mais radical, existe o microtransplante, que consiste numa cirurgia onde fios com raízes são retirados de uma área (a nuca, por exemplo) e implantados nos pedaços mais calvos da cabeça.
No outro lado, estão os tratamentos com medicamentos, que encontram na Finasterida e no Minoxidil seus principais representantes. No meio desta briga ainda existem as próteses por entrelaçamento e micropele, que de uma maneira ou de outra ajudam a disfarçar o problema.
“É importante que o jovem procure um dermatologista para descobrir a causa da sua perda de cabelo, que pode estar ligada à herança genética ou a doenças do couro cabeludo, imunológicas, quadros de micose e até distúrbios hormonais”, explica a médica Maria Raquel Nogueira Cavalcante, especialista em dermatologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).
De acordo com ela, somente após uma avaliação clínica é possível determinar qual tipo de tratamento é o mais indicado ao paciente, que em alguns casos chega a iniciar a perda de cabelo na adolescência.
“Após confirmada a calvície hereditária, o paciente pode optar por um tratamento tópico, como o Minoxidil e o 17 Alfa-estradiol, que são aplicados diretamente no couro cabeludo, ou um tratamento sistêmico, como a finasterida”, conta ela.
A finasterida, ao contrário de outros tratamentos, é centro de uma outra polêmica entre os círculos de carecas. Reza a lenda que ao mesmo tempo em que a substância tem o “poder” de reavivar raízes de cabelo inativas, ela diminui o desejo sexual de seu usuário.
“Existem descrições da diminuição da libido numa incidência muito pequena de pacientes. Esse efeito foi descrito em menos de 2% dos homens em uso da medicação mas, no caso de acontecer, é totalmente reversível com a suspensão da droga”, garante a dermatologista.
Disfarces!
Nada de apelar para as famosas perucas! Bonés, chapéus ou o recurso da máquina zero são as palavras de ordem por aqui.
A técnica do boné 100% do tempo na cabeça funciona com muita gente famosa, como os vocalistas Fred Durst, do Limp Bizkit, e João Gordo, do Ratos de Porão. O importante é descobrir qual tipo de “cobertura artificial” fica melhor com o seu tipo de rosto e, ao mesmo tempo, pode ser utilizada em diversas ocasiões.
Usar uma boina “Che Guevara” no casamento da sua irmã ou comparecer a um show de rap com um chapelão de cowboy não integram a lista das boas opções.
O outro lado da moeda consiste em adquirir uma máquina de corte de cabelo e semanalmente passá-la a zero na cabeça. Essa técnica também é popular entre músicos, como Herbert Viana, dos Paralamas do Sucesso, e Billy Corgan, do Smashing Pumpkins.
“Não dá muito trabalho disfarçar. Eu preciso é trabalhar o psicológico para aceitar a situação”, conta o bem humorado Nicolas Vargas, de 24 anos, que já convive com o fantasma da calvície há algum tempo.
De acordo com ele, o lance do disfarce lhe dá três alternativas: o corte moicano, que serve para desviar o fofo; a raspagem total da cabeça, que serve para generalizar a solução; e o boné, de uso ostensivo.
“Quando ficar careca de vez pretendo já ter um armário com aproximadamente 200 mil bonés para variar”, finaliza, aos risos.
Orgulho!
Se você não tem dinheiro para entrar em algum tratamento já citado, ou está sem saco de dedicar seu tempo em técnicas de disfarce modernas, a opção é assumir a careca e correr para o abraço.
Por mais improvável que possa parecer, existem pessoas que se orgulham de suas calvícies precoces e não se incomodam em fazer piada sobre o assunto. Nesse grupo encontram-se os amigos Marcus Vinicius, Luiz Cláudio e Nelson Corban, que criaram em 2000 o website Clube dos Carecas.
Nele, o trio trata com bom humor assuntos que envolvam o cotidiano dos carecas, desde notícias sérias, como tratamentos e dicas, até besteirol puro, como piadas e histórias engraçadas.
“Comecei a perder cabelo aos 19 anos e tentei de todas as formas esconder, pois não aceitava de jeito nenhum minha nova condição. Cheguei a namorar uma garota por um ano e ela praticamente nunca me viu sem o boné”, conta Marcus.
Mas tudo mudou quando ele resolveu assumir a careca, adaptando-a ao seu visual habitual. Ao contrário dele, seus “sócios” Luiz e Nelson optaram por caminhos diferentes. O primeiro fez transplante e o segundo faz tratamento até hoje.
“Criamos o site e descobrimos que gente do mundo todo passa pelo que nós passamos. Nele gostamos de deixar claro que careca não é coisa só de velho. Você pode ser jovem e careca, ser bonito e careca”, explica ele.