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30/10 - 10:35hs

Futebol é sim coisa de mulher
Histórias de garotas que pretendem, de alguma maneira, serem os próximos Ronaldinhos Gaúchos, Pelés, Romários... Usando sutiãs

Bruno B. Soraggi

Uma das futuras promessas do futebol brasileiro não será chamada de baixinho, fenômeno ou qualquer outro apelido que termine em ‘inho’. Na verdade, é possível que algumas das próximas revelações do esporte favorito dos brasileiros não tenham nem mesmo alcunhas masculinas. Mesmo porque, não serão rapazes, mas sim moças. Jovens como Giovanna de Oliveira, 17, a lateral esquerda do time feminino do Centro Olímpico, em São Paulo, que foi recentemente convocada para treinar pela equipe sub-20 da Seleção Brasileira de Futebol Feminino, time que se prepara para o campeonato Sul-americano de 2010.

“Foi muito emocionante ter sido chamada para uma temporada de treinos pelo time do Brasil. Minha mãe, então, ficou muito emocionada!”, conta a garota. “Ela e meu tio me dão muita força para continuar jogando”. Não que a garota precise de incentivo a toda hora, já que ela mesma diz adorar o esporte desde os 10 anos de idade, quando já costumava dar trabalho aos amigos contra os quais disputava as partidas.

Surpreso? Pois saiba que Giovanna é apenas uma nessa nova leva de meninas que sonham em trilhar um caminho até então seguido – e disponibilizadoapenas para homens: o de se tornarem jogadoras de futebol profissional.

“Sempre quis ser jogadora. Desde que via meus primos e meu tio jogando. Ele já foi profissional”, diz a lateral esquerda que antes de chegar a vestir a amarelinha passou por times de futebol de salão e até por uma semana de experiência no Santos F.C., talvez o time de maior expressão no futebol feminino atualmente. “Mas pediram para eu voltar ano que vem”, quando, enfim, vai ser adulta.

Tal expectativa quanto à equipe santista se dá pelo fato de que lá estará o símbolo do crescimento da importância do futebol feminino brasileiro. Marta Vieira da Silva, conhecida apenas como Marta – eleita por três vezes a melhor jogadora de futebol do mundo pela Fifa.

É nessa jogadora que se inspiram muitas das novas futebolistas do País. Uma delas é a atacante Olívia Gil, 15, que também atua pelo Centro Olímpico. “Os ídolos de todas geralmente são o Pelé e a Marta”. De acordo com a jovem, a exposição de Marta deu mais visibilidade ao futebol feminino. “Agora é que estão dando mais valor. Está aparecendo. Está bem melhor que antes, mas tem muito para crescer”.

Preconceito
Além do aumento do número de equipes e da qualidade técnica das competições, o crescimento ao qual se referem algumas dessas atletas também pode ser entendido como uma maior maturidade moral. Muitas dessas garotas sofreram ou ainda sofrem com piadas, brincadeiras de mau gosto e preconceito. A lateral direita Fernanda Damico, 14 – a mais recente integrante da equipe do Centro Olímpico – é um exemplo. “Fazem bastante piada. Ficam chamando a gente de Maria Macho, sapatão... Falam até que futebol não é coisa de menina”.

Mas não é preciso ir tão longe para achar quem seja contra a presença de mulheres dentro das quatro linhas. Às vezes, as próprias famílias são as responsáveis pelas desistências, por acharem que a carreira de futebolista não é segura e digna o suficiente. É por isso que a própria Fernanda continua estudando e pretende até cursar uma faculdade de Arquitetura. “Meus pais já se preocuparam, disseram que isso o futebol feminino não tem futuro... Mas deixaram que eu seguisse meu sonho desde que continuasse estudando. Pelo menos não estou fazendo nada de errado, né?”.

De acordo com a gerente e organizadora da Copa São Paulo sub-17 de Futebol Feminino, Angela Wczassek, a “conscientização da família” é uma das primeiras etapas a serem superadas para que a modalidade seja vista com respeito. “Algumas famílias chegam a oferecer tudo para que a menina mude de ideia. O maior problema que falam é a homossexualidade. Mas isso acontece em todos os lugares, tanto no futebol masculino quanto no feminino. Não pode ser tomado como motivo para serem contra”.

Peneiras
Mas se desafios são incentivos para você – e jogar bola é de fato seu sonho – por que não tentar? Um dos locais para se começar é o próprio Centro Olímpico de São Paulo, localizado no Ibirapuera, que é um dos poucos times da capital paulista que atuam em todas as categorias de base.

Para agregar mais jogadoras às equipes, o centro realiza peneiras mensais, sempre nas primeiras terças e quintas-feiras de cada mês, para atletas de 14 a 20 anos. E a concorrência é grande. “Na última fora 50 meninas. Cinco foram pré-aprovadas”, conta o supervisor técnico de futebol do Centro Olímpico, Alfredo Weiss. Há outros times de futebol feminino em clubes, escolas, associações do bairro. Vale se informar sobre o mais próximo de você.

E você, também gosta de futebol? Acha que o esporte é para meninas? Comente!

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