Já dizia Rita Lee em uma música: "Querida, vamos chupar ferida? Ferida não me seduz, prefiro um copo de pus. Amor, vamos lamber tumor? Tumor me causa pigarro, que tal um chá de catarro? Catarro só na caneca, prefiro chupar meleca. Remelas me dão acidez. Já sei: vamos cantar tudo outra vez!”.
Isso te lembra alguma coisa? Não adianta negar: quem nunca participou daquelas boas e velhas brincadeirinhas escrotinhas de menino? Pois é, os que não admitem tamanha falta de ter o que fazer, podem ao menos se recordar das peripécias dos amigos. O ócio criativo de muitos chega a ser inacreditável, mas você já se perguntou o motivo pelo qual isso acontece em determinada fase da vida?
A psicóloga Kelen Pizol disse que tanta nojeira se explica pelo fato de que nesta fase os meninos querem se auto-afirmar. Ao fazer simples gases virarem chamas mal-cheirosas, os garotos estão evidenciando que estão se identificando com o papel masculino e muitas vezes imitando o comportamento adulto.
Bom, seja para chamar a tenção, se auto-afirmar, se divertir ou passar o tempo, o fato é que a grande variedade de modalidades escatológicas que são criadas e sempre renovadas é muito interessante. São tantas as brincadeiras bobas e nojentas que os meninos fazem, que daria para fazer uma Olimpíada Bizarra. Teríamos então as categorias: cuspe e xixi à distância; arrotos de maior duração; puns mais fedidos e mais flamejantes, tiro ao alvo com xixi, quem escreve melhor com a urina e por aí vai...
Por mais que isto pareça incomum, muitos brincalhões se divertem a valer com algumas dessas modalidades. O estudante Ricardo Giosaspo, 19 anos, costuma encher-se de orgulho na hora de contar os seus feitos. “Quem nunca fez que atire a primeira pedra! Acho que até nossos pais e (porque não?) nosso ancestrais já praticavam esse esporte saudável. Sem falsa modéstia, me considero um expert no assunto. Sou bom em todas as categorias e desafio qualquer pessoa a tirar meu título de Cidadão Flatulento do Ano", brinca ele rindo muito.
O designer César Bonfá, 26 anos, já participou de vários campeonatos: “Acho que o lugar mais indicado para se fazer uma prova de pum é o elevador, afinal, qualquer lugar com mais de 3m² não tem muita graça”, sugere ele. Que perigo morar no prédio deste rapaz!
Alguns meninos, quando estão na frente das garotas, não pegam tão pesado, mas outros nem se intimidam. A estudante Renata Costa, 21 anos, que o diga: “já namorei um cara que fazia competições de pum. Ele fazia isso na frente da sala toda. No começo eu achava péssimo, mas depois acabei me acostumando”. O saidinho tinha 22 anos na época e seus amigos não faziam mais isso. “Ele era estilo 'Joselito' (causador mesmo); na verdade não sei nem porque estava com ele. Ele era dedicado a todas as modalidade, mas com certeza a que mais se destacava era a competição de pum”.
Por incrível que pareça, este "esporte escatológico" também é praticado por algumas garotas. Renata acabou com seu preconceito em relação às porquices e chegou a competir com as amigas e é claro que a de arroto era a mais freqüente (talvez por ser a mais light). “Mas não era muito boa nisso”, assume ela, “uma amiga minha era sempre a melhor. Apesar de tudo, acho que tanto para mim, quanto para ele, isso não passa de uma maneira divertida de passar o tempo”, define.
“Cuspe à distância? Com certeza!”, lembra Alexandre Martins, 27 anos, publicitário. “Eu e meus amigos praticávamos com freqüência, geralmente no prédio. Cuspíamos para a rua e no próprio prédio. Na verdade não se tratava de um campeonato, era uma sacanagem mesmo”. Alexandre não sabe justificar o que o levava à brincadeira boba.“Pura falta do que fazer”, arrisca uma explicação.
Com eles rolava um campeonato mesmo, “um cara arrotava e outro tinha que dar um maior ainda. Nunca cheguei a ganhar uma disputa;” conta ele, “pra falar a verdade eu era fraco nessa categoria. Meus amigos eram muito mais porcos do que eu. Já com pum, cheguei a mandar uns “flamejantes”, mas não era muito divertido porque eu sempre acabava me dando mal. Comecei aos 12 anos e até hoje em dia sempre rola aquela sacanagem com os amigos...”. Aja estômago!
Agradecimentos
Psicóloga Kelen Pizol, Rua Alvarenga, 683. São Paulo. Tel: 11 3097 9753