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10/03 - 17:10hs

Depoimento
"Um garoto acabou com nossa amizade"

Da Redação do Jovem

Tudo começou em 2004, quando eu e minha melhor amiga tínhamos 16 anos. Nós trocávamos confidências e eu tive a brilhante ideia de contar a ela sobre meus sentimentos em relação ao Thiago*, um amigo em comum que estudava conosco. Percebi, claramente, que Caroline* ficou chocada, mas pensei que fosse porque nós éramos muito amigos. Descobri depois que ela também gostava dele. Como não tinha pensado nisso antes? O problema é que só tive conhecimento desse fato um ano depois, quando ela teve coragem de assumir.

Na verdade, Caroline nunca assumiria se não tivesse a boca muito grande e tivesse contado para todo mundo. Ela falou mal de mim para a cidade inteira até a fofoca chegar aos meus ouvidos. Claro que eu me senti na obrigação de tirar satisfações. Quem ela pensava que era? Eu era a melhor amiga e fui a última a saber.

Ela se fez de vítima, falou que se encontrava numa enrascada, num dilema e que só não ficaria com o amor da vida dela em respeito a mim, que também gostava dele. Eu pedi, por favor, para que ela não comentasse com ninguém, que mantivesse segredo absoluto e o que ela fez? Contou a história completamente invertida para todo mundo do colégio, inclusive para ele.

Thiago queria ficar comigo e já falou várias vezes na cara da Caroline que jamais a beijaria e que não se sentia atraído. Não ficamos, porque além de lerdeza ser seu segundo nome, a garota fazia tudo e mais um pouco para atrapalhar. Ela queria colocar na cabeça do Thiago que eu o xingava, que eu não gostava dele de verdade, que todo mundo me odiava, que eu era falsa e egoísta, que eu tirava sarro de todos os meus amigos, que eu sempre a chamava de gorda. Enfim, eram muitas calúnias! Resumindo: eu semeava a discórdia no grupo, quando, na realidade, era ela a responsável por fazer isso.

Meu amigo, naturalmente, não sabia o que fazer, ficou confuso sobre o que eu sentia e sobre quem eu era; mas preferiu me tratar como se nada estivesse acontecendo. Ele gostava de mim e, talvez por consideração, decidiu não me contar os absurdos que diziam pelas minhas costas, nem tomar partido de ninguém. Mesmo assim, não existia clima para nós ficarmos; eram muitas brigas, muita gente envolvida, muitas mentiras. Chorei muito naquela época, foi horrível.

Eu só fiquei sabendo das histórias que ela inventava bem no final, quando tudo estourou. Percebi que todos os meus amigos estavam diferentes. Eu estava alheia a tudo, porque a Caroline continuava me tratando normalmente, como a minha melhor amiga de sempre.

Não havia motivos para desconfiança até que algumas amigas vieram tirar satisfação para discutir sobre coisas que eu, teoricamente, tinha dito. Todo mundo acreditou na Caroline! Ela soube se fazer de vítima como ninguém e eu, sem saber de nada, não pude me defender. O único que sabia a verdade era Thiago e, por isso, foi sensato em não colocar um ponto final na nossa amizade.

Com mil histórias ao mesmo tempo e sem entender a maioria delas, reunimos todo o grupo de amigos e reservamos aquele momento para discutir, brigar e tirar tudo a limpo. Eu não conseguia me defender, eu só chorava. Eles acreditavam que o Thiago gostava mesmo dela e torciam – como torcem até hoje – para que eles ficassem juntos. Para os meus amigos – ou ex-amigos –, eu nunca senti nada por ele e, para mim, ele é só mais um. Já para Caroline, se não fosse ele, não seria mais ninguém.

Ela tinha lábia e eu tinha a verdade. A lábia, muitas vezes, sobrepõe a verdade, como nesse caso. Acabei com a nossa amizade porque, naquela hora, descobri o que estava acontecendo; mas não foi um fim tão convincente, porque somos do mesmo grupo. A partir dessa briga, não trocamos mais telefonemas, nem confidências. Virou uma relação cordial. Eu me senti muito traída e passei a desconfiar de todas as minhas amizades, com medo de que isso pudesse acontecer novamente. Foi muito traumatizante.

Eu e Thiago ainda somos muito amigos e, depois de alguns anos, consegui ficar com ele. Ela não sabe, mas não preciso mostrá-lo ou usá-lo como troféu. Hoje, eu penso que ela fez todas essas infantilidades por saber que nós nos gostávamos, e ela, claro, gostaria de estar no meu lugar. Pelo jeito, queria tanto que conseguiu tudo, menos o principal: ele!

*Os nomes dos personagens foram trocados por motivos de privacidade

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