“Esses medicamentos são venenos para o jovem”. É assim que a dra. Ieda Therezinha Verreschi, endocrinologista especializada em fisiologia e distúrbios da puberdade, define os anabolizantes. Mesmo com tragédias seguidas de tragédias, jovens do mundo todo – e os do Brasil não foge à regra – seguem tomando as famosas “bombas” para conseguir os tão sonhados músculos.
O caso mais recente é o dos estudantes Jackson Vieira de Souza, de 21 anos, e Pedro Henrique do Carmo, de 15, que tomaram doses de um combinado de anabolizantes e complemento vitamínico preparado somente para animais, e não seres humanos. O primeiro morreu nesta sexta-feira, enquanto o segundo segue internado na UTI de um hospital de Brasília.
Não é novidade que tomar “bombas” para ficar com o corpo rasgado faz mal para o organismo, especialmente se feito sem qualquer indicação ou acompanhamento médico. Mas a galera segue batendo na mesma tecla...
Por isso, a dra. Ieda alerta para os principais riscos que os anabolizantes oferecem à saúde dos jovens: “O uso crônico pode causar insuficiência cardíaca. A longo prazo, o uso das substâncias pode levar a um tumor hepático, a um quadro hipertensivo agudo e ao aumento da pressão”.
Atletas profissionais também já se deram muito mal por causa de uso de anabolizantes. O caso clássico é o do canadense Ben Johnson, que nas olimpíadas de Seul, em 1988, conquistou com folga a medalha de ouro nos 100 m rasos, mas foi pego no exame anti-doping e teve que dar sua medalha ao britânico Linford Christie. Mas nos Jogos Olímpicos de Atenas houve diversos casos de doping que alteraram o quadro de medalhas (veja link abaixo).
Leia abaixo um pequeno guia para tirar as suas principais dúvidas a respeito dos anabolizantes:
O que são os anabolizantes?
Bombas são hormônios. Produzidos a partir de extratos animais, elas são hormônios sintéticos similares à testosterona, o principal hormônio masculino, que têm propriedades anabólicas e androgênicas.
O que eles fazem no organismo?
Quando caem na circulação sanguínea e penetram na célula, os anabolizantes começam a atuar, unindo-se a um receptor androgênico, migra para o núcleo e estimula a síntese de proteínas.
Com isso tudo, há mudanças anabólicas - aumento da massa muscular e retenção de nitrogênio – e androgênicas - agravamento da voz, crescimento de pêlos e aumento da agressividade.
O que é menos pior: comprimido ou injeção?
É claro que os dois são perigosos. Mas ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, injeções de anabolizante são menos prejudiciais que os hormônios tomados em comprimidos, via oral.
Ao se injetar uma determinada dosagem de “bomba”, por exemplo 20mg, a substância pode ser liberada lentamente durante até uma semana no organismo, o que significa uma quantidade diária menor. Já os comprimidos liberam os mesmos 20mg de uma vez só, o que faz com que o corpo tenha que metabolizar uma quantidade muito maior de hormônios.
Quais as possíveis conseqüências?
Esterilidade: o uso de bombas diminui e até extermina a produção de espermatozóides, deixando o sêmen pouco fértil ou infértil.
Acne: os anabolizantes aumentam a taxa de cravos e espinhas na pele
Calvície: as bombas podem acelerar a queda de cabelos
Masculinização: as propriedades androgênicas levam a um agravamento da voz, crescimento de pêlos e até ao atrofiamento do clitóris, nas mulheres
Lesões nos ligamentos: devido ao aumento da força muscular, as estruturas que fixam os músculos ao ossos muitas vezes não acompanham esse crescimento e podem sofrer rupturas
Diminuição do colesterol “bom”: os anabolizantes podem diminuir a taxa de HDL, uma lipoproteína que ajuda a “limpar” as gorduras dos vasos sanguíneos.
Links
Veja aqui matéria do Último Segundo sobre os casos de doping nas Olimpíadas de Atenas
Leia sobre o caso dos jovens de Brasília que tomaram anabolizantes para animais
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