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16/09 - 21:08hs

Premiada aos 17 anos, Gabriela Diehl lança livro e vira exemplo para jovens
Escritora ganha troféu no Prêmio Jovem Brasileiro 2010 pelo livro "As Bruxas de Westfield", primeira parte de sua trilogia

Larissa Drumond, iG São Paulo

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Gabriela Fogaça Diehl, de 17 anos, passou as últimas três férias escrevendo. Mas valeu a pena. Nesta semana, a adolescente foi homenageada com um troféu na categoria “Cultura”, no Prêmio Jovem Brasileiro 2010. O prêmio, entregue pelo apresentador Marcos Mion, foi um reconhecimento pela primeira parte da trilogia “As Bruxas de Westfield”, recém-publicada (Ed. Giz Editorial). “Fiquei muito feliz com o reconhecimento. Comecei a escrever o livro por diversão, para distribuí-lo como lembrancinha na minha festa de 15 anos”, confessa.

Inspirada pelas histórias contadas por J.K. Rowling, J.R.R. Tolkien, Agatha Christie, Meg Cabot e Thalita Rebouças, ela mesma precisou viver uma saga de aventura – mas sem personagens sobrenaturais e elementos fantasiosos: achar alguém que aceitasse publicar seu livro. “Mandei para várias editoras pequenas, porque sabia que seria mais fácil. Recebi uma proposta da Giz Editorial e deu certo”. Tão certo que a obra foi lançada na Bienal do Livro de 2009 e o dinheiro para os estudos já está garantido. “O valor das vendas é dividido entre mim, a editora e a livraria. Eu recebo 30%, mas quem cuida disso é meu pai”, conta receosa, sem saber o que pode ser revelado.

“Recebo e-mail de algumas leitoras pedindo dicas de como fazer um livro"

Além de cuidar das finanças da filha precoce, o pai foi o responsável, mesmo que indiretamente, por sua alfabetização em inglês. Ele trabalha com softwares e foi transferido para a Flórida (EUA). A família, então, saiu de Campinas (SP) com destino à cidade de Pembroke Pines, onde morou de 2000 a 2003. Aos oito anos, Gabriela apareceu no primeiro dia de aula, na Chapel Trail Elementary School, sem falar uma palavra em inglês. “Aprendi na raça mesmo”. Aprendeu a falar, a escrever e ganhou um prêmio na segunda série com o conto “A Princesa e o Dragão”, de três páginas. “Teve um concurso na escola e o melhor seria selecionado para fazer parte de um livrinho e ser lido na livraria”.

De aluna exemplar nos Estados Unidos, hoje é exemplo para meninas adolescentes que sonham em se tornar escritoras, mas não sabem por onde começar. “Recebo e-mail de algumas leitoras dizendo que gostam de escrever, mas têm medo da opinião dos outros. Eu dou conselhos e digo que é mesmo difícil”. Gabriela também explica como funciona o processo criativo: antes de rascunhar o primeiro parágrafo, todos os capítulos são montados em um resumo para ela não correr o risco de não ter mais ideias para o fim, nem se perder durante o período em que fica sem produzir. “É difícil escrever em época de aula, porque preciso estudar para as provas e fazer os trabalhos do colégio”, lamenta.

Mas até os amigos ficam curiosos para saber como se faz um livro – e ficam orgulhosos da amiga vencedora de prêmios. “Todos gostaram, mas alguns não leram porque não têm esse hábito. É uma pena, porque a leitura abre a cabeça para novas ideias e reflexões. É importante absorver informação que não venha só da televisão”, diz.

Gabriela Diehl é entrevistada por Guto Melo, criador do prêmio

Aluna do 2º ano do ensino médio, Gabriela estuda para prestar vestibular de Direito, enquanto se prepara para o lançamento do segundo livro, "As Bruxas de Westfield e o Reino Desconhecido", no fim deste ano. E não para por aí: logo que concluir a última parte da trilogia, sua próxima obra já está esboçada na cabeça. “Vai ser um romance com um pouco de mistério que se passa na época das Cruzadas”.

> Siga Gabriela Diehl no Twitter: @gabifdiehl


Leia um trecho do livro:
Quando o filme estava quase em sua última parte, ele foi interrompido por uma chamada urgente do noticiário local, com o seguinte pronunciamento:
– Hoje, por volta das 6h30 da manhã, Alberto Xarques foi encontrado morto dentro de sua residência. Não há evidência alguma de arrombamento em portas ou janelas. O cadáver não apresenta marcas de agressão física. O corpo foi encontrado por uma senhora que trabalhava em sua casa, ao chegar pela manhã. O repórter continuava:
— Os médicos e legistas estão analisando o caso, e suspeitam de envenenamento, já que o homem não aparentava sinais de morte natural. Agora voltamos à programação normal.

Mary e Lucy ficaram chocadas com a notícia e conversavam
com extremo espanto:
— Nossa! Um assassinato! E em nossa cidade ainda
por cima! Em nossa pequenina cidade! Não dá para acreditar!
– dizia Mary, arregalando os olhos.
— Puxa, não dá para acreditar mesmo! Eu pelo menos
não gosto dessas coisas, não mesmo! Isto até parece algo saído
diretamente dos filmes que assistimos para a vida real.

O espanto das meninas era compreensível, pois há anos não ocorria um assassinato ali. Nem o mais recente relato de assassinato podia-se encontrar na pequena delegacia da cidade. Ela tinha um charme e um ambiente muito familiar; quase todos os habitantes se conheciam e não existia nenhum caso de vagabundos ou desocupados. As grandes ocorrências na delegacia de polícia local eram ou por motivos de algum e raro acidente com algum carro colidindo com outro ou por alguém bêbado em uma festa, perturbando outra pessoa. O silêncio foi quebrado pela mãe de Lucy.
— Meninas, hora de dormir! – ordenou.





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