Estilo Lowrider

Guilherme Rampazo

Ao pé da letra, Lowrider quer dizer “andar baixo”. A expressão refere-se àquelas carangas rebaixadas, com pintura chamativa, rodas especiais e suspensão móvel, que vira e mexe, aparecem em videoclipes de rappers americanos. Mas para os admiradores, Lowrider significa muito mais que um carro: é um estilo de vida.

O Lowrider surgiu nos anos 50, com os “Chicanos”, que são os latinos residentes na periferia de Los Angeles. A montagem de carros malucos foi uma forma que eles encontraram para serem notados e mostrar que todas as pessoas têm valor, independente de onde elas vieram. Isso virou um movimento, uma cultura.

Essa cultura surgiu associada ao movimento Hip-Hop. Por isso, seu público cativo confunde-se com a galera do rap, do break e do grafite, técnica que influencia muito as pinturas exóticas feitas nos carros.

A cultura Lowrider só chegou por aqui no Brasil há pouco mais de seis anos e, de lá para cá, o número de adeptos só cresceu, principalmente entre os jovens, e incorporou características comportamentais bem próprias.

Hoje já existem eventos, revistas, feiras, indústrias de peças e filmes especializados nesses veículos modificados. Rafael Leandro, de 18 anos, foi a um encontro de Lowriders com dois amigos e diz que foi amor à primeira vista. “Nossa... ficamos encantados com as ´banheironas` e colocamos na cabeça que, mais pra frente, vamos comprar as nossas. Já pensou dar um rolê num bichão daqueles?”, sonha ele. Hoje Rafael coleciona fotos desses carros e torce para que role logo outra oportunidade de ir a um encontro daquele.

As “barcas”, como são muito conhecidos esses carrões, são montadas com um sistema hidráulico que permite que o veículo faça movimentos. Daí o apelido de “carro que pula” ou “carro que dança”. Em quase todos os eventos, as carangas balançam incessantemente ao som de rap e atraem a garotada, que rodeia o carro e chacoalha a cabeça no ritmo da música. Em São Paulo, é comum serem organizados, no mesmo local e horário, a exposição dos carros e shows de rap.

A galera que curte para valer esses veículos não é composta por meros admiradores de carros em geral, pois é mais fiel ao estilo. “Lowrider é muito mais que carro. É algo bem diferente dos Tuning e outros. Não é algo que você pode fazer parte somente para aparecer”, lembra Daniel dos Santos Fagundes, pesquisador e seguidor da cultura.

Isso pode ser comprovado na fidelidade com que são encaradas as regras internas dos chamados “Car Clubs”, os  grupos de seguidores da cultura Lowrider. Entre as normas secretas, existe uma que proíbe os integrantes de falarem com a imprensa.

“Toda comunidade tem regras. Para fazer parte da cultura é preciso ser irmão, ou seja, um cara de confiança”, afirma Fagundes, que não faz parte de nenhum “Car Club”, mas compreende as normas.

Ele tem 19 anos e diz que levou um choque quando viu um Lowrider pela primeira vez. Hoje ele já trabalha na montagem de sua própria caranga. “Posso parecer novo, mas estou envolvido com o movimento Hip-Hop desde os 12 anos. Além disso, não comprei meu Impala 65 e o Kit Lowrider com a ajuda do meu pai ou coisa parecida. Batalhei muito para conseguir tudo isso”, faz questão de ressaltar.

Fagundes desenvolveu o site www.lowriderbr.com.br. Lá é possível conhecer mais detalhes da história da cultura Lowrider, informações técnicas, classificados e vídeos para download. “É para divulgar a realidade do movimento”, conclui.



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