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09/08 - 20:50hs

Após turnê na Inglaterra, capixabas da Mickey Gang lançam álbum neste ano
Banda de jovens de Colatina que conquistou fãs na Europa assina contrato com selo de Pitty e Strike para gravar primeiro CD

Larissa Drumond, iG São Paulo

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Rotular uma banda pode ser errado – mas quem resiste? O problema é que é difícil encontrar uma definição para os capixabas da Mickey Gang, formada por Arthur Marques (20 anos, vocalista e tecladista), Bruno Magalhães (21, baixista), Ricardo Vieira (19, guitarrista) e João Balla (18, baterista). Após um vinil compacto de sete polegadas, um single, duas viagens a Londres, uma miniturnê pela Inglaterra e até um término abrupto, o grupo criado há três anos em Colatina (ES) voltou em junho deste ano e assinou contrato com a DeckDisc – a gravadora de Pitty, Strike e Cachorro Grande. “Acho pop rock mais justo, até porque nossa paixão pelo pop sempre falou mais alto”, explica Arthur.

“A gente queria soar diferente, mas sem a preocupação de ser original. Se você parar para ouvir, o nosso som parece com um monte de outras bandas”, admite o vocalista, que canta em inglês. E é difícil não bater os pés ao som de “I Was Born in the 90’s”, “With Love Prince” e “Fuck You Cupid” – todas com refrões contagiantes. O primeiro CD do grupo está na metade e será lançado ainda neste ano.

iG Jovem: Vocês se consideram sortudos por saírem de uma cidade relativamente pequena e fazerem sucesso na Europa?
Arthur Marques: Sortudo, não. É uma questão de estar no lugar certo fazendo a coisa certa. Não sei se é sorte porque eu acredito que nossa música seja boa, mas com certeza teve um fator cósmico a favor. Apesar disso, na internet é muito simples colocar seu som. É só fazer direitinho, divulgar muito, adicionar contatos que as coisas vão acontecendo.

Bruno, Ricardo, João e Arthur: "Nossa paixão pelo pop sempre falou alto"

iG Jovem: Mas como exatamente aconteceu o convite para ir a Londres?
Arthur Marques: Foi bem cinema mesmo. Abri minha caixa de entrada e tinha um e-mail da gravadora que levou a gente para lá. Um mês depois, a gente tinha agência, advogado, empresário... Alguém postou nosso som nesses blogs de música bem visitados lá fora. Os diretores artísticos de gravadoras ficam muito em cima disso, procurando novidades, e acabaram achando a Mickey Gang.

iG Jovem: O que aconteceu depois que vocês chegaram lá?
Arthur Marques: Fizemos uma miniturnê por Londres e tivemos algumas reuniões. Na primeira vez, em setembro, fizemos só dois shows e lançamos um vinilzinho de sete polegadas com duas faixas. Fizemos uns seis ou oito shows para divulgar o single de “Horses Can’t Dance”, que parou nas rádios e teve críticas muito positivas. Quando tudo estava dando certo, a gente começou com umas viagens meio erradas e decidiu parar.

iG Jovem: Nossa! Por quê?
Arthur Marques: Nem a gente sabe! A gente participou do VMB como aposta, fez show no SESC Pompeia e um mês depois acabou. Não tem explicação, as coisas não estavam andando como a gente queria.

Veja a banda tocando "I Was Born in the 90's" no Sesc Pompeia (SP):


iG Jovem: Mas rolou alguma briga?
Arthur Marques: Rolou uma pressão que a gente não estava gostando. A gente não estava sabendo separar, porque sempre encarou a banda como diversão. Quando vira profissão é outra história! A gente deixou de ser só amigo para virar colega de trabalho. Ninguém estava preparado para tudo isso e cada um foi para um canto. O João não tinha terminado a escola e os outros voltaram para a faculdade. No ano passado, eu conheci o Rafael Ramos, que é diretor artístico da DeckDisc. Ele queria lançar um álbum nosso no Brasil, mas a gente nem queria nada disso. Eu estava escrevendo música para outros projetos dele quando rolou o convite para participar da trilha sonora de um filme nacional, o “Muita Calma Nessa Hora”, que vai ser lançado em novembro. A banda já tinha acabado, mas eles queriam as músicas. O filme é jovem e tem uma "vibe" legal de praia, que combina com o nosso som. Eu e os meninos voltamos a conversar sobre música e o Rafael já quis que a gente assinasse um contrato [risos].

iG Jovem: O que vocês fizeram nesse período em que estavam separados?
Arthur Marques: Agora estamos tentando conciliar os estudos com a música. Estamos muito focados no álbum e sentamos todos os dias para criar. O Ricardo estava fazendo faculdade de Produção Fonográfica no Rio e voltou. O Bruno fazia Jornalismo e o João ainda está terminando o ensino médio. Eu não voltei para a faculdade depois que a banda acabou. Continuei em Colatina e fiz uns trabalhos de tradução. Estou pensando em voltar para a faculdade de Rádio e TV neste segundo semestre, mas vou ficar quietinho por enquanto. 

iG Jovem: Quando vocês voltaram?
Arthur Marques: Em junho. A gente assinou com a DeckDisc e, como o Dia dos Namorados estava chegando, a gente lançou a “Fuck You Cupid”, que eu tinha escrito nesses seis meses em que a gente ficou parado.

iG Jovem: Como era a receptividade em Londres quando ficavam sabendo que vocês eram brasileiros?
Arthur Marques: Muito boa! Existe uma mania meio errada de falar que as pessoas não dançam nos shows em Londres, que todo mundo fica paradão. Mentira! O pessoal é muito animado, a gente foi muito bem recebido e foi muito legal. Queremos voltar.

iG Jovem: E vocês faziam muito sucesso com as meninas na Inglaterra?
Arthur Marques: [risos] É... Acho que os latinos são bem conhecidos por esses quesitos amorosos na Europa. Apareciam muitas meninas no nosso show, sim. [risos]

iG Jovem: Como os pais lidaram com o fato de que vocês abandonaram o colégio e a faculdade para viajar para a Europa?
Arthur Marques: Foi complicado, né? [risos] Imagina chegar em casa e falar: “Mãe, alguém que eu nunca ouvi falar na minha vida, mas sei que é uma boa pessoa, está me chamando para ir para Londres. Aí a mãe fala: “Aham, senta lá”. No outro dia, mandaram as passagens. Nossas mães ficaram com o coração na mão, mas nós quatro somos muito responsáveis e sabemos levar as coisas a sério. Nossos pais confiam na gente. E ter a confiança dos seus pais é a melhor coisa que você pode ter na vida.

iG Jovem: Como vocês se conheceram?
Arthur Marques: A cidade é muito é pequena, sabe? Foi por amigos de amigos. A gente frequentava os mesmos lugares e começou a trocar ideia sobre música. Todo mundo tocava, mas nossas afinidades nem eram musicais, eram mais relacionadas a filmes e seriados antigos. A gente se dava bem e, então, teve a ideia de criar uma banda. A gente escrevia sobre nossos amigos, sobre a namorada deles... Era para se divertir mesmo! 

iG Jovem: E o que eles achavam quando vocês mostravam essas músicas?
Arthur Marques: Às vezes, alguns se reconheciam na história e começavam a rir. Mas a gente nunca sentou para combinar: “Vamos fazer uma parada assim, com tais influências”. Foi natural. Mas o que nos une musicalmente é a paixão pela música pop.

iG Jovem: A maioria das bandas começa fazendo cover de outras e vocês já começaram com composições próprias. Como foi?
Arthur Marques: Até hoje a gente não costuma tocar cover nos ensaios. Normalmente, a gente toca no fim do show só de besteira, como em São Paulo, em maio do ano passado. Um olhou para a cara do outro e falou: “Ah, vamos tocar Blink?” Eu nem sabia a letra direito e não estava ensaiado. É bem espontâneo! A gente fez outro show em outubro e o pessoal começou a gritar: “Toca um cover aí!” – e saiu Nirvana.

iG Jovem: Quais são as bandas que vocês mais gostam?
Arthur Marques: A gente gosta muito de Blink 182, Gorillaz, The Killers, Nirvana, McFly e The Fray. Isso é o que todo mundo ouve em comum, mas nossos gostos são muito diferentes. Enquanto o João adora James Brown, o Ricardo ouve um som mais pesado, o Bruno gosta mais de punk e eu, sei lá, Lady Gaga. A gente tira um pouquinho do que cada um gosta. Não original, porque a gente nem tem essa viagem. Se você parar para ouvir, a Mickey Gang parece com um monte de outras bandas.

iG Jovem:  Quem criou o nome?
Arthur Marques: A gente tinha outras opções de nome, mas eram todas muito ruins. A gente resolveu colocar justo a pior! [risos] Tinha outros nomes envolvendo mãe de Fulano, de Ciclano, mas a gente achou melhor deixar quieto [risos]. Então, tem uma música da Toni Basil que fala de um cara chamado Mickey. E tem toda a história de que ele [o Mickey] não gosta da menina e tal. Um dia a gente estava conversando e pensou: “Esse cara deve ser muito legal, afinal, a menina fez uma música para ele!” A gente queria ser esse cara e colocou “Gang” do lado.

iG Jovem: Não tem nada a ver com o Mickey da Disney, então!
Arthur Marques: Nada a ver. Aliás, o “Gang” veio de uma banda brasileira dos anos 80 que a gente gosta muito, a Gang 90. A banda durou pouco e tem uma ou duas músicas, inclusive aquela: “Nooosso looouco amooor!”

iG Jovem: Como vocês veem o cenário musical do Espírito Santo?
Arthur Marques: Tem muita coisa boa. O Espírito Santo, não sei por quê, é um lugar que não tem muita visibilidade como os outros estados do Sudeste, sendo que tem muita movimentação artística. Acho que os olhos estão começando a se voltar para cá.

iG Jovem: Por que vocês decidiram cantar só em inglês?
Arthur Marques: Foi uma decisão bem nossa no começo. Quando a gente cantava em português, todo mundo entendia e dava um pouco de vergonha. É mais fácil cutucar os outros em inglês.

iG Jovem: Como vocês rotulariam o estilo de vocês?
Arthur Marques: Pop rock, porque a Mickey Gang tem influência do rock alternativo, do electropop, do pop punk, entendeu? Eu acho que pop rock é mais justo.

iG Jovem: Vocês não gostam de ser chamados de indie?
Arthur Marques: Nós não somos indie, nunca fomos. Quem falou isso? Que audácia! [risos] Nossa paixão pelo pop sempre falou mais alto.





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