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11/07 - 20:34hs

Grávida! E agora?
Jovens contam como encararam essa situação

Carolina Monterisi

Descobrir que está grávida pode ser um grande susto para uma menina, mas isso não é a única parte difícil desse momento. Contar para os pais da melhor maneira é um dos grandes desafios para elas.

Katiuscia Marques tinha 20 anos quando descobriu que estava grávida. Ela estava na faculdade e cursava enfermagem. “Fiquei feliz, mas também fiquei preocupada com a reação dos meus pais”, conta. Só que não demorou muito para que eles descobrissem. Alguns dias depois, seu pai foi direto ao assunto e perguntou se ela estava grávida. “Eu andava muito sensível e ele percebeu que tinha alguma coisa diferente”, diz.

Ela conta que seu pai foi bem racional, mas a sua mãe não encarou a história muito bem. “Ela ficou uns três ou quatro meses sem falar comigo. Foi muito difícil”. Com o tempo, as duas se reaproximaram e, hoje, a relação delas é ótima. Katiuscia voltou a estudar este ano. Seu filho, Pedro, tem 1 ano e 5 meses.

A história de Bruna Diaz, de 22 anos, é parecida. Ela, que ficou grávida com 17 anos, conta que levou quase um mês para contar para a sua mãe. “Eu planejava falar para ela no sábado, mas um dia antes ela veio me perguntar se estava tudo bem. Então, contei”. Mesmo em choque, foi a mãe que contou para o seu pai, que ficou umas semanas sem falar com a filha. Hoje, a família toda ajuda a cuidar de Gabriel, de três anos.

Mudança de vida
Antes de saber da gravidez, a principal preocupação de Bruna era decidir que carreira seguir e que faculdade prestar. Depois, sua atenção se voltou totalmente para o bebê. No começo, isso foi difícil. “Eu via minhas amigas em clima de cursinho ou começando a faculdade e eu tinha que ficar em casa de repouso”, lembra.

A estudante procurou não mudar muito sua rotina. “Sem exagerar, fui a festas, churrascos e viagens”. Mesmo assim, ela teve algumas limitações.

Com as mudanças que seu corpo sofreu, não podia mais fazer as mesmas coisas que antes, como dançar.

Por volta do quinto mês, Bruna começou a mostrar sinais de depressão. “Eu comecei a deixar de querer fazer coisas que eu gostava e sentia que todo mundo me olhava por causa da barriga”.

A depressão, que continuou a afetar a vida de Bruna mesmo depois do nascimento de seu filho, foi curada com o auxílio de um terapeuta. “Hoje estou bem e não tenho mais crises”.

Depois do nascimento
As duas garotas contam que conseguiram incluir os filhos em suas vidas. “Sempre que posso, levo ele comigo quando saio com os amigos”, diz Katiuscia. Bruna diz que seu filho se acostumou com bagunça e chama os seus amigos de “tio” e “tia”. E completa: “hoje, não vejo a minha vida sem ele. O Gabriel foi prioridade para que eu fizesse as minhas escolhas”.

Conselho de especialista
A psicóloga Alaide Cantone reconhece que muitas vezes não é nada fácil para a adolescente contar sobre a sua gravidez para a família. “Nesses casos, seria interessante ela contar primeiro para uma pessoa adulta em que confie para depois, com a ajuda dessa pessoa, contar para os pais”.

Alaide diz que essa pessoa pode ser um parente, amigo ou mesmo um profissional da saúde.

Ela também lembra que gravidez não é doença e não deve impedir que a adolescente viva sua rotina normal de trabalho, estudo e lazer e não se isole dos amigos. E ressalta: “É fundamental que ela faça o acompanhamento pré-natal desenvolvido pelo médico conforme o seu estado de saúde”.

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Alaide Degani de Cantone é psicóloga clínica, hospitalar e coordenadora do CEPPS (Centro de Estudos e Pesquisas em Psicologia e Saúde)

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