Há 13 anos, São Paulo é palco do maior evento de card games e RPGs da América Latina, o Encontro Internacional de RPG, que no ano passado reuniu 12 mil pessoas no São Paulo Mart Center.
Qualquer um que estivesse nas imediações pôde notar a estranha movimentação de jogadores nos ônibus e ruas do bairro da Vila Guilherme, que foi tomado por gente fantasiada de seus personagens preferidos, como guerreiros selvagens, cavaleiros medievais, fadas, vampiros e outros tantos da literatura de ficção científica e fantástica.
Mesmo com tantos adeptos, os RPGs ainda permanecem envoltos em mistérios quanto a sua origem e jogabilidade para o grande público. Em grande parte pelo difícil acesso que muitos tem aos seus livros, o que inibe muitos interessados e acaba prejudicando a propagação deste hobby saudável e criativo.
RPG quem?!?
RPG é a abreviação da sigla inglesa Roleplaying Game, que já foi traduzida de várias formas em nossa língua, dentre as quais, uma das mais populares é Jogo de Interpretação. Nele, os jogadores interpretam personagens em tramas que podem abordar os mais diversos temas, utilizando desde cenários clássicos e históricos até mundos fictícios e jamais imaginados.
Pense que um jogo de RPG é como um livro, composto por três elementos essenciais para a trama: os personagens principais (interpretados pelos jogadores), os personagens secundários e a parte descritiva da história, que define aos jogadores o clima e a geografia do local onde os mesmos se encontram (ambos interpretados pelo narrador da história, também conhecido como mestre do jogo).
Antes de uma partida, cada jogador deve criar seu próprio personagem, desenvolvendo desde sua história no mundo onde a aventura acontece até suas características físicas e psicológicas. Auxiliado por um livro de regras, o grupo recebe um número definido de pontos para gastar na planilha de seus personagens (onde todos os seus dados estarão descritos numericamente).
É responsabilidade do mestre criar o conflito que dá origem a aventura, incitando os personagens a correr atrás de um objetivo comum e muitos outros secundários. O interessante é que quem dita a direção da trama são as ações dos jogadores, impedindo muitas vezes que a história acabe como o narrador esperava.
Em suma, um jogo de RPG é muito semelhante às brincadeiras de faz de conta comuns na infância, só que envolvendo regras, pesquisas e muito mais criatividade.
A origem de tudo
A origem dos RPGs está diretamente ligada aos wargames, jogos de guerra onde o objetivo principal é derrotar o exército inimigo utilizando táticas militares. No começo as tropas não eram nada mais do que peças de um tabuleiro, porém, com o tempo os jogadores passaram a incorporar histórias a elas, disputando batalhas inspiradas em livros de fantasia como a trilogia “O Senhor dos Anéis”, de J.R.R. Tolkien.
Aos poucos as miniaturas dos wargames ganharam nomes, histórias e características próprias, o que estimulou os jogadores a abandonarem o tabuleiro e passarem a representar seus personagens em histórias narradas por um deles, que tinha a obrigação de agrupá-los em uma aventura única e não escrita.
Porém, para não perder o gostinho dos jogos de estratégia, os jogadores adaptaram suas regras e criaram as planilhas de personagem, onde cada um estaria descrito em dados técnicos para que o narrador pudesse desafiá-los em disputas utilizando dados.
Reza a lenda que o primeiro livro de RPG foi “Dungeons & Dragons”, criado em 1974 pelos norte-americanos Gary Gygax e Dave Anerson. Lançado como um conjunto de três livros básicos, o popular “D&D” ganhou adeptos em todo o mundo e serviu de inspiração para o desenho animado “Caverna do Dragão”.
No Brasil a história começa com pequenos grupos de entusiastas que, obtendo livros importados por encomenda, passou a cultivar o hobby de jogar aos finais de semana e iniciou timidamente a propagação dos RPGs.
O primeiro livro traduzido para o português foi o “GURPS”, sistema genérico de RPG criado pela Steve Jackson Games e traduzido pela Devir Editora. Posteriormente muitos outros trabalhos foram lançados aqui, assim como pouco tempo depois teve início a produção de jogos nacionais, tendo como primeiros representantes “Tagmar” e “O Desafio dos Bandeirantes”.
Encontro Internacional de RPG
Criado em 1992, o Encontro Internacional de RPG tem como objetivos principais reunir os jogadores de todo o país em um único lugar e divulgar a existência do hobby, atraindo curiosos que durante o evento podem aprender na prática como funcionam os jogos de RPG.
Todo ano a Devir Livraria e Editora, responsável pela organização da convenção, prepara diversos lançamentos de livros traduzidos e traz um convidado internacional, dentre os quais já fizeram parte Steve Jackson (autor do pioneiro “GURPS”), Mark Hein Hagen (criador de “Vampiro: A Máscara”) e Mike Pondsmith (autor de “Cyberpunk 2020) entre outros.
Serviço
XIII Encontro Internacional de RPG Dias 03, 04 e 05 de junho de 2005 Mart Center - R. Chico Pontes No. 1500, São Paulo - SP Entrada: 8 reais (estudante paga 4 reais) Clique para ver o site oficial |