Um dos esportes que vêm ganhando cada vez mais adeptos no Brasil não é o futebol, muito menos o vôlei. Estamos falando do “body suspension”, ou simplesmente suspensão, uma modalidade esportiva em que o corpo é perfurado por piercings que deixam o corpo suspenso por ganchos.
Recentemente, o “atleta” Rafael de Lima bateu o recorde brasileiro de suspensão, onde permaneceu pendurado por ganchos aplicados nas costas por 45 minutos, a uma altura de 60 metros. Junto com ele, Luciano e Gilmar também realizaram a proeza, e em 2005, aparecerão na edição brasileira do Livro dos Recordes.
Os três, inclusive, formam o BEST (Brazilian Extreme Suspension Team), grupo de body suspension que apresenta este tipo de trabalho pelo Brasil.
Esporte ou loucura?
Muitas pessoas criticam os adeptos da suspensão, achando este tipo de prática uma loucura. E ficam se perguntando: como que alguém em sã consciência pode se pendurar pela sua própria pele?
Rafael dá a resposta: “da mesma maneira que existem pessoas que pulam de bungee-jump, que é considerado um esporte, existem outras que fazem a suspensão”.
O pensamento do recordista brasileiro parece simples, mas e a dor? “Depende muito de quem faz a aplicação dos ganchos em você. A pessoa tem que ser experiente no assunto. E quanto mais rápido, melhor, porque sente menos dor”, analisa Rafael. E quem pensa que o processo para colocação dos ganchos é complexo, está enganado. Não há necessidade de passar produtos ou anestésicos, já que as agulhas são muito afiadas e dispensam esta etapa.
E, segundo Rafael, na hora suspensão é muito mais sossegado, a dor é menor ainda, totalmente suportável. E ele afirma: “não há perigo de rasgar a pele”.
Não existe muita restrição para quem quer fazer a suspensão. A pessoa só não pode ter problemas de pressão (alta ou baixa) e ter uma vida saudável. E quando for praticar, as duas semanas anteriores devem ser de boa alimentação e sem bebida alcoólica. E, claro, não esqueça da velha e óbvia máxima: nada de tentar fazer em casa sozinho. Jamais!
Tradição
A suspensão é uma tradição cultural e religiosa que já dura anos em países como Malásia e Índia. E foi numa viagem para a Ásia que André Meyer resolveu introduzir a prática em nosso país. “Está no Brasil desde 1998, mas é popular na Índia desde a década de 60”, comenta Meyer, que é body piercer, e inclusive, foi o pioneiro da arte do piercing no Brasil. André ainda diz que o primeiro país ocidental a praticar a suspensão foi os Estados Unidos.
A suspensão mais comum é a “suicide”, onde a pessoa é presa por ganchos somente nas costas e fica pendurada com as pernas para baixo. Mas existem também os modos “superman” (6 ganchos nas costas e 4 na perna) e o “coma” (inverso ao superman).
Agradecimentos
André Meyer é body piercer em São Paulo. Seu site é o http://www.piercing.art.br/ Rafael de Lima é funcionário da loja Addiction Arts em Curitiba |