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21/12 - 08:45hs

Depoimento
“Namorei dois gays e não me arrependo”

Da Redação do Jovem

Acordo Ortográfico

Meu nome é Anna Flavia Mesquita, tenho 22 anos e, por mais difícil que seja de acreditar, eu já tive dois namorados gays. Azar ou não, essa é a verdade. O primeiro foi namorico de escola quando eu estava na oitava série. Só fiquei sabendo que ele assumiu anos depois. O segundo foi um namoro sério de quase sete meses. Ele era uma libélula e eu, apaixonada e iludida, não conseguia enxergar.

Vou contar a história desde o início. Eu morava em Goiânia e estava estudando em um colégio estadual, como castigo dos meus pais, por ter sido reprovada. Eu tinha uns 14 anos quando o conheci. Na nova escola, havia dois irmãos gêmeos, e logo me interessei por um deles. Um era homossexual e o outro não. Nem preciso falar de qual eu gostei.

Era tudo bem puro e inocente, nós só nos víamos na escola e meus pais nem ficaram sabendo. Aliás, só vão saber agora. Para começar, nós nem nos beijávamos. Os beijos só vieram dois meses depois, isso porque o namoro durou três meses.

Apesar de esse meu namoradinho ter a voz, o jeito e o andar um pouco afeminados, ninguém desconfiava muito. Todas as meninas do colégio eram loucas por ele! Era quietinho, estudioso, o típico nerd da sala, enquanto o irmão pegava todas. Acabou bem rápido, porque não deu certo, era tudo muito imaturo. Meus amigos sempre falavam que ele era esquisito, que vivia rodeado de mulheres, mas nunca exatamente com elas. Quando terminamos o namoro, os comentários ficaram piores ainda.

Enfim, depois de alguns anos as fofocas não estavam erradas e ele acabou assumindo mesmo a homossexualidade. Não nos encontramos mais porque moramos em estados diferentes, mas sou muito amiga dele. Sempre que posso, mantenho contato pelo MSN. Ele chegou a me contar que sempre se sentiu atraído por meninos, mas tentava se conter namorando meninas, porque tinha vergonha. Sempre foi muito recatado.

Depois me mudei para Cuiabá, capital de Mato Grosso, porque a maior parte da minha família resolveu viver lá. Em 2002, fiquei um ano nos Estados Unidos, onde eu já havia morado três anos antes, e voltei para o Brasil de novo com 16 anos. Aos 17, namorei o segundo gay. Foi a vergonha da minha vida.

Como tinha acabado de voltar do exterior, eu era nova no colégio. Quando cheguei, os meninos foram em cima de mim, porque sou de fora, era a diferente da turma. Eu sou magrinha, não sou linda, mas mesmo assim chamei atenção e, nessa história toda, fiquei deslumbrada. Sempre fui o patinho feio entre as amigas e, de repente, me tornei a mais requisitada.

No início de 2003, namorei um menino da minha sala durante dois meses, mas como ele não queria nada sério, decidi terminar o relacionamento. Em julho, comecei a me interessar por outro garoto. Ele sentava perto de mim durante as aulas e minha amigas também eram amigas dele. Começamos a competir para ver quem tirava as maiores notas nas provas e nos aproximamos cada vez mais.

Um dia de julho, antes das férias do meio do ano, estava muito, muito, muito frio, o que é bem raro em Cuiabá. Ficamos abraçados praticamente o dia inteiro. Com essa aproximação maior, veio junto o meu interesse. Nós conversávamos muito e tínhamos muito em comum.

Depois das férias, em agosto, assumimos. Foi o boato do colégio, porque todo mundo achava que ele era gay. Ele fazia aulas de dança de salão, dançava superbem, se socializava muito fácil com as meninas, mas para mim essas coisas não significavam nada. Eu também já fiz dança e, depois que voltei dos Estados Unidos, nada mais me assustava.

Como alguém não se interessaria por uma pessoa risonha, extrovertida, inteligentíssima, boa de papo e que, ainda por cima, dançava magnificamente bem? Para mim, ele não era gay, ele era meu príncipe encantado, um homem diferente que eu jamais sonhei namorar. E eu ainda morria de ciúmes de uma amiga que vivia grudada nele.

Apesar de ele imitar Celine Dion, Sandy & Junior e Mariah Carey com as amigas, eu só passei a desconfiar quando ele ficou um mês sem me beijar. Foi quando terminamos. Ele dizia que estava gripado e que queria me proteger não me passando a doença. Ele simplesmente me evitava. Falava que seria nojento se aparecesse alguma meleca no meio do beijo, aí eu desistia, não tinha clima.

Eu era mais nova, estava cega de paixão. No começo aceitei todas as desculpas, mas com o tempo fui ligando os pontos. Após quase sete meses de namoro, nós nos afastamos cada vez mais até que chegamos a um ponto em que terminar era o melhor a se fazer. Chegou um momento em que não tinha mais desculpa esfarrapada para ele inventar. Falei que eu não tinha um namorado de verdade, que eu não precisava ficar com uma pessoa que parecia estar com nojo de mim e que ele precisava se decidir. Passei a estudar no período da manhã, ele continuou estudando à tarde e cada um seguiu o seu caminho.

Depois que tudo acabou, consegui perceber tudo o que acontecia. Só quem viveu a experiência sabe como é difícil aceitar que seu namorado, a pessoa que você gosta, é gay. Dá vontade de sair gritando. Juro que eu prefiro ser traída com mil mulheres a ser traída com um homem. Eu não quis aceitar, fiquei pensando se eu fiz algo de errado, se a culpa foi minha. Não sabia direito o que pensar e como agir.

Esse ex-namorado nunca assumiu na minha cara. Há menos de um mês, alguns amigos me convidaram para ir a uma boate gay e eu fui para conhecer. Quando cheguei, ele estava lá. Dei “oi”. Ele não disse nada, me deu um abraço e desapareceu.

Ser gay não é defeito nenhum e não me arrependo de ter namorado dois, tanto que hoje sou amiga de um deles. Mas, sou a favor de que eles assumam o que realmente são, sem vergonha nenhuma. Acredito que eles só serão felizes de verdade quando se aceitarem e se assumirem.

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