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14/10 - 18:56hs

No Brasil, Jessica Watson, 17, conta detalhes de volta ao mundo em veleiro
Australiana é a garota mais jovem a realizar o feito – e com certeza é a primeira a completar a travessia num barco cor-de-rosa

Nathália Ilovatte, iG São Paulo

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Olhando para a adolescente loira de legging, vestido, sapatilha e jaqueta perfecto, o que se vê é uma garota tímida, sorridente e a princípio em nada diferente de outras meninas de 17 anos. Mas os desafios que Jessica Watson gosta de enfrentar vão um pouco além daqueles que a gente costuma ter na adolescência. A australiana, que está terminando o colégio e aprendendo a dirigir, veio ao Brasil para contar como foi sua viagem solitária de 210 dias pelo mundo em um veleiro – na qual tornou-se a mais jovem aventureira a conquistar esse feito.

Quase normal... "Sou só uma garota, gosto de fazer coisas de garota"

Aos 15 anos, Jessica deixou a família, os amigos e as aulas de matemática em Queensland (na Austrália) e partiu, munida de filmes, comida congelada e cadernos do colégio – para não perder o ano, né? – em um veleiro cor-de-rosa para uma aventura pelos mares do sul do planeta. Pelo caminho, encontrou ondas enormes, tempestades e o temido Cabo Horn. “O Cabo Horn é famoso pelo mau tempo, mas no dia em que o cruzei, o vento era de 45 nós, o que não é tranquilo, mas também não é um tempo ruim”, conta. “Foi maravilhoso, muito místico, porque por muito tempo eu sonhei em cruzar o Cabo Horn”.

Mas Jesse enfrentaria ventos mais ameaçadores. “Eu peguei uma tempestade muito pior depois, mais ao norte. O vento tinha 70 nós e as ondas chegavam a 10 metros. O barco foi virado pela tempestade quatro vezes naquela noite”. Mesmo assim, ela afirma não ter enfrentado grandes problemas, só precisou costurar um pouco a vela.

Quando você se imagina no lugar de Jesse, certamente se pergunta como contaria a seus pais que resolveu fazer essa viagem, não é? Pois a mãe da jovem velejadora, pelo menos no princípio, achou a ideia um absurdo. “Muita gente diz ‘seus pais são loucos por terem permitido’, mas eu tive que provar a eles que estava pronta para isso. Quando eu contei, disse muito séria que era isso que eu queria fazer, mas levou um tempo até eles acreditarem”. Até porque, os pais de Jessica não são velejadores como ela. A mãe é terapeuta ocupacional e o pai é corretor de imóveis.

Em sete meses, ela viu terra firme três vezes – mas não chegou a parar

Depois de conseguir o aval deles, a garota passou dois anos se preparando. “Fazer a viagem acontecer foi o maior desafio de todos. Adquirir experiência no oceano aos 13 anos foi muito difícil, e durante o treinamento, bati em um barco de 63 mil toneladas. Recebi muitas críticas”, confessa.

Ela com certeza parece uma menina corajosa, afinal, em sete meses, só viu terra firme três vezes – e sequer chegou a parar. Mas a adolescente nega ter toda essa ousadia que aparenta. “Quando criança, eu costumava ter medo de tudo, nunca fui uma aventureira. Meus pais me mandaram junto com os meus irmãos para as aulas de navegação, mas eu não gostei muito no início”, lembra. Tempos depois, a família morou em um barco, e foi lendo “Lionheart”, de Jesse Martin, que ela começou a pensar como seria legal velejar pelo mundo. “Quis viajar pelo desafio”, diz.

E que desafio. A vida em alto mar não foi nada fácil para quem está acostumada com comidinha da casa dos pais e banhos quentes. Durante 210 dias, os banhos de Jesse foram de água salgada, as roupas eram lavadas no mar, e nos almoços e jantares, o menu só incluía comida congelada. “Não sou uma boa pescadora. Só pesquei um peixe na viagem inteira”, ri. Mas ela também teve alguns momentos de lazer e diversão na cozinha, assando pães e fazendo cupcakes.

Depois de tudo isso, Jessica não se considera madura demais para os amigos do colégio, ou coisas do tipo. “O que é normal, afinal? Eu tenho amigos que também velejam e fazem coisas parecidas, então tenho um meio do qual me sinto parte. E eu sou só uma garota, gosto de fazer coisas de garotas, de me vestir, ir ao cinema, falar de garotos, ir à praia...”. Prova disso é que, em alto mar, entre uma tempestade e outra, Jessica lia a saga Crepúsculo. Quando contou isso, a pergunta foi inevitável: team Edward ou team Jacob? “Nunca me perguntaram isso antes, não sei... Hummm... Robert Pattinson!”.

O livro de Jessica sobre a aventura já é o mais vendido na Austrália

E como dar a volta ao mundo não fosse o bastante, a jovem também escreveu um livro. “True Spirit”, que conta a aventura, está à venda em diversos países da Europa e da América, e atingiu a marca de livro mais vendido da Austrália. Mas, por enquanto, nada de versão em português. O lançamento da obra no Brasil ainda está em negociação.





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