08/10 - 13:22hs
Aos 20 anos, Bruna Schmitz leva charme e talento ao circuito mundial de surfe
"Não planejava ter o surfe como profissão", diz promessa brasileira no esporte, eleita uma das mais belas dos campeonatos
Renan Silva, iG São Paulo
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Esqueça o visual “riponga” de sandália rasteirinha, as gírias de beira de praia e o cabelo detonado pelo mar. Bruna Schmitz vive surfe, mas pratica um lifestyle diferente. Paranaense, 20 anos, ela é uma garota prodígio. Consegue conciliar uma agenda maluca que incluí viajar o mundo atrás das melhores ondas, fazer campanhas publicitárias, conceder entrevistas, dar atenção à família, aos cachorros e ao namorado, o também surfista Jeremy Flores. Tudo isso com charme e senso de humor. Sem se esquivar do que representa – umas das jovens promessas do esporte brasileiro.
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Surfista desde os nove anos, ela começou no esporte por brincadeira, para acompanhar o irmão e os amigos durante um verão. Na época, por ter poucas meninas inscritas nos campeonatos infantis, acabava competindo com garotos. O que era hobby se tornou algo maior quando, ainda criança, ela escutou o conselho da mãe: “Filha, se você surfar, pode acabar conhecendo o mundo inteiro”. E a ideia virou mesmo uma coleção de carimbos no passaporte.
Aos 14 anos, ela já tinha encarado ondas no Equador, no Havaí e na Austrália, onde cursou inglês e garantiu vaga para o Mundial Sub-16, no qual faturou o terceiro lugar. Aí não parou mais. Bruna se consolidou na cena do surfe nacional e internacional, competindo e treinando em quatro dos cinco continentes. Até conquistar o acesso a elite do esporte, o WCT, foram nove anos – o direito de disputar a divisão chegou junto com a maioridade. “Aconteceu”, como ela diz.
Em entrevista ao iG Jovem, Bruna fala das experiências no exterior, da saudades da família e de como lida com o fato de ser considerada a terceira surfista profissional mais bonita do mundo, segundo a Surfer, clássica publicação internacional do esporte. Sim! Essa ariana fã de Kelly Slater e que pensa em fazer faculdade de moda carrega também esse título.
iG Jovem: Como você analisa sua trajetória? Dá para dizer que você já chegou lá?
Bruna: No começo eu não planejava ter o surfe como profissão. Não planejei nada. Cheguei por acaso e simplesmente gostei. Morava em Matinhos (PR), litoral, no verão tinha escolinha e eu ia com meu irmão – ele me incentivava, colocava uma pressão sobre mim e me pentelhava[risos]. Só fui perceber que o surfe era algo diferente para mim quando o invernão foi chegando, o pessoal foi desistindo e eu ali, persistente. Mas ainda não dá para dizer que sou bem-sucedida. Ganhar para isso é ótimo, mas não pretendo ser profissional o resto da vida. Quero fazer uma faculdade, talvez Moda.
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iG Jovem: Para mesclar esporte, estudos, família e amigos, como você fazia?
Bruna: No começo minha mãe ia até a escola, conversava com os professores e todos sempre me apoiavam. Isso quando as viagens eram mais no Brasil. Depois começou a complicar para conciliar. As etapas internacionais apareceram e eu achei que não ia conseguir. No fim deu tudo certo. Agora, Natal, faz uns anos que não passo em casa por conta da temporada havaiana; aniversários das pessoas, eu perdi um monte. Mas conquistei amigos no surfe e, mesmo não sendo a família, já ajuda.
iG Jovem: E nessas viagens, como foi adaptar alimentação e idioma?
Bruna: Inglês eu sempre fiz desde pequena. O problema é que quando eu viajei para o Havaí, eu vi que não era nada daquilo. As pessoas não te entendem. No começo passei muito perrengue. Sentia vergonha para conversar. Aos poucos fui melhorando. Quando entrei no tour, eu tinha que me comunicar. Quem deu uma força foi meu namorado. Ele é francês, mas fala português e inglês. Me encorajou a arriscar mais. Para comer foi mais fácil. Nunca fui de comer besteira. Sinto falta é da comida da mamãe [risos].
iG Jovem: A surfista de ondas grandes Maya Gabeira comentou que se prepara fisicamente com personal trainer e ioga. E você?
Bruna: Ela pega ondas gigantes. Tem que ter um preparo especial. Eu procuro alimentos que me deem energia. Meu preparo está na alimentação e, claro, no surfe. Só. O mar por si só já dá o condicionamento porque passamos horas surfando.
iG Jovem: Na busca pela onda perfeita, viveu alguma história bizarra?
Bruna: Várias. Uma recente foi no ano passado, em Sunset, no Havaí. Lá você tem que preparar as maiores pranchas para a competição. O mar é forte. Numa bateria, uma menina hesitou para pegar a onda e eu acabei entrando errado na série e fui arremessada. Quebrei a prancha no meio. Parei no meio da espuma, tomando água na cabeça sem parar e, por regras do campeonato, eu estaria eliminada se o jet ski me socorresse – e eu não queria isso. Para buscar outra prancha, foi um apuro [risos].
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iG Jovem: Dos lugares que conheceu, quais os mais marcantes?
Bruna: Bali, na Indonésia. A Austrália, que tem diversos lugares legais. O próprio Brasil conta com praias lindas. O pôr-do-sol roxo e laranja de Sunset, no Havaí. Mas um lugar que tem altas ondas e é muito bonito é a Nova Caledônia, onde meu namorado tem casa. Uma ilha na Oceania. É maravilhoso. Você vê corais coloridos na maioria das praias. É incrível.
iG Jovem: E a relação com a internet e com a música?
Bruna: Curto. Amo meu blackberry. Nele toca de tudo. Mas quem eu tenho escutado bastante ultimamente é a Beyoncé. A voz dela é demais. Internet eu encaro mais como uma facilidade – para falar com a minha família e não encarecer a conta do telefone, né? Gosto do Twitter também. O meu é: @schmitzbruninha.
iG Jovem: O que não falta na sua mala?
Bruna: Tudo! Levo minha casa na mala [risos]! Brincadeira. Tive que aprender a fazer uma mala objetiva. Nada mais e nada a menos porque no começo era ruim, eu me atrapalhava um pouco. Acabava tirando coisas que eu precisava levar para as viagens e deixando algo essencial. Chegava a ser engraçado. Mas melhorei. Na maioria das vezes, você viaja só com uma mala porque a prancha ocupa o espaço de outra bagagem, e eu levo em média cinco pranchas, então, tive que aprender. Agora, algo que não pode faltar... Protetor solar!
iG Jovem: E esse lado da beleza: você tem trabalhos publicitários, é considerada uma das mais belas do surf – isso atrapalha? O namorado é ciumento?
Bruna: Não. Meu namorado é supertranquilo. A gente curte ficar em casa, nos entendemos bem. Ele também tem trabalhos iguais, então levamos isso numa boa. Claro, gosto de me cuidar, ter atenção com o cabelo e com a pele. Passo boa parte do meu tempo no mar. Exige um cuidado.
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