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13/08 - 13:08hs

Depoimento: um casinho me levou às drogas

O que leva uma garota a usar drogas com o 'namorado'?

Da Redação do Jovem

Eu sempre achei que drogas fossem coisas normais, mas que as pessoas que usavam isso não tinham personalidade para se dar bem com os outros quando estavam sóbrias. Quando era adolescente cheguei a experimentar maconha, mas me dava sono e eu não tinha vontade de fazer nada, achei chato e não fumei muitas vezes.

Conforme comecei a sair para baladas com minhas amigas, a bebida se tornou uma das companheiras das noitadas. A gente bebia bastante, o que deixava as festas muito mais divertidas e a gente nunca se cansava.

Conheci muitas pessoas que usavam todos os tipos de drogas, sempre me ofereciam e eu nunca aceitava, tinha curiosidade, mas também um pouco de medo, afinal, o que aconteceria se meu corpo rejeitasse aquilo e eu começasse a passar mal? E se eu tivesse algum problema e ninguém me socorresse? Imagina morrer só porque eu estava experimentando algo novo? Credo!

No último ano, comecei a sair com um cara mais velho; aquele tipo de cara que todas as garotas acham o máximo, com aquela pose de rock star, que é tudo que nossos pais temem, sabe? A gente se divertia bastante junto e sempre acabávamos bebendo demais.

Um dia ele me contou que cheirava cocaína e que se divertia muito com isso. Eu não gostei muito, num primeiro momento, mas fui acostumando com ele usar a droga ao meu lado. E, realmente, ele se divertia muito, parecia que quando ele cheirava, ficava muito mais livre.

Eu já confiava nele e achei que se quisesse experimentar, era a hora certa. Quando disse que queria tentar, ele não pensou duas vezes, colocou uma carreira pra ele e outra pra mim, me ensinou como fazer e ficou ali, me olhando.

Depois daquele dia tudo ficou totalmente diferente. Eu não conseguia mais sair sem pensar em cheirar, não conseguia mais separar diversão e droga. Na minha cabeça, as duas coisas estavam totalmente ligadas.

“É coisa de balada”, eu sempre dizia a mim mesma. Porém num certo momento, eu notei que estava faltando demais ao trabalho, chegando atrasada, tudo porque estava de ressaca, com o corpo dolorido, cheio de marcas de batidas, afinal, a noite era sempre uma loucura.

O ponto alto de tudo isso foi quando acordei no meio da tarde com o corpo tremendo. Eu estava deitada na minha cama e quando abri os olhos, achando que estava tremendo só no sonho, vi que era real. Não queria acreditar... o que é que estava acontecendo comigo?

Como não podia contar a ninguém o que tinha feito na noite – que pra mim ia até às 7h da manhã -, fiquei ali, esperando que aquilo parasse. Parou. Eu levantei e me assustei ao me olhar no espelho. O rosto cheio de maquiagem borrada, olheiras fundas: cara de drogada.

Naquele dia eu tive certeza que não queria mais nada daquilo. Contei à minha mãe, que me ajudou a segurar a barra, ficar em casa, não ir pra baladas e deixar de sair com pessoas que me apoiavam a fazer aquilo. Não queria ir pra nenhuma clínica – sempre achei que não precisava -, nem freqüentar reuniões para dependentes – por mais que minha mãe achasse que eu precisava ver como podia ter sido meu fim.

Fiquei em casa, na companhia de pessoas que me amavam de verdade e me faziam ter certeza de que não precisava de mais nada para ser feliz. Deixei de lado as drogas – o cigarro, a bebida e a cocaína.

Ainda não posso dizer que é fácil dizer não ao ver pessoas usando drogas na minha frente. Eu tenho vontade, mas me seguro. É normal todo mundo me criticar, dizer que fiquei careta, que não sei mais me divertir e isso dói em mim. Nesses momentos a única coisa que faço é fechar os olhos e lembrar do meu corpo todo tremendo enquanto eu estava deitada, olhando para o teto, com medo de morrer – eu nunca tinha sentido aquilo – e então a vontade de cheirar passa. Tem coisas mais importantes do que se divertir por uma noite.

Você conhece algum caso como esse? Quer contar a sua história? Comente!

Conheça também a história de Christiane F., a jovem que, um dia, emocionou o mundo ao largar as drogas; mas voltou a elas hoje, aos 46 anos.

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