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03/07 - 16:25hs

Cara de um, focinho de outro

É possível ter individualidade tendo um irmão gêmeo?

Camila Sayuri

B1 e B2, Ruth e Raquel, Tico e Teco. Além dos infernais apelidos, irmãos gêmeos têm ainda que agüentar comparações e responder a perguntas: “Você é você ou é o seu irmão?”. Na infância, tiveram que dividir quarto, roupas, festas de aniversário e presentes. Sim, eles são parecidos, mas não são iguais. E reforçam que cada um tem sua personalidade e jeito de pensar.

“Irmão gêmeo é seu melhor amigo e também o seu pior rival”, diz a paulista Beatriz Tolezano, de 19 anos, estudante de Turismo. Bia se dá muito bem com a irmã Ana Cláudia, mas detesta as comparações. E o pessoal adora apontar as diferenças físicas e de comportamento. “Você não compara duas pessoas que não são gêmeas na frente delas, porque com a gente tem que ser de outra forma?”, comenta Beatriz.

Mesmo não sendo gêmeas idênticas, ou univitelinas, as duas tentam ao máximo se diferenciar. Não têm o mesmo corte de cabelo e de jeito nenhum usam roupas iguais. “Procuramos vestir até cores diferentes, se escolho blusa rosa e calça bege, a Ana pega jeans e verde”, explica Bia, que já teve épocas em que odiou ser gêmea. “Pensava: Por que tem que ser igual? Eu sou eu, você é você”, conta rindo. Agora, as duas ainda têm discussões comuns a irmãos, mas estão mais “sossegadas”.

Diferente de Bia, o mineiro Tiago Montisilva, de 18 anos, não se incomoda com as comparações com Rafael. E, olha, que sempre tem os amigos que pedem para ficar um do lado do outro para compararem a altura. O que irrita mesmo o Tiago é quando as pessoas estimulam a competição entre eles. “Quando eu era solteiro, falavam para o Rafael: ‘seu irmão é mais festeiro, você devia sair mais’”, diz.

As semelhanças físicas entre os dois, às vezes, geram confusões. Certa vez, a prima da namorada do Tiago viu Rafael saindo com uma menina. Não teve dúvidas, contou para garota da suposta traição. Tudo porque Rafael estava usando a blusa do irmão. Haja conversa para resolver o mal-entendido. Os dois são realmente muito parecidos. No começo do relacionamento, a namorada tinha que identificar o Tiago por um relógio que ele usava.

Ana e Cláudia, Tiago e Rafael, apesar de várias pessoas os confundirem, citam várias diferenças entre eles, principalmente de personalidade. Segundo a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, os gêmeos têm a tendência natural de terem gostos muito parecidos - “o que acontece é que acabam desenvolvendo gostos diferentes para poderem se diferenciar. Competição entre irmãos é normal, entre gêmeos também”, explica.

A psicóloga afirma que o ideal é que a individualidade entre gêmeos seja estimulada desde a infância. Até aquelas roupas iguais nas crianças devem ser evitadas. “Desde a gestação, eles têm que dividir o mesmo espaço. Por isso, precisam ser incentivados a cada um ser um”, diz. Segundo ela, os gêmeos acabam naturalmente ficando muito unidos. “Eles se tornam uma dupla muito forte e podem acabar se fechando entre eles. Precisam ser incentivados a serem independentes”, comenta. 

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