A história é sempre a mesma: seja para a formatura do irmão mais velho, pra festa de 15 anos da prima pentelha ou para o casamento da tia quarentona, grande parte dos jovens não faz a menor idéia do que vestir e acaba quase sempre pagando altos micos com ternos ridículos, muitas vezes alugados ou emprestado do pai. Não é à toa que isso acontece, afinal a atual geração cresceu usando tênis, bermuda e camiseta, e em sua grande maioria não suporta sequer pensar no fato de ter de usar uma armadura contemporânea de terno e gravata.
O resultado é quase sempre o mesmo. Combinações de cores desastrosas, gravatas com estampas patéticas, cintos com fivelas antiquadas e a eterna sensação de mal estar e desconforto de quem nunca na vida foi obrigado a usar camisa de colarinho branco. Para ajudar a evitar tais equívocos buscamos a ajuda da expert Gloria Kalil, que em seu recente livro “Chic[érrimo] - Moda e etiqueta em novo regime” agrupou dicas infalíveis para quem tiver que encarar uma noitada social.
De acordo com a autora, usar sapatênis ou sapatos pretos com design mais pesado, que lembram tênis e coturnos com sofisticação, são uma boa pedida para ocasiões não tão formais, assim como o uso de camisa sem gravata, que nestes casos não significa um descompromisso com a elegância.
Já no caso de casamentos formais à tarde e à noite não há escapatória do terno com sapato e gravata. No quesito calçado é importante estar atento ao bico, consciente de que existem épocas dos quadrados e outras dos mais redondos e pontudos - de preferência sempre pretos e o mais distante possível dos formatos tradicionais de tênis.
“É importante que o jovem se olhe de frente e de costas no espelho para ver se a parte de trás do terno não está esquisitíssima, pois geralmente as pessoas não tem paciência para avaliar esse lado”, aconselha Gloria, explicando que é possível perceber se uma roupa foi alugada só observado-a por trás.
Outra dica aos marinheiros de primeira viagem é ficar atento aos ombros na hora de comprar (ou alugar) um paletó. Ele deve servir bem nessa área, pois o resto tem conserto, da mesma forma que a calça deve vestir bem na cintura e pertencer invariavelmente a uma combinação de cores escuras, como o azul marinho, por exemplo.
“Acho que os mais jovens podem mostrar sua personalidade na gravata, optando por algo menos tradicional, mas sempre atento ao fato de que ele não está num concurso de fantasias testando sua originalidade”, comenta a autora, reprimindo a possibilidade dos garotos tentarem fazer alguma variação na camisa.
De acordo com Gloria, o grande equívoco cometido pelos mais jovens em ocasiões sociais é a utilização de meias brancas. “Pelo amor de Deus esqueçam as meias brancas e não as utilizem em hipótese alguma. Deixe que o jovem pense que neste momento ele é outra pessoa, um artista de cinema ou uma personagem”, recomenda.
De resto é só ficar atento a abusos como gravatas com estampas animadas, camisas listradas e paletós de cores claras, que costumam revelar com mais facilidade falhas de tecido.
O que não usar para evitar micos segundo Gloria Kalil:
- sapato com plataforma
- sapato cinza, azul e verde-musgo
- sapato de couro exótico ou desenhado
- meias brancas (com roupa social)
- camisa de tecidos que brilham
- camisa de seda
- terno com cores de frutas: goiaba, banana, uva...