iG - Internet Group

iBest

brTurbo

meninas

30/05 - 18:55hs

Meninas que gostam de meninas mesmo!
Fomos às ruas atrás das chamadas “lésbicas lipstick”, garotas que curtem garotas “de verdade”, e não deixam menininha de lado

Aline Vieira

Quando criaram os perfis fake “Gee” e “Frank”, inspirados nos membros da banda My Chemical Romance, Lilian* e Juliana* nem imaginavam o que aconteceria. As meninas, de 15 e 17 anos, que estavam acostumadas a ficar apenas com meninos, viciaram-se no site de relacionamentos Orkut e passaram a trocar mensagens todos os dias. “Descobrimos que curtíamos meninas através do fake”, contam.

Lilian e Juliana ficaram vários meses se fazendo passar por lésbicas no Orkut. A atração foi inevitável. Elas começaram a se paquerar e, em fevereiro desse ano, marcaram de se conhecer. O encontro deu super certo e hoje, 4 meses depois, elas já não se importam em assumir para os mais íntimos que são homossexuais. Os pais? “Eles não sabem e nem podem saber”, responde Juliana. “Meus pais não chegam a ser homofóbicos, mas nunca aceitariam isso”, revela.

Ao contrário do que se imagina, Lilian e Juliana compõem uma categoria diferente de lésbicas: as chamadas “lipstick”. Elas adoram roupas femininas (vestidinhos, saias, tops, scarpins, botinhas, etc), não deixam a maquiagem de lado e têm atitudes bem feminizadas. “Não tenho nada contra as meninas que se vestem iguais a meninos, mas particularmente, acho bem tosco”, revela Lilian. Juliana explica: “Talvez elas se vistam assim porque pensam que têm mais chances com as mulheres”.

Pelo fato de a sociedade estereotipar as lésbicas como meninas masculinizadas, o fator “roupa” hoje em dia pode ser crucial. Por andarem sempre mais femininas, as lipstick raramente são reconhecidas como lésbicas e sofrem menos preconceito. “A vantagem é que ninguém me olha torto”, diz Lilian.

Fernanda*, de 16 anos, se apaixonou pela melhor amiga quando ainda estava na 8ª série. “Ela curtia garotos, mas um dia rolou um selinho entre a gente”, conta. Depois disso, Fernanda resolveu se declarar e acabou ganhando o coração da garota. Elas andavam abraçadas e de mãos dadas na escola e nem chamavam atenção. “Como nos vestimos iguais a menininhas e adoramos nos produzir, as pessoas pensam que somos só melhores amigas, tipo irmãs. Nunca sofremos preconceito”, revela.

Já a estudante Flávia*, de 16 anos, descobriu ser lésbica após se apaixonar por uma garota de seu condomínio. Ela conta que as pessoas se chocam quando ela revela sua orientação sexual. “Já aconteceu de eu ter que contar para um garoto que eu era lésbica porque ele pensava que eu queria ficar com ele. Ele não se conformou. Disse que eu era a última pessoa que ele imaginava ser homossexual”, diz.

As lésbicas que optam por roupas mais masculinas não se importam com os rótulos. “O que importa não é a roupa e sim a orientação sexual. Quando a menina revela que curte garotas, ela vai sofrer preconceito. Não interessa se está de batom ou se tem cabelo curtinho e usa boné”, diz Sheila*, de 18 anos.

É justamente isso que a escritora Lucia Facco, dona de sucessos GLS como “As heroínas saem do armário” e “Lado B: Histórias de Mulheres”, critica em seus discursos. Ela diz que cada pessoa tem que ser e se vestir como deseja, sem que haja uma estereotipação do que é mais aceitável e do que não é.

Elas podem ser consideradas lipstick?


Jodie Foster – Talvez. A atriz, que recentemente terminou o casamento de 14 anos com a produtora Cydney Bernard, se veste como mulher, mas não consegue esconder o jeitinho maduro e masculinizado.


Cynthia Nixon – Sim. A estrela de “Sex and the City” está sempre com vestidinhos de arrasar e nunca esquece a maquiagem em casa.

 
Tracy Chapman – Não. Uma das maiores cantores negras de jazz da atualidade usa roupas que escondem suas características femininas e não consegue esconder seu jeito masculino.

 
Ellen DeGeneres – Não. A comediante americana, famosa pelo seu programa “The Ellen DeGeneres”, raramente é vista fora da TV com roupas femininas. Calça larga, camisetão e jeitão sempre!

 
Drew Barrymore – Sim. Okay, okay, ela é bi, mas mesmo assim arrasa sempre. Maquiagem e cabelo sempre impecáveis, roupas super femininas e jeitinho de menina fofa.

 
T.A.T.U. – Sim. Tanto Yulia Volkova, como Lena Katina fazem o perfil de lésbicas que se produzem, se arrumam e gostam de estar sempre femininas. Preste atenção nas roupas delas!

 
Winona Ryder – Talvez. Apesar de a atriz estar sempre arrumada, suas roupas não são exatamente femininas demais. Talvez ela se encaixe no perfil lipstick pelo jeito meigo e delicado.


*Os nomes reais das personagens foram alterados para manter a privacidade de tais.

Você tem mais informações? Envie para Minha Notícia, o site de jornalismo colaborativo do iG



Contador de notícias